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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Áudios levantam suspeita sobre operação da Polícia federal

Gravações foram divulgadas pelo presidente estadual do PR, Anthony Garotinho, neste sábado, na rádio Diário FM

Keylla Thederick


Dois áudios divulgados pelo secretário municipal de Governo e presidente estadual do Partido da República (PR), Anthony Garotinho, neste sábado (22), durante o programa “Entrevista Coletiva”, na Rádio Diário FM, colocam em suspeita a Operação “Chequinho”, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no último dia 20, que investiga a denúncia de possível uso do programa Cheque Cidadão para compra de votos nas últimas eleições. 

Em um dos áudios, Alessandra da Silva Alves, que é responsável pelo Posto de Saúde do distrito de Ribeiro do Amaro, afirma que “policiais a teriam forçado a falar coisas”. Ela foi detida com mais cinco pessoas que, de acordo com o inquérito, estariam atuando como agentes de vereadores e faziam cadastros para o Cheque Cidadão. Na operação, os vereadores Miguelito (PSL) e Ozéias (PSDB), reeleitos, também foram presos.

No áudio em que Alessandra enviou ao secretário Garotinho, supostamente, no dia seguinte à prisão, ela conta como tudo aconteceu. “Ontem de manhã, às 5h30, a polícia começou a bater aqui, entraram na minha casa e revistaram tudo. Não tinha nada dentro de casa e eu fui conduzida para a delegacia da Polícia Federal e dei meu depoimento falando que eu não sabia de nada de Cheque e que não tenho noção de como é isso, porque meu assunto é saúde. Eles falaram que tinham provas que eu fiz o Cheque, mas eu falei que não fiz nada disso com Ozéias. Depois eles mandaram eu ir para uma cela e falaram que se a gente não colaborasse, iria para a Custódia e que podia ficar cinco, dez dias.

Eu fui obrigada a pegar mentira. Só que queria pedir desculpas ao senhor sobre isso. A pressão foi muito grande. Eu tenho um filho com problema de nervo gravíssimo. Eu não tive outra solução e tive que pegar mentira”, contou.

Em outro áudio, uma segunda mulher, não identificada, conta uma história parecida, porém, com mais detalhes, inclusive sobre a atuação de agentes da Polícia Federal. “Amiga, anteontem, eu tomei o maior susto. Seis horas da manhã, os policiais entraram na minha casa, mandaram eu abrir a porta e falaram que eu tinha que ter duas testemunhas para revistar minha casa. Eu fiquei sem entender o que estava acontecendo. Falei para o senhor que eu não sabia do que se tratava, que eu sou analfabeta, que eu não sei escrever e como eu vou fazer o Cheque Cidadão? Me levaram (sic) para a delegacia e me forçaram a falar coisas, me deixaram na cela o dia todo. Os policiais me forçaram a falar sobre o vereador, o que eu estava fazendo para o vereador. Só saí de lá oito horas da noite, sem R$ 1 no bolso. Eles mandaram eu entregar minha bolsa para meus parentes porque eu estava presa. Dei minha bolsa e estava sem R$ 0,01. Vim da delegacia até em casa a pé”, revelou.

Investigada diz que concessão do benefício foi determinada pelo MP

No segundo áudio, a mulher não identificada ainda conta como conseguiu ser inscrita no Cheque Cidadão. “Eles falavam que eu estava envolvida em Cheque Cidadão, que cheque meu Deus? Eu trabalho limpando vaso. Se tenho esse “chequinho” eu devo à Drª. Anick, que mandou me dar, viu minha situação quando o pai do meu filho morreu, viu minha situação. Tive que falar um monte de coisas de pessoas inocentes e eu acabei falando coisas que não devia. Por isso, peço desculpas”, disse a mulher.

Operação – Na operação do último dia 20, foram expedidos oito mandados de prisão, além de oito de busca e apreensão e um de condução coercitiva. As ações de investigação foram propostas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e acontecem desde setembro. Ao todo, onze vereadores são investigados. O delegado da Polícia Federal em Campos, Paulo Cassiano é o responsável pelas investigações.

Com o objetivo de averiguar eventuais distorções e corrigí-las, a prefeita Rosinha Garotinho determinou que todos os beneficiários inscritos a partir de 1º de junho - alvo das investigações - passassem por um recadastramento, que começou no último dia 11 e termina neste domingo(24).

Procurado por O Diário, delegado Paulo Cassiano disse que: "O TRE já declarou não haver nenhuma suspeição que recaia sob os agentes públicos envolvidos na operação". 
FONTE O DIÁRIO

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