quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O que é que a mandioca tem

Barata, resistente, nutritiva e cheia de carboidratos especiais, ela foi eleita pela Organização das Nações Unidas o alimento do século 21. Conheça as vantagens dessa raiz que brota de norte a sul no Brasil

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Silvia Lisboa Saúde - 

Na mesa do homem mais veloz do mundo não falta... mandioca. Ela é a principal fonte de energia do jamaicano Usain Bolt, segundo revelou seu pai durante as Olimpíadas de Pequim em 2008, após o filho bater o recorde mundial dos 100 metros rasos. E faz sentido: essa raiz tem dois tipos de carboidrato, a amilopectina e a amilose, que, juntos, liberam a glicose mais lentamente para o corpo. Isso facilita a digestão, evita picos de açúcar no sangue e dá gás de sobra para o dia a dia. 

Mas não é preciso ser medalhista para tirar proveito do alimento que já foi batizado de a "rainha do Brasil". Tanto é que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) vem endossando sua produção e seu consumo mundo afora. A entidade quer acabar com o status de "comida de pobre" e utilizá-la inclusive para combater a fome. "Infelizmente, a mandioca tem uma riqueza pouco conhecida", diz o engenheiro agrônomo Joselito Motta, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa. 

Fonte de fibras e isenta de glúten - qualidade que a faz não pesar tanto na digestão -, a raiz carrega versatilidade no nome, nas condições de plantio e nas formas de preparo. Dependendo da região, é chamada de aipim, macaxeira, maniva, uaipi ou xagala. Não há tempo ou terra ruim pra ela. "A mandioca é um camelo vegetal", brinca Motta, fazendo referência ao fato de que a planta cresce em solos pobres e resiste a períodos de seca. À mesa, ela pode ser degustada cozida, frita, em purê e dá origem a tapioca, polvilho e farinha. Ah, a brasileirinha ainda é barata: custa em média 2 reais o quilo, 30% a menos que a batata. 

Por falar na sua rival, a mandioca leva certas vantagens. "Ela possui maior quantidade de vitaminas A, B1, B2 e C", diz a nutricionista Maria Carolina von Atzingen, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Fazendo justiça, porém, precisamos avisar que a abundância em energia traz um efeito colateral: 100 gramas de mandioca têm quase três vezes mais calorias que a mesma porção de batata - são 160 calorias contra 58. 

Só que isso não deve assustar quem se preocupa com o peso. "A composição de carboidratos da raiz faz com que ela prolongue a saciedade", conta Rafaella Allevato, coordenadora do Serviço de Nutrição do Hospital San Paolo, na capital paulista. Não por menos, a mandioca costuma ter passe livre em dietas e é indicada a diabéticos. "Ao contrário de outras fontes de carboidrato, ela não gera picos de glicemia", diz Rafaella. Agora, note bem: justamente por ser um reduto desse nutriente, é prudente que ela não seja misturada nas refeições com outros depósitos de carboidrato, como arroz, macarrão... 

Por ser livre de glúten, a mandioca é queridinha de outra parcela da população, os portadores de doença celíaca - estima-se que sejam 2 milhões só no Brasil. Graças a seus derivados como a farinha e o polvilho, os celíacos conseguem ampliar o limitado cardápio de quem não pode ingerir a proteína que dá as caras no trigo, por exemplo. Segundo Ana Vládia Bandeira Moreira, professora de nutrição da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, o tubérculo ainda ajudaria a conter episódios de diarreia nessa turma. Aliás, a raiz é uma boa pedida diante de diversos problemas que atrapalham o ganho de nutrientes. Tudo por causa daquele lento processo de absorção dos carboidratos, que dá ao organismo mais tempo para assimilar outros compostos. Na hora de cozinhar a mandioca, uma dica: adicione um fio de óleo na água. "Isso auxilia na retenção das vitaminas", garante Ana Vládia. 

Apesar de estar presente há cerca de 7 mil anos na Amazônia, a mandioca só ficou mais nutritiva nas últimas décadas. A variedade que hoje está presente na mesa do brasileiro, branca na feira e amarelada após o cozimento, tem dez vezes mais vitamina A que a cultivada no tempo do descobrimento. Ela é resultado de um processo gradual de melhoramento genético, realizado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e pela Embrapa, que cruzaram diferentes espécies até chegar a um tipo saudável e resistente a pragas. Agora, o IAC vai lançar uma nova variedade ainda mais vitaminada e rica em antioxidantes, substâncias que combatem o envelhecimento celular e reduzem o risco de doenças ligadas à idade, como o câncer. Segundo a pesquisadora do IAC Teresa Valle, a nova espécie terá 900 unidades internacionais (UI) de vitamina A, contra 220 UI da consumida atualmente, e deve chegar ao mercado em 2014. Pelo visto, se depender da mandioca, Usain Bolt vai quebrar recordes até ficar com os cabelos bem brancos. 

RAIZ HISTÓRICA
O Brasil é a terra natal da mandioca. Do centro do país, o tubérculo se espalhou por mais de 100 nações desde a chegada dos portugueses. Sua importância era tanta nos tempos de colônia que o padre José de Anchieta a batizou como o "pão da terra". Citada na carta de Pero Vaz de Caminha, ela acabou adotada pelos lusitanos. "Não fosse sua presença, a ocupação das terras brasileiras teria sido mais difícil", diz Joselito Motta. Não à toa, o historiador Luís da Câmara Cascudo chamou a planta de a "rainha do Brasil."

TESOURO DE NUTRIENTES 
O que há em 100 g de mandioca:
Calorias (Kcal) - 160
Proteínas (g) - 1,36
Lipídeos (g) - 0,28
Carboidratos (g) - 38,06
Fibras (g) - 1,8
Cálcio (mg) - 16
Vitamina C (mg) - 20,6

AO GOSTO DO FREGUÊS 
A mandioca oferece várias formas de preparo e é matéria-prima de sagu, tapioca, polvilho... 

Cozida
O tempo no fogão costuma variar dependendo da colheita. Em geral, levam-se 15 minutos em fogo alto com água e um fio de óleo. O segredo para deixá-la macia é mantê-la imersa na água do cozimento até o momento de servir.

Sagu
As bolinhas são de fécula de mandioca. É um doce típico e onipresente nos restaurantes brasileiros, feito com vinho, cravo e açúcar. Recentemente, o sagu foi incorporado à alta gastronomia.
Polvilho
Prefira os tipos frescos, menos industrializados, que têm sabor mais marcante. O azedo é usado no pão de queijo e nos sequilhos. O doce é ingrediente da chipa, biscoito da culinária paraguaia.

Tapioca
Priorize a goma fresca para sentir mais o sabor. O importante no preparo é não dourar a tapioca: coloque na frigideira, vire-a e retire imediatamente. Sirva-a branquinha e, no recheio, use a imaginação. 

Farinha
Entra na receita de massas e bolos e é a base da tradicional farofa, que vai bem com feijoada e carne de sol. Para prepará-la, é indispensável usar óleo ou manteiga. Então, cuidado com os excessos.

Frita
Eis a tentação dos botecos. Antes de fritar, é preciso cozinhar a mandioca e mantê-la imersa na água até o momento de cortar e levar à panela com óleo. Uma alternativa mais saudável são as fritadeiras elétricas à base de água
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VIRADA DA MOBILIDADE

O impacto da imobilidade urbana em São Paulo

A capital paulista coloca nas ruas, todos os dias, 1.200 novos carros, que causam trânsito, poluição e mortes, entre tantos outros problemas que impactam diretamente a qualidade de vida da população. Como libertar São Paulo da ditadura do carro? Reunidos no primeiro seminário da Virada da Mobilidade, especialistas discutem o tema

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deboni/Creative Commons

Na última década, a frota de carros da cidade de São Paulo cresceu 15 vezes mais do que a população. A capital paulista coloca nas ruas, todos os dias, 1.200 novos carros e, como consequência, registra índices de congestionamento nunca antes vistos na história. O problema ainda atinge o orçamento da cidade: os gastos anuais com trânsito chegam a R$ 40 bilhões, o que corresponde a cerca de 8% do PIB de São Paulo. Com esse valor, seria possível construir 525 km de metrô, por exemplo, que ajudariam - e muito - a resolver o problema da imobilidade nas ruas paulistanas. 

Se o carro traz muito mais problemas do que benefícios para a cidade, por que é tão difícil se libertar dele no dia a dia? Reunidos no auditório da Editora Abril, em São Paulo, especialistas em mobilidade urbana debateram o tema nesta terça-feira (17/09), durante o seminário A Economia da Imobilidade, o primeiro promovido pela Virada da Mobilidade 2013. Confira, abaixo, o que eles disseram. 


IDOLATRANDO O INIMIGO 
Rachel Biderman, do instituto de pesquisa ambiental WRI no Brasil, atribuiu o atual momento de "ditadura veicular" à melhora da situação econômica do país e à publicidade. "Nos últimos anos, o carro foi um dos maiores focos de investimento de propaganda e marketing, sempre associado a coisas boas, o que fez com que as pessoas dessem uma importância desmedida a esse item de consumo", pontuou a especialista. No entanto, ela acredita que esse estado de idolatria está com os dias contados: "O colapso que está nas ruas finalmente faz as pessoas enxergarem o lado ruim do carro, que é um dos maiores vilões globais das mudanças climáticas". 


(NÃO) RESPIRA, SÃO PAULO 
O trânsito pode ser o problema mais visível causado pelo excesso de carros nas cidades, mas não é o único. "90% dapoluição de São Paulo vem do transporte motorizado e causa danos à saúde das pessoas que já somam bilhões de dólares por ano", revelou Simone Miraglia, do Laboratório de Economia, Saúde e Poluição Ambiental da Unifesp. Segundo ela, quanto mais congestionamento existir na cidade, mais expostas as pessoas ficam a sequelas e até a morte. "Quanto menor a velocidade dos veículos, mais eles emitem. E quanto mais tempo o motorista fica no trânsito, maiores são as chances de danos à saúde. É uma equação perigosa", explicou Miraglia. Como solução, ela cita os metrôs: "Sem a malha metroviária que tem hoje, São Paulo teria 75% mais poluição e risco de mortalidade 24 vezes maior. O metrô permite que a cidade economize US$ 18 bilhões por ano com saúde. Com esse dinheiro, dá para construir 120 km de linha a cada 12 meses". 


IMPRUDÊNCIA QUE MATA 
José Aurélio Ramalho, presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, trouxe ao debate outro problema ocasionado pelo excesso de carros nas ruas: o aumento de acidentes. "O número de vítimas com sequelas em acidentes de trânsito aumentou 51% no primeiro semestre de 2013, em comparação com 2012", revelou o especialista. Segundo ele, o uso de celular ao volante é a principal causa desses incidentes, seguido por outras imprudências, como excesso de velocidade, ultrapassagens inseguras, consumo de bebida alcoólica e sono. "Precisamos de mudanças urgentes no sistema de formação de condutores do Brasil. Estamos formando pessoas para matar", alertou Ramalho, que acredita que o investimento emtransporte público de qualidade também pode ajudar a reduzir o número de acidentes. 


INVESTIMENTO DE ARAQUE 
Uma das sugestões que apareceram no debate para combater a "ditadura do carro" é mostrar a população que comprar um veículo nem sempre é bom negócio. "Vivemos um momento de juros baixos. É tentador efetuar o negócio, mas comprar um carro impacta o orçamento em longo prazo. Um veículo de R$ 30 mil custa cerca de R$ 12 mil por ano ao motorista, sem contar o financiamento", revelou Álvaro Dias, da A,R&D Finanças Pessoais. Para ele, esse dinheiro poderia ser melhor investido em saúde, educação ou moradia. "A pessoa compra o carro com a ilusão de que aquele objeto será um ativo na sua vida, mas a verdade é que com o tempo ele vira um passivo", esclareceu. 


TRANSPORTE INTEGRADO JÁ 
Outra necessidade apontada no debate para incentivar as pessoas a deixar o carro em casa foi o investimento em umarede integrada de transporte público. A questão foi levantada por Ailton Brasiliense, presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP). "Se todo mundo resolver se locomover de metrô hoje, teremos espaço? Não adianta dizer para o povo abrir mão do carro, se a cidade não tem planejamento para isso. O metrô hoje leva oito passageiros em pé por metro quadrado, mas foi planejado para levar quatro. É preciso investir em outros modais, como ônibus, para balancear a equação", opinou o especialista. Brasiliense deixou claro, ainda, que a pressão da sociedade sobre os políticos é a arma mais eficaz para que aconteçam as mudanças que a cidade precisa no setor demobilidade urbana


DIAS MELHORES NÃO VIRÃO, PORQUE JÁ CHEGARAM 
Autor do livro Como Viver em São Paulo sem Carro, o jornalista Leão Serva aproveitou sua participação no debate para evidenciar as boas notícias recentes na área de mobilidade urbana. "As pessoas pintam o trânsito como uma quimera avassaladora. Isso não anima ninguém a combater o problema", criticou Serva. Segundo ele, nos últimos três anos, cerca de 1,2 milhão de paulistanos adotaram o transporte por trilho. "Isso é praticamente todo o potencial de capacidade do metrô do Rio de Janeiro, que é o segundo maior do Brasil. Ou seja, há boas notícias. Não estamos em uma situação tão ruim assim", concluiu o jornalista. 


CIDADES PARA PESSOAS 
Para o vereador Ricardo Young, da Subcomissão de Mobilidade Urbana da Câmara dos Deputados de São Paulo, o problema no setor de transportes é resultado da crise de concepção das cidades. "Essa é a principal questão que temos que resolver. O desafio do século XXI são as cidades sustentáveis, espaços de convívio e regeneração dos serviços ambientais", afirmou o político. Para ele, essa revolução só vai acontecer com uma mudança cultural radical, que deve ser trabalhada localmente. "Muito além de deixar de usar o carro, as pessoas precisam entender sua relação com a cidade. As ruas são vias públicas, um espaço de encontro. Elas são muito mais do que uma simples ligação do ponto A para o ponto B", disse Young. 


O PODER NA MÃO DE CADA UM 
Marcio Nigro, fundador do Caronetas e um dos organizadores da Virada da Mobilidade 2013, encerrou o seminário falando a respeito da responsabilidade de cada cidadão. "A mobilidade é uma escolha diária. Já pensou o impacto que teria em São Paulo, caso apenas 30% das pessoas que foram para as ruas nas mobilizações de junho repensassem a forma como se locomovem na cidade? Muito além das políticas públicas, a mudança tem que partir das pessoas, das empresas...", pediu Nigro. Ele aproveitou para dizer que a guerra não é contra os carros, mas contra o modelo falido e insustentável de mobilidade urbana: "Em São Paulo, temos 0,57 carro por habitante. Em Mônaco, é 0,84 carro por habitante. É o maior índice do mundo e, no entanto, a cidade não tem trânsito, porque as pessoas sabem fazer suas escolhas de locomoção diária e andam muito a pé".

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

FLASH DA SEMANA

Participando Com  a Ministra do meio ambiente,na conferência Estadual do meio ambiente no Rio.


Plantio de árvores no Horto e no Centro de Educação ambiental em Guarús


PROGRAMA ESTADUAL DE APOIO ÀS RPPNS

PROGRAMA ESTADUAL DE APOIO ÀS RPPNS 
A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) é uma categoria de unidade de conservação de domínio privado, prevista na legislação ambiental brasileira (Lei 9.985/2000) e reconhecida, no Estado do Rio, através do Decreto Estadual 40.909/2007. Criada por iniciativa dos proprietários e por ato do poder público, estas unidades têm como principais objetivos a preservação da diversidade biológica, das paisagens notáveis e, também, de locais que apresentem elevado valor histórico, arqueológico, paleontológico e espeleológico. No Estado do Rio, as RPPNs são consideradas como unidades de conservação de proteção integral.
A criação de áreas protegidas, seja de domínio público ou privado, é uma das estratégias mais efetivas para a preservação dos remanescentes da Mata Atlântica e de seus ecossistemas associados. Através das RPPNs, os proprietários particulares associam-se ao esforço de preservação, fortalecendo os corredores ecológicos de unidades de conservação no Estado, além de contribuírem para importantes serviços ambientais: proteção de nascentes e cursos d´água, de entorno de lagoas e represas; colaboração no controle climático e na purificação da atmosfera; e contenção de erosão em morros e encostas.
Além destes aspectos, as RPPNs podem representar uma fonte geradora de emprego e renda para seus proprietários, moradores e comunidade do entorno. Entre as atividades que podem ser desenvolvidas numa RPPN estão a visitação pública controlada com finalidade educativa e ecoturística, observação da fauna e da flora e pesquisas científicas. Os proprietários também têm direito a isenção de impostos, reconhecimento da sociedade, Poder Público e imprensa, facilidade de acesso aos fundos de apoio à implantação e gestão e apoio de instituições de conservação e pesquisa.
De acordo com a Resolução SEA 038/2007, o interessado em instituir uma RPPN deve apresentar Requerimento ao Instituto Estadual do Ambiente (INEA), acompanhado dos seguintes documentos:

  I – Requerimento para criação de RPPN, devidamente assinado pelo proprietário e de seu cônjuge, se houver ou por seu representante legal;
· II – justificativa para a constituição da RPPN;
· III - cópia autenticada da cédula de identidade e CPF do proprietário e de seu cônjuge, se houver;
· IV – matrícula atualizada do imóvel no Registro Geral de Imóveis – RGI;
· V - Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR, quando for o caso;
· VI - planta e memorial descritivo da área total do imóvel, com a indicação dos limites de cada matrícula, dos confrontantes e da área proposta para a constituição da RPPN, assinada por profissional habilitado, com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, contendo as coordenadas dos vértices definidores dos limites do imóvel e da área proposta como RPPN, georreferenciadas de acordo com as especificações do Sistema Geodésico Brasileiro; e
· VII - prova de quitação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, ou Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU, por meio de certidão negativa de débitos relativa ao imóvel expedida pelo órgão de administração tributária competente.

Atenção: De acordo com o Parágrafo Único do Artigo 11 do Decreto Estadual 40.909/2007, “quando a propriedade rural na qual a RPPN for criada não possuir averbação de Reserva Legal, o INEA providenciará a emissão conjunta dos termos de compromisso para ambos os gravames, podendo haver sobreposição entre os mesmos.” ..........
O Requerimento e a documentação devem ser protocolados no Núcleo RPPN da Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas (DIBAP) do Instituto Estadual do Ambiente, na Avenida Venezuela, nº 110/4º andar - Praça Mauá - Rio de Janeiro – RJ - CEP 20.081-312.
Horário: 9h às 18h. 
Tel: (21) 2332-5522.
Mais informações: rppn.inea@gmail.com.

Mudanças climáticas devem reduzir áreas de cultivo no Brasil

AGRICULTURA COMPROMETIDA

Mudanças climáticas devem reduzir áreas de cultivo no Brasil

Pesquisadores da Rede Clima analisam o impacto das mudanças climáticas sobre as áreas de cultivo nacionais

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Fabiano Rodrigues de Souza/Creative Commons
aumento das temperaturas e as mudanças no regime de chuvas previstos para ocorrer nas várias regiões do Brasil em decorrência do aquecimento global poderão afetar bastante a agricultura do país. Culturas como feijão, soja, trigo e milho serão especialmente impactadas, apontam estudos da Rede Brasileira de Pesquisa e Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima).


A partir do cruzamento de modelos do IPCC - Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas e de modelos regionais brasileiros, pesquisadores da Rede Clima analisam o impacto das mudanças climáticas sobre as áreas de cultivo nacionais.



Tomando como base os hectares cultivados em 2009 e se mantidas as atuais condições de produção, as projeções para 2030 apontam grandes reduções de área, tanto nos prognósticos pessimistas como nos cenários mais otimistas. Para o feijão, a queda vai de 54,5% a 69,7%. Para a soja, a redução é estimada de 15% a 28%. Trigo, de 20% a 31,2%. Milho, de 7% a 22%. Arroz, de 9,1% a 9,9%. E algodão, de 4,6% a 4,9%.



As diferentes variedades do feijão necessitam de condições climáticas particulares. Com isso, o cultivo, feito em até quatro safras por ano, é mais suscetível às variações de temperatura e precipitação. Contornar tal redução dependerá, portanto, de modificações em termos de produção e do investimento em variedades capazes de se adaptar às novas condições de cada local.

Os números foram apresentados na terça-feira (10/09), durante a 1ª Conclima - Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais. Organizado pela FAPESP e promovido com a Rede Clima e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC), o evento ocorre até a próxima sexta-feira (13/09), no Espaço Apas, em São Paulo.

“Nossos esforços vão no sentido de produzir aplicações a partir de uma pesquisa base. Ou seja, buscar soluções para adaptação e mitigação dos efeitos do aquecimento global na agricultura. Com o estudo sobre áreas cultivadas, temos agora uma lista de municípios com maior e menor risco de serem afetados por mudanças climáticas, um importante instrumento para pesquisa e tomadas de decisão”, afirmou Hilton Silveira Pinto, coordenador da sub-rede Agricultura e pesquisador da Unicamp - Universidade Estadual de Campinas, no segundo dia do Conclima.

De acordo com Silveira Pinto, os trabalhos do grupo em geral são encaminhados diretamente às instâncias governamentais, em especial por meio da Embrapa Informática Agropecuária (Embrapa/CNPTIA), instituição coordenadora da sub-rede Agricultura.

Outra frente de atuação da equipe é a SCenAgri - Simulação de Cenários Agrícolas Futuros, que traça prognósticos para as próximas décadas considerando o aumento de temperatura, o regime de chuvas e a demanda climática de cada cultura.

“O café, por exemplo, precisa de 18 ºC a 22 ºC de média anual. Fora dessa janela, a cultura não se desenvolve. Passamos essas informações para o computador e simulamos diferentes cenários”, disse Silveira Pinto.

O SCenAgri conta hoje com campos de plantio de 19 culturas, 3.313 estações de chuva com dados diários, 23 modelos globais e três modelos regionais de projeções climáticas

Também há estudos com injeção de carbono na atmosfera, para verificar a resposta de plantações em uma superfície controlada, e treinamentos com modelos agrometeorológicos para pesquisas em produtividade nas condições atuais e futuras
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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Tribunal de Contas aprova contas de Rosinha por unanimidade

19/09/2013 17:52
Prefeita Rosinha Garotinho dá exemplo de boa administração do dinheiro do povo
Prefeita Rosinha Garotinho dá exemplo de boa administração do dinheiro do povo


O plenário do Tribunal de Contas do Estado aprovou por unanimidade as contas da prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, relativas ao ano de 2012. Os conselheiros acompanharam o relator Marco Antônio Alencar, que destacou em seu voto que a prefeitura de Campos cumpriu todos os índices constitucionais obrigatórios, com saúde, educação e despesas com pessoal, e em alguns casos até superou os patamares fixados por lei.

O TCE destacou também que a prefeitura agiu no cumprimento de todos os itens da Lei de Responsabilidade Fiscal, especialmente o artigo 42, que determina que não pode haver restos a pagar sem dinheiro em caixa.

Parabéns à prefeita Rosinha Garotinho que foi reeleita, mas se tivesse deixado a prefeitura para um sucessor que não fosse ela própria, as contas estariam superavitárias e rigorosamente em dia. As contas do ano de 2012 são importantes por serem as do último ano da gestão, portanto as que chancelam uma administração marcada pela responsabilidade com o dinheiro público. 
FONTE:BLOG DO GAROTINHO

15 novas espécies de pássaros são descobertas na Amazônia


15 novas espécies de pássaros são descobertas na Amazônia




Os pássaros são, de longe, o grupo de vertebrados mais bem conhecido. Agora, calcule a surpresa da comunidade ornitóloga quando um grupo do Museu de História Natural de Louisiana divulgou a descoberta de novas espécies de pássaros na Floresta Amazônica.
Mas neste caso específico, a equipe liderada por Bret Whitney não descobriu uma ou duas espécies… e sim quinze. Este é o maior número catalogado de uma vez só desde 1871, e serve para mostrar que temos muito a aprender sobre a floresta tropical mais importante do mundo.
Para fazerem estas descobertas os membros da equipe contaram com imagens por satélite, gravações digitais dos sons locais, análises de DNA e um alto poder de computação. Ainda assim, as descobertas dependem e muito da exploração in loco, tornando necessária a viagem até as remotas áreas da Floresta Amazônica. A maioria das espécies foi identificada pelos cantos e chamados sonoros.
A equipe contou com mais de 30 autores para descrever as 15 espécies, e incluem ornitólogos da Argentina, Colômbia, EUA, e é claro, o Brasil. Mario Cohn-Haft (do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus) e Alexandre Aleixo (do Museu Paraense Emílio Goeldi em Belém) receberam seus Doutorados no Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Louisiana, e participaram do projeto com Luís Fabio Silveira do Museu de Zoologia da USP.

Boia brasileira monitora variáveis atmosféricas e oceânicas no Atlântico Sul

Boia brasileira monitora variáveis atmosféricas e oceânicas no Atlântico Sul

13/09/2013Por Noêmia Lopes Agência FAPESP – Uma boia com sensores para monitoramento atmosférico e oceânico, totalmente construída no Brasil, está ancorada a 3,7 mil metros de profundidade no sudoeste do Atlântico Sul desde abril deste ano.
O objetivo é coletar dados essenciais para prever melhor o tempo e a ocorrência de eventos extremos, como as fortes chuvas que atingiram a região serrana do Rio de Janeiro em 2011 e o furacão Catarina, que golpeou a região Sul do Brasil em 2004.
Tais eventos têm origem na interação entre variáveis atmosféricas, como precipitação, umidade, vento e radiação, e oceânicas, como salinidade, temperatura e pressão – que impactam as condições climáticas no Brasil e na América do Sul de forma geral.
“Precisamos de um monitoramento contínuo desses dados a fim de acompanhar as nossas condições climáticas atuais e de nos prepararmos melhor para mudanças e ocorrências extremas”, afirmou Regina Rodrigues, pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no terceiro dia da 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais (Conclima), que ocorre até esta sexta-feira (13/09), no Espaço Apas, em São Paulo.
Nas porções equatorial e tropical do Oceano Atlântico, entre o Brasil e a África, esse tipo de monitoramento conta com uma série de boias de fabricação norte-americana, pertencentes ao Projeto Pirata, um programa conjunto entre França, Alemanha, Estados Unidos e Brasil. A porção subtropical, contudo, ainda carecia de atenção – lacuna que a boia em questão, chamada Atlas-B Guariroba, foi destinada a ajudar a preencher.
O equipamento foi construído por um grupo de pesquisadores do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), coordenado por Edmo Campos e do qual Rodrigues então fazia parte.
“Decidimos desenvolver a boia no Brasil para ter mais autonomia em relação aos fabricantes externos, que nos ajudaram a aprender a tecnologia necessária, e mais liberdade para escolher o posicionamento ideal para a boia”, disse Rodrigues.
Um ancoramento teste foi feito em Ubatuba em novembro de 2012 e o definitivo ocorreu a cerca de 600 quilômetros da costa do Estado de Santa Catarina (28,5ºS / 44ºW) em abril deste ano. Em ambas as ocasiões, os pesquisadores viajaram a bordo do navio oceanográfico Alpha Crucis, adquirido pela FAPESP para o IO-USP.
Funcionamento e perspectivas
As informações relativas aos fenômenos atmosféricos são captadas pela Atlas-B Guariroba por meio de sensores situados em uma torre superior ao flutuador: pluviômetros para medir a quantidade de chuva, anemômetros para indicar a direção e a velocidade do vento, espectrorradiômetros para checar a radiação solar, termômetros, GPS e medidores da concentração de gás carbônico e da umidade relativa do ar.
Já na porção submersa da boia, há um cabo de quatro mil metros de comprimento, fixado ao fundo do mar. Ao longo dos primeiros 500 metros do cabo, a partir da superfície, há sensores como fluorômetros (que medem a concentração de flúor), espectrorradiômetros, termômetros e medidores de salinidade da água.
O conjunto dos dados é transmitido via satélite e permite criar séries temporais de cada variável.
“Parte das peças da Guariroba pertenceu a uma das boias do Projeto Pirata. Mas já construímos uma segunda boia, apenas com componentes nossos, que será ancorada em abril de 2014”, explicou Rodrigues. Nessa época, após um ano de funcionamento, a Atlas-B será recolhida temporariamente para manutenção. A segunda boia será ancorada no lugar da primeira, de forma a manter a continuidade dos dados.
De acordo com a pesquisadora, o recolhimento permitirá confirmar se as variações identificadas até o momento são reais ou fruto de avarias. “Um ano é um prazo razoável para liberarmos os dados para fins científicos.” Uma vez verificadas, as informações passarão a compor o sistema on-line do Projeto Pirata, a partir do qual é possível consultar dados de diferentes boias, individualmente.
Por enquanto, os principais parceiros da iniciativa foram duas empresas privadas do Rio de Janeiro, a Ambidados e a Holos, a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), a Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil (DHN) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O financiamento foi composto por verbas do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC) e do Núcleo de Apoio à Pesquisa da USP.
“Nossa intenção é manter a Atlas-B Guariroba como projeto-piloto, com o auxílio de programas distintos, até que o Instituto Nacional de Pesquisas Oceanográficas e Hidroviárias [órgão criado em maio deste ano] possa assumir seu pleno controle”, completou Rodrigues. 

M3

ICMBio compartilha informações do Sisbio. Mas faz algumas restrições

    Autores podem pedir carência de até cinco anos para que as informações cheguem ao domínio público

    LUCIENE DE ASSIS

    Os dados que integram o Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (Sisbio) e custodiados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) serão colocados para acesso público, quando as informações não forem objeto de restrições ou carências por seus autores. O acesso e o uso desses dados e informações passam a ser regulamentados pela Instrução Normativa nº 33, publicada pelo ICMBio no Diário Oficial da União desta segunda-feira (26/08).

    O documento regulamenta a disponibilização, o acesso e o uso de dados e informações custodiados pelo ICMBio por meio do Sisbio. De acordo com a norma, os autores de dados e informações, ao inseri-los no Sisbio, autorizam sua custódia pelo Instituto Chico Mendes. Esses autores poderão selecionar um período de carência de até cinco anos para torná-los públicos, sendo que o ICMBio se responsabilizará pela não divulgação dos dados ao público em geral durante o período de carência informado.

    CATEGORIAS

    Os dados e informações serão enquadrados nas categorias "sem restrição", que são aqueles para os quais o autor não solicitou qualquer prazo de carência ou cujo prazo solicitado já foi finalizado e, portanto, seu acesso público e publicação, em formato analógico ou digital não possui qualquer restrição; e "em carência", que são aqueles para os quais o período de carência solicitado pelo autor ainda está vigente e a restrição ao acesso e publicação é temporária e necessária para garantir o tratamento, análise e utilização em publicação original por parte dos seus autores.

    Quando estiverem em carência, os dados e informações poderão ser utilizados por servidores do ICMBio para fazer o planejamento de ações destinadas à gestão de unidades de conservação, ao uso sustentável de recursos naturais e à conservação da biodiversidade. Durante o período, dados e produtos sob responsabilidade do ICMBio não poderão ser publicados, de forma direta ou indireta, sem a autorização formal de seus autores. 

    Quando os dados resultarem de pesquisas que sejam objeto de contrato firmado pelo ICMBio com pessoas físicas ou jurídicas, essa autorização estará dispensada, a não ser que o assunto esteja especificado no contrato. Dados ou informações sobre localização precisa de espécies ameaçadas de extinção, sobreexplotadas (é a retirada, extração ou obtenção excessiva, não sustentável, de recursos naturais, geralmente não renováveis, para fins de aproveitamento econômico, pelo seu beneficiamento, transformação e utilização) ou ameaçadas de sobreexplotação ou de habitats e sítios arqueológicos, culturais ou históricos cujo acesso possa ameaçar sua integridade passam a ser classificados como "reservados", podendo ter sua divulgação restringida por até cinco anos pelo ICMBio.

    O ICMBio é responsável por organizar e disponibilizar os dados e informações prestados pelos autores, cabendo ao usuário do sistema aferir a sociabilidade, integralidade e atualidade do material disponibilizado. E os produtos decorrentes do uso de qualquer dado ou informação disponibilizado pelo Instituto Chico Mendes por meio do Sisbio deverão citar o Sistema e o ICMBio como fonte.