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domingo, 15 de novembro de 2015

Trabalho e renda a partir da reciclagem

Foto: Secom Campos/Divulgação
Em tempos de sustentabilidade e maior conscientização ambiental, lixo tem sido sinônimo de dinheiro. Atualmente, em Campos, cerca de 60 representantes de famílias de ex-catadores do antigo aterro controlado da Codin mudaram de vida com a implantação de duas cooperativas, a Reciclar, no Parque Novo Eldorado, e a Cata Sol, no Parque Aldeia, em Guarus. Mensalmente é enviada pela secretaria de Desenvolvimento Ambiental de Campos, a matéria-prima destinada às cooperativas, que é o lixo seco da coleta seletiva do município produzida pela população, que gera renda. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Ambiental, Jorge Rangel, equipes da secretaria têm realizado novos cadastros intensificando o Programa de Coleta Seletiva, para que, cada vez mais catadores possam aderir às cooperativas e, com esses recursos, garantir a renda da família. Na cooperativa Reciclar, por exemplo, os cooperativados já recebem um salário mínimo. Se mais pessoas aderirem ao programa de Coleta Seletiva, os recursos poderão aumentar.
Ex-catadora, Sandra Genásio da Silva, 37 anos, trabalhou por 10 anos no aterro controlado da Codin. “Eu me empenho muito para que a cooperativa continue a dar certo e tenho fé em Deus que vai ser um grande sucesso. Estou trabalhando muito para isso, pois o que ganho aqui é fundamental na minha casa”, disse ela.
De acordo com o secretário Jorge Rangel, a coleta seletiva tem contribuído na renda de ex-catadores. Ele disse que na Reciclar, por exemplo, os trabalhadores já estão obtendo uma renda de um salário mínimo. “Assim também poderá ganhar aqueles que trabalham na Cata Sol. E os valores podem sempre aumentar de acordo com a produção”, diz ele.
— É a realização de um sonho antigo. Agora estamos trabalhando com dignidade e levando renda para nossas casas — destacou a presidente da cooperativa Cata Sol, Érika Borges.
Na inauguração foi assinado um Termo de Cooperação Técnica, permitindo a unidade receber 50 toneladas de lixo mensalmente.
As duas Unidades de Triagem de Material Reciclável possuem banheiros, refeitório, escritório e amplos espaços, onde está localizado todo o maquinário adequado para separação do lixo, como prensa e grandes contêineres. Antes de começarem a trabalhar, os ex-catadores passaram por capacitação e treinamento, além de terem recebido todo material de trabalho adequado.
Nos últimos meses, apesar das constantes campanhas de conscientização pelo Programa de Coleta Seletiva, a crise econômica do país vem refletindo na coleta de material reciclável. “Sabemos que, com a queda do consumo, é natural que a quantidade caia. Mas, estamos na expectativa de que, quanto mais conscientes as pessoas estejam sobre a importância de separar o lixo, mais material teremos para fornecer aos cooperativados”, disse o superintendente de Limpeza Pública, Carlos Morales.
O termo de cooperação técnica da Prefeitura com as cooperativas prevê a doação de material e o acompanhamento técnico, além de ter fornecido o galpão, equipamentos e custear despesas, como água e luz. A cooperativa recebe o material reciclável, faz a separação de garrafas pet, papelão e vidro e, depois, vende. “São preços diferenciados. Tudo é prensado e vendido. O valor arrecadado é dividido entre os cooperados”.
Morales destaca, ainda, que todos os cooperados também receberam Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para o manuseio adequado do material. Ele faz um apelo à população para que não coloque, junto com o lixo, seja reciclável ou não, materiais pontiagudos e perfurantes. “Já aconteceu de ter seringas e isso pode machucar quem manuseia o material. Então, a gente pede que não coloquem também agulhas e vidros para evitar que machuque as pessoas”, reforça.
Coleta seletiva é estimulada
O trabalho de coleta seletiva implantado em Campos pela secretaria de Desenvolvimento Ambiental junto com as cooperativas de catadores que foram implantadas na cidade vem crescendo a cada dia e nos últimos 12 meses, o número do lixo reciclado chegou a 1.470 toneladas, o que mostra o sucesso do trabalho realizado. Entre 2009 e o quinto bimestre de 2015, esse número chegou a 6.422 toneladas.
Atualmente, são três caminhões da empresa contratada para o serviço, recolhendo diariamente o lixo nos locais determinados através de cadastro realizado pela própria secretaria. “Atualmente, temos oito funcionários percorrendo os diversos bairros da cidade, no trabalho de cadastramento de residências e pontos comerciais que estejam dispostos a colaborar com o programa.
A conscientização da população é cada dia maior e o aumento do quantitativo tem sido gradual”, afirmou o superintendente de limpeza pública, Carlos Morales.
Segundo ele, estão sendo visitadas residências e vários estabelecimentos como shoppings, condomínios, salões de festa, escolas e supermercados, para que os caminhões possam recolher o lixo reciclável, através de GPS, que já indica o local exato de busca.
Além disso, um trabalho de conscientização através de palestras tem sido realizado em escolas, condomínios e até mesmo em hospitais, como aconteceu recentemente no Álvaro Alvim, para médicos e funcionários, sobre a necessidade de preservação do meio ambiente, com a separação do lixo.
Quem ainda não foi visitado por equipes da secretaria e deseja se integrar ao programa, deve se dirigir à sede da secretaria para se cadastrar. “O lixo reciclável é trocado por adubo orgânico que é disponibilizado a todos os que participam”, declarou Morales. (A.N.)
FONTE: FOLHA DA MANHÃ (http://www.fmanha.com.br/)

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