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segunda-feira, 26 de setembro de 2016


Velas de barcos descartadas viram bolsas charmosas, com um quê Gucci



                                                       
  
                                 

Sabe aquelas mensagem de para-choque de caminhão? Uma delas perguntava assim: o que você gostaria de estar fazendo agora? Ao se dar conta do questionamento, a figurinista Vera Queiroz respondeu em voz baixinha para si mesma, quase que pressionada por aquela reflexão com ares de autoajuda: “Eu gostaria de estar velejando”, decidiu ela, no meio de uma estrada asfaltada. A partir daí, Vera deixou para trás os anos de Projac para lançar a My Boat, marca de bolsas feitas com velas náuticas, um material que quase sempre chega às mãos de Vera por doação dos próprios velejadores, que querem dar um fim mais divertido à elas do que as prateleiras. — A minha primeira vela recebi do Pedro Paulo França, que, além de meu professor, é o atual técnico da equipe Paralímpica de Vela Adaptada. Era do barco usado na categoria Skud 18 — lembra ela. — Algumas velas são bem especiais, como a que foi bicampeã da Regata Santos-Rio, doada pelo skipper da regata, Guilherme Bungner. Viraram bolsas lindas, aliás. Cada vela pode ser transformada em até em 40 bolsas, que sempre são batizadas com o nome do veleiro e ganham uma etiqueta contando sobre essa origem. As peças são finalizadas com couro, cordas ou faixas do mundo náutico. O resultado é uma bolsa esportiva, mas com detalhes sofisticados. — A primeira coisa que faço quando recebo uma vela é esticá-la no meu jardim para ver o que posso fazer com ela. Quanto mais remendos, mais gosto. É um material muito resistente e que consegue guardar marcas do tempo sem perder a sua qualidade — comenta Vera, que faz artesanalmente uma a uma. Além das bolsas, volta e meia pinta uma cadeira espreguiçadeira ou ainda viseiras feitas com os recortes pequenininhos que sobram. — É um trabalho de upcycling, e faço questão de não dispensar nada — garante ela, explicando a diferença deste método para a reciclagem. Para os que ainda têm dúvida, funciona assim: na reciclagem, acontece a transformação do produto em matéria-prima para um outro; no upcycling é dado um novo uso a um produto que seria descartado. Vera estudou Belas Artes e durante o curso teve aula com Rosa Magalhães e Beth Filipecki, que a chamaram para trabalhos. Com a primeira fez figurinos para escolas de samba; com a segunda, novelas, dedicando-se a isso por anos. Próxima Velas de barcos descartadas viram bolsas charmosas, com um quê Gucci.

Disponível em: http://www.jornalfloripa.com.br/noticia.php?id=542873

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