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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Equador decide explorar petróleo em reserva ambiental na Amazônia

BRUNO CALIXTO

Borboleta pousa em folha no Parque Nacional de Yasuni, no Equador (Foto: Dolores Ochoa/AP)
Em 2007, o Equador descobriu que, debaixo da exuberante floresta do Parque Nacional de Yasuní, na Amazônia Equatorial, existia uma quantidade gigantesca de petróleo - mais de 800 milhões de barris. As autoridades ambientais do país logo perceberam que esse petróleo colocaria em risco toda a floresta, e o presidente Rafael Correa fez uma proposta à Assembleia Geral da ONU: o país se comprometeria a não explorar o óleo se a comunidade internacional ajudasse a financiar a floresta em pé. 
O plano, considerado como uma das iniciativas mais inovadoras do governo do Equador na área ambiental, durou seis anos. Nesta quinta-feira (15), o mesmo Rafael Correa falou em rede nacional de TV que a proposta estava encerrada. Correa assinou um decreto executivo acabando com a iniciativa, e autorizou as petroleiras a iniciar obras nas próximas semanas em Yasuní.
Correa culpou o mundo pelo fracasso do projeto. "O mundo falhou conosco. O fracasso do projeto foi causado pela hipocrisia do mundo", disse. Para a iniciativa funcionar, o Equador esperava arrecadar US$ 3,6 bilhões para manter o carbono debaixo da terra, evitando a emissão de 400 milhões de toneladas de gases de efeito estufa. Vários países prometeram contribuir com a iniciativa, como Itália, Alemanha e até mesmo o Brasil, e nomes como Leonardo DiCaprio e Al Gore fizeram doações pessoais. No entanto, em seis anos o projeto só conseguiu US$ 13 milhões, uma fração minúscula da meta.
Enquanto isso, o setor petrolífero pressionava. Estima-se que as reservas de petróleo em Yasuní valem mais de US$ 7,2 bilhões. Além disso, o país passa por uma situação econômica complicada. O governo Correa acumula dívidas e não consegue se capitalizar no mercado internacional, dependendo de financiamentos da China - um dos países mais interessados no petróleo amazônico.
Organizações ambientais e indígenas do Equador criticaram o presidente. Segundo elas, a culpa da fracasso é do próprio governo, que mandou sinais contraditórios para a comunidade internacional - ora dizendo que queria preservar a floresta, ora ameaçando iniciar as perfurações. O fracasso do projeto é um golpe forte para ativistas contra as mudanças climáticas, que buscam inicativas novas para evitar a queima de mais combustíveis fósseis e condenam projetos de alto impacto ambiental.

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