Follow by Email

quarta-feira, 4 de maio de 2016


O Brasil tem sol e ventos para ser líder em renováveis no mundo. Por enquanto, estamos crescendo em eólica, mas o investimento em solar é decepcionante

BRUNO CALIXTO 04/2016 - 

Imagem feita pela janela de um trem registra arco-íris no meio de campo de energia eólica em Wilster, na Alemanha (Foto: AP Photo/dpa, Christian Charisius)

A Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena), um órgão da ONU que promove novas fontes de energia, publicou na semana passada a atualização de seu estudo global sobre o atual estágio das energias renováveis no mundo. Os dados mostram que, no ano passado, as renováveis cresceram 8,5% e já somam 1.985 GW de potência instalada.
Os dados, de mais de 200 países ou territórios, estão abertos no site da agência. Uma análise desses números mostram alguns resultados interessantes. O Blog do Planeta montou alguns gráficos para mostrar o atual estágio das renováveis no Brasil. Um resumo: energia eólica está em rápido crescimento, mas no quadro geral, ainda estamos bem atrasados, e o nosso investimento em energia solar é ainda decepcionante.
O primeiro gráfico mostra o crescimento das energias renováveis nos últimos dez anos. Ele considera só as novas fontes de energia. As hidrelétricas, que já estão consolidadas, não entram. A curva mostra um crescimento expressivo. Saimos de pouco mais de 6 mil MW em 2006 para 22 mil MW no ano passado.
Energias renováveis no Brasil (Foto: Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena)/ÉPOCA)
Energias renováveis no Brasil (Foto: Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena)/ÉPOCA)
O avanço parece impressionante, mas colocado em perspectiva, nem tanto. Uma comparação com outros países mostra que crescemos muito pouco. Um exemplo interessante é a China, que tinha, em 2006, o mesmo patamar de geração de energia renovável que o Brasil. Coloque a China no gráfico e podemos perceber que o avanço brasileiro é quase imperceptível.
Energias renováveis no Brasil (Foto: Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena)/ÉPOCA)
Energias renováveis no Brasil (Foto: Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena)/ÉPOCA)
É verdade que a situação econômica de Brasil e China são muito diferentes, e o PIB da China é quase quatro vezes maior do que o brasileiro. Ainda assim, o investimento brasileiro em energias renováveis não-hídricas ficou muito abaixo da capacidade brasileira. O país preferiu investir, nos últimos dez anos, em grandes hidrelétricas - o que nos deixou vulneráveis á seca do ano passado. Também houve redução dos incentivos à biocombustíveis nos últimos anos. O resultado é que continuamos muito dependentes da chuva.
Energias renováveis no Brasil (Foto: Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena)/ÉPOCA)
Energias renováveis no Brasil (Foto: Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena)/ÉPOCA)
Apesar dos problemas, é inegável que os dados mostram uma boa notícia: o crescimento da energia eólica no Brasil. Em 2006, a potência instalada de energia eólica era inexpressiva. Pouco menos de 200 MW. Em dez anos, a eólica atingiu mais de 8 mil MW, ultrapassando a a energia nuclear (que não está nos gráficos por não ser renovável) e se tornando uma das mais importantes fontes de energia do país. Com isso, o Brasil se torna o décimo maior gerador de energia eólica do mundo, como mostra a tabela abaixo.
Energias renováveis no Brasil (Foto: Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena))
Energias renováveis no Brasil (Foto: Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena))
Já o dado decepcionante é o quanto estamos atrasados em energia solar. O Brasil só começou a investir em painéis fotovoltaicos em 2011. Estimativas mostram que o Brasil poderia gerar mais de 100 mil MW de energia solar - o suficiente para suprir a maior parte da energia do país. Em vez disso, 2015 terminou com apenas 21 MW de potência instalada. Não são 21 mil, não. Apenas 21 MW mesmo. Uma comparação com os países da América Latina exemplificam nosso atraso: estamos gerando menos energia solar do que a Guiana Francesa, por exemplo.
Energias renováveis no Brasil (Foto: Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena)/ÉPOCA)
Energias renováveis no Brasil (Foto: Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena)/ÉPOCA)

Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/blog-do-planeta/noticia/2016/04/energia-eolica-decola-no-brasil-solar-continua-engatinhando.html



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pelo sua participação e opinião !