sábado, 30 de junho de 2012

Curitiba ganha novo jardinete no bairro São Braz



Um jardinete inaugurado nesta quinta-feira (28), no bairro São Braz, homenageia um importante líder comunitário da região. O marceneiro João Salvador, que morou durante mais de quatro décadas em frente ao local onde foi instalado o jardinete, conquistou muitas benfeitorias para a comunidade.
Durante mais de 20 anos, ele manteve uma horta comunitária que abastecia toda a vizinhança de hortaliças, legumes e feijão. Também plantou aproximadamente 40 árvores silvestres e frutíferas, sendo quatro araucárias. O jardinete fica na esquina das ruas Frederico Parize e Miguel dos Santos.
“Hoje temos aqui o resultado de tudo o que ele plantou”, disse o filho do homenageado, o administrador Niltom Salvador. “Mais do que os pinhões que são divididos por todos os vizinhos, ele nos deixou seus bons exemplos que são seguidos pela família e pelos que o conheceram”, afirmou Niltom.
A secretária municipal do Meio Ambiente, Marilza Dias, comentou que o jardinete soma-se às mais de mil praças e outros jardinetes da cidade, que conta ainda com 25 parques e cinco reservas particulares de patrimônio natural, o que significa aproximadamente 25 milhões de metros quadrados de área verde.
“Este espaço, mais do que uma importante função ambiental e de lazer, é uma demonstração de respeito que temos às pessoas que, como João Salvador, ajudam a construir a cidade”, disse Marilza.
O homenageado - Catarinense radicado em Curitiba, João Salvador morou desde 1973 na Vila Jussara, São Braz. Ali ajudou a fundar a Associação de Moradores e fez de sua liderança o impulso para conseguir antipó e várias outras melhorias urbanas. Hábil marceneiro, João ensinou artesanato aos idosos da paróquia. Faleceu em 1999, aos 78 anos.
Também participaram da inauguração o vereador Aldemir Manfron e a administradora regional de Santa Felicidade, Inês Hartl, além de lideranças comunitárias da região.


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Programação Semanal da Limpeza Pública



O lado verde (sem cosmético) da L´Oréal


Gigante do setor de beleza investe na inovação sustentável para reduzir sua pegada ecológica; segundo diretor global de Meio Ambiente da marca, operação brasileira é modelo

  
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Divulgação
Tecido biológico reconstruído em laboratório da L´Oréal
Tecido biológico reconstruído em laboratório: pele de verdade que subsitui testes em animais
São Paulo – De uma reunião com mais de mil executivos na Rio+20 saiu uma das lições mais preciosas para o mundo dos negócios, a saber, que a inovação será um dos principais fatores da sustentabilidade corporativa nos próximos anos. Afinal, tecnologias limpas e mais eficientes podem ajudar a reduzir o impacto ambiental das empresas e ainda gerar ganhos financeiros. Há mais de 30 anos na gigante francesa de cosmético e produtos de beleza L´Oréal, o espanhol Miguel Castellanos conhece bem o valor (e o poder) dessa premissa.
“Um negócio sustentável tem link direto com a lucratividade. Não é possível fazer de outra forma, o mundo move-se nessa direção. Estamos na Era da inovação verde”, afirma o diretor global de Sustentabilidade da marca. Em visita ao Brasil mês passado para checar as novas instalações da fábrica de São Paulo - que vai passar a usar etanol como combustível a partir de agosto - Castellanos falou àEXAME.com sobre as estratégias da empresa para reduzir sua pegada ambiental e ainda duplicar o número de consumidores, chegando a dois bilhões em todo o mundo até 2020, de forma sustentável.
EXAME.com: O que é inovação verde para a L´Oréal?
Castellanos – É o caminho para otimizar todos os recursos e com a visão global de garantir o menor impacto ao meio ambiente. A inovação sustentável tem que ser aplicada desde a escolha dos ingredientes usados na formulação dos produtos à redução das embalagens, incluindo sua produção industrial, seu design, até sua distribuição. Tornar a fórmula de um produto mais eficiente, diminuindo assim as fases de produção, também é inovação, é química verde.
Nos anos 80, demos exemplo ao abraçar de forma pioneira no setor de cosméticos a questão do tratamento ético dos animais, reconstruindo em laboratório tecido biológico para testar os produtos de pele e olhos ao invés de usar animais. Hoje, já chegamos a três camadas de pele, onde é possível inserir melanina e testar protetores solares. Em 2011, cerca de 130 mil exemplares de tecido biológico reconstruído foram produzidos no centro de pesquisa em Gerland.
EXAME.com – Se a L´Oréal testa seus cosméticos em tecido criado em laboratório, por que consta na lista do grupo PETA de empresas que testam, sim, em animais?
Divulgação
Miguel Castellanos, diretor global de Sustentabilidade da L´Oréal
Catellanos: Em seis anos, as plantas do Brasil reduziram 54% das emissões de CO2
Castellanos – A razão é simples, a China ainda exige testes em animais para liberação de alguns produtos, não dá pra contrariar a legislação, se ela exige, temos que cumprir. Mas há bastante tempo nós trabalhamos com eles para mudar esse processo.
EXAME.com: Na prática, como a inovação verde ajuda a empresa a reduzir sua pegada ambiental?
Castellanos – Em 2005, a L´Oréal se comprometeu a reduzir em 50% suas emissões de CO2, o consumo de água e a geração de resíduos num prazo de 10 anos. Graças aos esforços conjuntos depreendidos nos últimos anos e em grande parte, pela inovação sustentável, para cada produto final, a empresa já conseguiu reduzir as emissões de CO2 em 29,8%, o consumo de água em 22,3% e a geração de resíduos em 24,2%. A fábrica do México, por exemplo, reduziu suas emissões em 60% utilizando turbinas eólicas para geração de energia, que hoje abastece 84% de toda demanda da planta. Já no Brasil, a redução de 30% das emissões foi conseguida graças à melhoria da eficiência das máquinas.
EXAME.com: Há outros exemplos de uso de energia renovável?
Castellanos – Sim. As fontes renováveis respondem por cerca de 33% do suprimento total de energia da L´Oréal em todo o mundo. A primeira fábrica com energia verde foi inaugurada na Bélgica há três anos. Ela fica no meio de várias fazendas, que geram resíduos agrícolas da produção de alimentos. Coletamos isso e transformamos em biogás para gerar eletricidade para a fábrica.
A geração local de energia é mais do que suficiente para abastecer a fábrica e ainda gera excedente para a rede que, em 2010, foi o equivalente a energia necessária para abastecer 4 mil residências.
No Brasil, há oportunidades com a cana-de-açúcar, etanol e resíduos que podem ser destilados e gerar bioenergia. A fábrica em São Paulo,  que já conta com paineis solares para aquecer 50% da água usada - agora terá 40% da energia para aquecer as caldeirsas suprida pelo etanol, ao invés de gás.
EXAME.com – Falando em Brasil, o quão sustentáveis estão as operações da empresa por aqui?
Castellanos – O Brasil é modelo de eco responsabilidade para o grupo. Comparando 2011 a 2005, as plantas do Brasil reduziram 54% das emissões de CO2, um desempenho que supera as metas traçadas para 2015, mas queremos fazer mais. O consumo de energia caiu 38% e a geração de resíduo, 17%. A baixa nas emissões de CO2 é resultado da introdução de práticas de eficiência energética – como o uso de placas solares para aquecer água nas duas plantas.
Outras iniciativas verdes estão em andamento em São Paulo, como a alocação do fornecedor de embalagens na mesma região da fábrica. O projeto iniciado em 2012 é uma forma da empresa envolver a cadeia de fornecedores na lógica “verde” e ainda evitar a emissão de algumas toneladas de CO2 oriundos do transporte. A próxima empreitada é usar etanol como fonte de energia. Com esse projeto, previsto para entrar em operação em agosto, atingiremos 65% na redução de emissões.
Até 2014, vamos abrir também um laboratório de inovação no Distrito Verde do Rio, para produção de produtos específicos para o Brasil, que é um laboratório aberto pra gente. Para se ter uma ideia, descobrimos através de nossas pesquisas que existem oito tipos de cabelos no mundo - e o Brasil tem todas eles.
EXAME.com – A gestão da água está rapidamente se tornando uma ferramenta estratégica para as empresas. Como a L´Oréal cuida desse recurso?
Castellanos – De toda a água que utilizamos, cerca de 20% a 30% vão para o produto em si, o restante é água de processo, que também reciclamos e reutilizamos. Na planta do Rio, parte dos afluentes são tratados e usados na limpeza da fábrica, caldeiras, etc. Apostamos também em soluções mais curiosas. Em uma de nossas plantas na França, depois de seis anos de pesquisa, brotaram jardins que conseguem purifica e regenerar a água residual da produção por meio do processo de fitorremediação.
EXAME.com - Há uma preocupação crescente em relação ao desenvolvimento de embalagens mais sustentáveis para produtos. A L´Oréal tem algum projeto nesse sentido?
Castellanos – Um dos focos centrais é o setor de embalagens. Além de exigir que os papeis e papelões usados na confecção das embalagens tenham origem de florestas certificadas, apostamos no eco-desing. A eliminação dos folhetos explicativos sobre os produtos da linha Biotherm, que passaram a ser impressos no interior das embalagens, ajudou a economizar 24 mil kilos de papel em 2011.
Também estamos trazendo os fornecedores de embalagens para o lado de nossas fábricas, literalmente, seguindo a ideia do Wall-to-wall (parede-a-parede), que implementamos há três anos na França. Ao suprimir a necessidade de transporte no meio do caminho, conseguimos reduzir as emissões de CO2 em 120 toneladas anualmente.


Investimentos: Rio Preto com obras e cooperativa de costureiras

Por Telmo Filho

A unidade conta hoje com cerca de 60 costureiras Foto: Gerson Gomes

Após visitar a obra da Escola Modelo de Rio Preto, a Prefeita Rosinha Garotinho, acompanhada do vice-prefeito Doutor Chicão, percorreu por algumas ruas da localidade que estão sendo recuperadas, como a do Posto, a Principal e da Balança, além da estrada dos Barradinhos I e II. Todas receberam sistema de drenagem. Outras vias sem pavimentação também estão sendo estruturadas.

Em seguida, Rosinha foi conhecer de perto a Cooperativa de Costureiras e Artesãs de Rio Preto, criada através de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Petróleo e a Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Populares (Itep) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). A unidade conta hoje com cerca de 60 costureiras.

- Estamos apoiando este projeto que foi desenvolvido, através da identificação da vocação local e, hoje, fico feliz em saber que grande quantidade de macacões utilizados pelos trabalhadores das bacias petrolíferas sai da cooperativa de Rio Preto”, ressaltou a prefeita.

A cooperada Berenice de Oliveira Duarte Mariano, 48 anos, garante que sua vida melhorou após se tornar uma costureira. “Eu era cortadora de cana. Fazia sol, fazia chuva, lá estava eu trabalhando. Hoje, nem calos tenho nas mãos, e graças a essa cooperativa, eu aprendi a escrever o meu nome, coisa que eu não fazia antes. Estou muito feliz”, disse.

Mais – Outros investimentos foram realizados no distrito de Morangaba, entre eles as reformas das Escolas Municipais Salvador Benzi, Antônio Francisco Sales, Conceição do Imbé, Posto Correios Comunitário. Em Serra do Rio Preto, a Prefeitura de Campos reformou a Unidade Básica de Saúde (UBS) de Rio Preto e as Escolas Municipais Fazenda Aleluia e Roosevelt Crisóstomo de Oliveira. Várias pontes foram recuperadas, além de estradas e melhoria de vias de acesso utilizada por produtores para escoamento da produção através do Programa Patrulha Mecanizada, da Secretaria Municipal de Obras e Urbanismo.
*Fonte: Site da PMCG





Logística Reversa de telefones celulares e suas baterias



No Brasil são 224 milhões de usuários de telefones celulares, colocando o país entre os campeões de uso da telefonia celular. No Estado do Rio de Janeiro, Campos, proporcionalmente, tem o maior número de usuários. Conforme pesquisa da ANATEL são 130 usuários para a cada grupo de 100, o que significa que milhares de campistas usam dua linhas.

O aparelho que é um bem quando perde a utilidade deixa de ser bem e se transforma em resíduo (lixo). O que fazer com esse tipo de lixo que quando jogado no ambiente (rios, lixões etc) é extremamente nocivo, pois possui componentes químicos altamente poluentes?

FAÇA A COISA CERTA! ENTREGUE SEU CELULAR OU BATERIA EM UM DOS ENDEREÇOS, SEGUINTES:
    • CONCELL - Rua Gesteira Passos, 34 - Centro - Telefone: 3211-4107/2735-1804
    • CELL CENTER - Av. Alberto Torres, 17 - Centro - Telefone: 2733-4107
    • VIVO - Av. Rui Barbosa, 1001 - Centro e Parque Centro Shopping
    • CLARO - Rua Sladanha Marinho, 416, loja 103 - Centro - Telefone: 3052-9836
    • OI - Rua Tenente Coronel Cardoso, 445, lojas 1 e 2 - Centro - Telefone: 2723-0000 (próximo ao prédio da antiga Telemar)
Faça a diferença para a limpeza e o ambiente da sua cidade!
Se você gostou desta orientação de responsabilidade socioambiental, replique no seu e-mail!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

COLETA SELETIVA NA SEXTA-FEIRA




Atenção moradores dos bairros com serviço de coleta seletiva!
Quando você participa da coleta seletiva,está  cooperando para o meio ambiente do planeta,pois o material reciclável que seria aterrado,transforma-se em novo material,economizando matéria -prima e energia.
Você também  a obra social da sociedade de Apoio à criança e o Idoso: 
COLETA SELETIVA NO SEU BAIRRO(PORTA A PORTA) NESTA 6º FEIRA:


MANHÃ:
Parque Tarcísio Miranda
Lapa I e Lapa II
Parque Turf Club I
Parque Corrientes
Parque Julião Nogueira


TARDE:
Parque Residencial Horto
Parque Califórnia
Parque Calabouço
Parque Turf Club II
Ururaí


COLETA DE PONTOS ESPECIAIS
Secretaria Municipal de Serviços Públicos
Secretaria Municipal de Governo
Restaurante Chicre Cheme
Hospital Geral de Guarus
Hospital Santa Casa
Hospital Unimed
Unimed Formosa
Farmácia Isalvo Lima
CEFET
Colégio Eucarístico
CEJA

Moradores de Stª Cruz comemoram desapropriação de área com casas



Márcio Fernandes

A prefeita lembrou que agora a eles vão poder dar aquele boot nas casas, se referindo às intervenções que poderão ser feitas pelos moradores Foto: Gerson Gomes


“Foi maravilhoso! A melhor coisa que aconteceu nos últimos anos. Agora, vou poder fazer a obra que tanto sonhei na minha casa”. Foi com estas palavras que o caldeireiro Odenos Luis Bana, 48 anos, recebeu a notícia da prefeita Rosinha Garotinho de que a prefeitura já desapropriou a área onde estão as 250 casas, que serão cedidas para uso das famílias residentes nos imóveis, que pertenciam à Usina Santa Cruz, há décadas. 

A prefeita, que estava acompanhada pelo vice-prefeito, Doutor Chicão, informou que a prefeitura está agilizando toda documentação para seja entregue a titularidade das casas. Odenos, que mora com a esposa e a filha de 18 anos, trabalhou 28 anos na usina, há 20 mora na localidade e, agora, está realizando um sonho.

- Agora, vocês vão poder dar aquele boot nas casas”, lembrou a prefeita, se referindo às intervenções que poderão ser feitas pelos moradores, agora, que as casas não pertencem mais à Usina Santa Cruz.  

Outros investimentos – Entre as melhorias realizadas em Santa Cruz, pela prefeitura, estão reforma da Escola Helena Machado de Oliveira e da Unidade Básica de Saúde (UBS) da localidade. Também estão sendo reformadas a Creche Escola Vera Pretyman e a Escola Municipalizada Alva Doralice, entre outras melhorias, como no abastecimento da água na localidade. 
*Fonte: Site da PMCG


Novo Disque Entulho: Saiba o que é e o que fazer com seu entulho e outros resíduos




Pelo telefone do Disque Limpeza (2726 4809) você solicita o serviço de coleta de PEQUENOS VOLUMES de entulhos e demais resíduos de sua residência OU APARTAMENTO..

A - ENTULHO de pequenas obras residenciais: deverão estar obrigatoriamente acondicionados em sacos plásticos de até 20 litros e serão removidos no máximo 150 (cento e cinquenta) sacos por residência.

B - GALHADAS de pequenas podas: deverão ser formados conjuntos de galhos, de comprimento máximo de 1,5 metros, amarrados através de barbantes ou outro material (para facilitar o manuseio pelo gari) e serão removidos no máximo 12 conjuntos de amarrados por residência.

C - TELHAS (pequenas) ou TIJOLOS: unidades inteiras (unidades quebradas devem ser consideradas como entulho) deverão estar agrupadas de forma a facilitar o carregamento e serão removidos no máximo 150 unidades de telhas e/ou de tijolos por residência.

D - BENS INSERVÍVEIS: somente serão removidos no máximo 6 itens por residência com suas respectivas quantidades, exceto para os bens de grande peso ou volume (geladeira, freezer, cofre, sofá, armário, etc), que a remoção fica limitada a 2 itens por residência. 

Em caso de necessidade de nova solicitação de serviço, o mesmo só poderá ser realizado 15 (quinze) dias após o serviço.

Caso o cidadão não queira aguardar este prazo ou ainda, se o material a ser removido estiver fora das condições estabelecidas nesta Portaria, o serviço deverá ser contratado junto a carroceiro, que deverá transportar e destinar a carga de resíduos (entulho, terra, galhada e etc.) para um dos ENTULHÓDROMOS existentes. Em caso de contratação de caminhoneiro avulso e/ou empresas privadas, o mesmo deverá transportar e destinar a carga de resíduos (entulho, terra, galhada e etc) para o aterro de inertes localizado na Av. Santo Amaro, s/nº, no Distrito Industrial da CODIN, subdistrito de Guarus.

Todo entulho e demais resíduos só será coletado se estiver armazenado dentro da residência E/OU GARAGEM OU ÁREA DE SERVIÇO DO PRÉDIO.

Se você gostou desta orientação de responsabilidade socioambiental, replique no seu e-mail.
email: zacaalbuquerque@gmail.com
twiter:@zacariasalbuquerque

RedeTV! deve pagar R$ 320 mil a promotor Schoedl


Por Pedro Canário

RedeTV! foi condenada a indenizar o ex-promotor de Justiça de São Paulo Thales Shoedl em R$ 320 mil por danos morais devido a reportagens veiculadas em 2008. De acordo com decisão do juiz Christopher Alexander Roisin, da 33ª Vara Cível de São Paulo, a emissora, em vez de apenas noticiar o fato, manipulou informações para levar a audiência a seu favor e contra o promotor.
Schoedl, representado pelo advogado Luís Felipe Bretas Marzagão, foi acusado, em dezembro de 2004, dos crimes de homicídio e tentativa de homicídio contra dois jovens, enquanto estava na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista. Ele disparou contra dois jovens que, segundo ele, importunavam sua namorada. Matou um e feriu o outro. Em novembro de 2006, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo absolveu o promotor, alegando que ele agira em legítima defesa.
As reportagens da RedeTV! foram exibidas em dois dias. A primeira, no programa RedeTV News, no dia 8 de agosto de 2008, dizia que o Ministério Público de São Paulo reconduziu Schoedl ao cargo de promotor “mesmo após ter matado um homem com 12 tiros”.
No dia seguinte, reportagem do programa Bom Dia Mulher dizia: “O estudante (...) nunca pegou numa arma de fogo na vida, mas viu o amigo ser morto por uma e quase teve o mesmo fim em nome do que a Justiça considera como... legítima defesa. O acusado, que colocou em xeque a credibilidade do Judiciário Paulista, é [Thales Schoedl]”.
Manipulação e audiência
Na decisão, do dia 28 de maio, o juiz Christopher Roisin afirma que a emissora manipulou as informações para condenar publicamente o promotor, mesmo depois de ele já ter sido absolvido. Interpelou pessoas na rua para chamarem Schoedl de “assassino” e a decisão que o absolveu de “absurda”.
Para Roisin, “os votos dos desembargadores e a prova do processo criminal juntado são nítidos em revelar que a notícia, longe de informar um fato, o manipulou para, certamente, aumentar a audiência e, pois, os lucros, inserindo elementos inverídicos geradores do dever de indenizar”. Ele citou o ministro da Propaganda do Partido Nazista durante o III Reich alemão, Josef Goebbels: “Uma mentira contada cem vezes torna-se verdade”.
O juiz também reclamou da parcialidade das reportagens. Disse que não foram concedidos os mesmos espaços para defesa e acusação, e que o repórter pendeu para o tom acusatório. “À genitora do falecido, outorgou-se espaço. À genitora do autor não. Não retiro — nem poderia fazê-lo — a dor de uma mãe que precisa enterrar o próprio filho, invertendo a ordem natural das cosias, mas não é pequena, embora não seja igual, a dor de uma mãe que vê, diariamente, o seu filho ser acusado de um crime que não praticou. Ver o seu filho ter alcançado o sonho da posse em um cargo público e de vê-lo perder o cargo pela força incontrolável da imprensa.”
Roisin relaciona o caso à ópera O barbeiro de Sevilha, do italiano Gioachino Rossini, e traduz um trecho: “A calúnia é como a brisa. Agradável inicialmente. Pouco a pouco vai crescendo e insensível, doce e ligeiramente, explode como um estampido, um terremoto, uma tempestade, um tumulto generalizado que faz o ar ecoar. E o pobre caluniado, castigado, espezinhado, sob o flagelo público, na prisão da opinião pública: queima, arde”.
Por conta própria, diz que a imprensa abre mão de informar para levar o telespectador a interpretar em determinado sentido. “A imprensa, por vezes, ao revés de informar, sugestiona o seu público a adotar certa ideologia, postura, conceito, opinião etc. Vale-se (in)conscientemente da teoria da psicologia das multidões para ter as massas ao seu lado e, com isso, coloca o noticiado na prisão da opinião pública.”
Reincidente
Não é a primeira vez que a imprensa é obrigada a indenizar o promotor Thales Schoedl por conta de reportagens consideradas tendenciosas. A Record foi derrotada na Justiça em duas oportunidades: em maio de 2009, o Órgão Especial do TJ-SP manteve decisão que proibiu a TV de divulgar informações sobre a vida pessoal do promotor. Em agosto do ano passado, foi condenada a indenizar Schoedl em R$ 200 mil por tê-lo feito.
O Estado de S. Paulo também é um dos condenados. Em janeiro deste ano, a 35ª Vara Cível de São Paulodeterminou ao jornal pagar R$ 62 mil a Schoedl por tê-lo chamado de assassino antes de decisão judicial. Neste caso, no entanto, a Justiça diminuiu o valor da indenização — o promotor havia pedido R$ 400 mil.
A editora Abril, por meio da revista Veja, também pagou R$ 30,6 mil a Schoedl. Isso porque reportagem do jornalista André Petry, intitulada A lógica do deboche, o chamou de “promotor assassino” algumas vezes.

Pedro Canário é repórter da revista Consultor Jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 12 de junho de 2012

quarta-feira, 27 de junho de 2012

COLETA SELETIVA NA QUINTA-FEIRA




Atenção moradores dos bairros com serviço de coleta seletiva!

Quando você participa da coleta seletiva,está  cooperando para o meio ambiente do planeta,pois o material reciclável que seria aterrado,transforma-se em novo material,economizando matéria -prima e energia.
Você também  a obra social da sociedade de Apoio à criança e o Idoso: 
COLETA SELETIVA NO SEU BAIRRO(PORTA A PORTA) NESTA 5º FEIRA:


MANHÃ:
Centro
Parque Prazeres
Penha
Bela Vista
IPS


TARDE:
Centro
Parque São Jorge
Jardim Carioca
Parque Alphaville


COLETA DE PONTOS ESPECIAIS
Secretaria Municipal de Serviços Públicos
Secretaria Municipal de Governo
CTIS
UENF
Clube Saldanha da Gama
Condomínio Springer
Condomínio Vale do Paraíba
Condomínio Tricon
Escola Municipal Francisco de Assis
Condomínio Pecuária
Gráfica Pecuária
FDC

Inauguração da 3ª etapa do Bairro Legal do Eldorado nesta quarta



Wesley Machado

Será inaugurada nesta quarta-feira (26), às 21 horas, a 3ª etapa do Bairro Legal do Eldorado Foto: Secom

Será inaugurada nesta quarta-feira (26), às 21 horas, a 3ª etapa do Bairro Legal do Eldorado. No mesmo horário, a prefeita Rosinha Garotinho faz o lançamento das obras da praça do Eldorado, construída com recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o lançamento da creche escola Jardim Ceasa. 

No mesmo dia, às 20h, Rosinha Garotinho lança, no Parque Santa Clara, as obras e assina a ordem de serviço da creche construída também com recursos federais do PAC, da vila olímpica e do programa Morar Feliz. Mais cedo, às 17h, a prefeita Rosinha Garotinho entrega 250 casas em Santa Cruz e a recuperação do campo de futebol.

A comerciária Enir Ramos, de 34 anos, afirmou que a obra do Bairro Legal do Eldorado melhorou o movimento do comércio dela. “Antes carro nem podia passar aqui. Tinha um monte de vala no meio da rua, ficava correndo esgoto. Era horrível. Agora está ótimo” disse ela, que é mora há 13 anos no local, onde é proprietária de um estabelecimento comercial.
*Fonte: Site da PMCG



Como limpar as ruas


Com o crescimento explosivo da frota de veículos, não há outra saída: a maneira mais eficaz de induzir as pessoas a deixar o carro em casa é tornar seu uso financeiramente desaconselhável



A Política Nacional de Mobilidade Urbana, que foi sancionada pela presiden¬te Dilma Rousseff em janeiro e entrou em vigor em abril, permite aos municípios brasileiros com mais de 20 000 habitantes a cobrança de taxas dos motoristas que circularem com seus veículos em determinadas áreas. Na prática, a lei abre caminho para a criação do pedágio urbano, um mecanismo concebido pa¬ra desestimular o uso de carros em favor do transpor¬te coletivo. Os recursos arrecadados com o pedágio devem ser aplicados em obras viárias, na promoção de práticas sustentáveis - como uso de bicicletas e melhorias nas calçadas - e no subsídio ao transporte público. A nova taxa só poderá ser instituída depois que o município elaborar um plano de mobilidade e integrá-lo a seu plano diretor. 
......




O que grandes cidades do mundo já fizeram e estão cada vez mais fazendo para diminuir as agruras do trânsito é apelar para o lado mais sensível dos cidadãos: o bolso. Trata-se de um conceito simples, embora pareça cruel para quem já se sente sobrecarregado com tantas taxas, impostos e o alto custo do combustível - a maneira mais eficaz de induzir as pessoas a deixar o carro em casa é tornar seu uso financeiramente desaconselhável.
 A melhor forma de fazer isso seria criar alternativas de transporte eficientes e mais baratas que levassem as pessoas a aderir aos sistemas coletivos. Não é, contudo, o que ocorre no Brasil, onde o metrô e os ônibus são superlotados nos horários de pico, o táxi é caro e andar de bicicleta nas avenidas movimentadas é praticamente uma roleta-russa. Com exceção de abnegados e idealistas, a maior parte das pessoas vai continuar preferindo usar veículo próprio enquanto os custos couberem no orçamento. "Numa sociedade que valoriza tanto os carros e o individualismo, os administradores públicos não têm a coragem de fazer o que precisa ser feito porque têm medo de se tornarem impopulares", diz Arturo Alcorta, um dos cicloativistas mais conhecidos de São Paulo, referindo-se a medidas restritivas para a circulação de veículos particulares. 
O potencial explosivo de medidas desse tipo foi observado recentemente na capital paulista, quando caminhoneiros protestaram contra a proibição de trânsito na marginal Tietê em determinados horários - a cidade quase parou por falta do combustível transportado pelos filiados ao sindicato que organizou a manifestação. 


Não é por acaso que Londres - o exemplo mais citado quando se fala em medidas restritivas de circulação de veículos - demorou 25 anos, desde as primeiras discussões, para operar seu pedágio urbano. Com a adoção do sistema em 2003, o tráfego no centro da cidade diminuiu 30%, índice que representaria um tremendo alívio em qualquer cidade. Em São Paulo, seria um impacto maior do que o percebido pelos moradores durante as férias escolares, quando o tráfego na cidade cai cerca de 20%. Em Londres, paga-se uma taxa equivalente a 20 reais para que o motorista tenha o direito de entrar com carro particular na área central da cidade no período entre 7 e 18 horas, tudo controlado por sensores e câmeras. O índice de rejeição à iniciativa, que era alto no início, foi caindo à medida que a população percebeu os ganhos coletivos e se reeducou para buscar alternativas de locomoção. A concepção geral do pedágio urbano é semelhante à do rodízio em funcionamento em São Paulo desde 1998, com algumas vantagens: preserva-se o direito do cidadão de decidir se usa ou não o carro e arrecada-se uma verba significativa para investimentos no sistema viário. 



Cidades como Singapura e Estocolmo miraram-se no exemplo londrino e também adotaram o pedágio urbano.
 Outra importante metrópole que acabou de aderir ao sistema é Milão. Desde janeiro, é preciso pagar o equivalente a 12 reais para circular na região central da cidade italiana nos dias úteis, entre 7h30 e 19h30. Como a medida tem também objetivos ambientais, os carros elétricos, menos poluentes, têm direito à isenção da taxa. Na primeira semana de funcionamento do novo sistema, o número de veículos em circulação na área pedagiada caiu 37% - e os motoristas que decidiram pagar a taxa ganharam um bom tempo em relação à situação anterior, o que fez com que muitos chegassem à conclusão de que o investimento valia a pena.
 Na América do Sul, Bogotá, capital da Colômbia, tornou-se pioneira ao instalar, no início deste ano, um sistema de cobrança de pedágio - o valor varia conforme o horário de circulação, sendo maior nas faixas de pico. 



PREÇO PARA NÃO VENDER 
Outra estratégia que vem sendo adotada em alguns países - todos desenvolvidos e munidos de excelentes sistemas públicos de transporte - para desestimular o uso de veículos particulares são os altos impostos sobre a compra de automóveis. No Japão, há sobretaxa para o segundo carro da família. Na Dinamarca, os impostos representam cerca de 50% do preço de um veículo, o que leva as pessoas a pensar duas vezes antes de comprar um. No caso dinamarquês, o principal objetivo nem é aliviar os congestionamentos, e sim reduzir a poluição e melhorar a saúde da população. Copenhague, a capital, tem 350 quilômetros de ciclovias, utilizadas diariamente por 37% dos moradores - juntos, eles percorrem 1,2 milhão de quilômetros por dia. Esse mesmo apelo à vida saudável certamente cairia bem em São Paulo, cidade onde 70% das 4 000 mortes registradas anualmente por problemas cardiovasculares e respiratórios estão diretamente associadas aos gases emitidos pelos carros - admitindo-se, claro, que os ciclistas tenham condições seguras para circular. "Se São Paulo tivesse a qualidade do ar de Curitiba, que está dentro dos padrões internacionais aceitáveis, os paulistanos ganhariam em média três anos e meio de expectativa de vida e a cidade economizaria 2 bilhões de dólares por ano em despesas com saúde", afirma o médico patologista Paulo Saldiva, especialista em poluição atmosférica da Universidade de São Paulo. 



Claro que as medidas restritivas, isoladamente, não bastam - é preciso tomar uma série de outras providências para que a cobrança de pedágios e impostos não se torne um simples achaque ao contribuinte. A mais óbvia dessas providências é tornar o transporte coletivo mais seguro, confortável e eficiente. Além da ampliação gradual dos sistemas de metrô, a criação de linhas exclusivas de ônibus com grande capacidade de transporte, os chamados Bus Rapid Transit, ou BRT, vem sendo considerada a solução de melhor custo-benefício, pois pode transportar o mesmo volume de passageiros do metrô com um décimo de investimento. O Rio de Janeiro planeja construir quatro corredores de BRTs até 2016, quando sediará os Jogos Olímpicos, mas especialistas têm manifestado preocupação ao verificar que esses projetos parecem desvinculados do sistema de transporte da cidade - o receio é que, passado o evento, as linhas se tornem subutilizadas, a exemplo do que ocorreu com algumas obras na África do Sul, sede da Copa do Mundo de 2010. 



O leque de medidas para começar a virar o jogo da mobilidade urbana é amplo. Alguns apostam em melhores condições para o uso seguro de bicicletas. Outros preferem melhorar as calçadas para incentivar caminhadas. Medidas relativamente simples, como incentivos às empresas para facilitar os programas de trabalho em casa ou a carona solidária, também constam do cardápio. "O importante é tirar o excesso de carros das ruas", diz Strambi, da USP. "Mobilidade urbana é um problema que não tem uma solução única."
*Fonte: Planeta Sustentável

Lixo eletrônico e o uso crítico da tecnologia


2012/06/15 

A grande quantidade de resíduos eletrônicos produzidos no país configura hoje um quadro preocupante. 
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas divulgados em 2010, o Brasil é considerado o maior produtor per capita de lixo eletrônico entre os países emergentes. Os números alertam para uma necessidade urgente de reverter as práticas de consumo. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada pelo Governo Federal há dois anos, ainda não foi regulamentada.
E esta será a tônica da Roda de Conversas desta sexta-feira à noite aqui na Cigac. “Excessos em um futuro próximo” vai contar com a presença do Marcelo Braz, da MetaReciclagem e Marcelo de Carvalho, da UFAM.
Mas para já esquentar um pouco os motores e tentar mostrar à você a importância e abrangência deste debate, nós conversamos com o Felipe Fonseca, pesquisador do Labjor da Unicamp e co-fundador da rede MetaReciclagem.
Cigac: Como você analisa a questão do lixo eletrônico atualmente?
Felipe Fonseca: Acho que a questão principal é o fato de que as pessoas têm uma expectativa equivocada em relação ao lixo eletrônico, já que, em se tratando de lixo eletrônico, a reciclagem muitas vezes não é a melhor solução. O lixo eletrônico gera um custo para ser reciclado e esse custo não se paga no próprio processo, como é o caso do alumínio, às vezes do papel, da garrafa pet. E, além disso, a própria reciclagem do lixo eletrônico é poluente, gera impacto ambiental, gera impacto social, gera impacto econômico. A questão do lixo eletrônico não tem uma saída e é interessante pensar em alternativas para, principalmente, reduzir o consumo e a produção deste lixo. A partir daí pensar em uma maneira de minimizar o impacto, e aí sim, pensar em reciclagem, mas acho que tem que quebrar um pouco esta expectativa de que tratar o lixo é simplesmente reciclar.
Cigac: Então qual que seria a solução? Ou não existe uma solução?
Felipe Fonseca: A solução, na verdade, é um grande contexto de divulgação. Não existe uma solução definitiva, então acho que tem que buscar maneiras de influenciar a indústria para fazer as coisas durarem mais, para fazer coisas que gerem menos impacto quando forem finalmente descartadas. Tem que pensar no ciclo que seja bancado, porque existe custo. Toda vez que o tratamento do lixo eletrônico dá lucro é porque está se fazendo alguma coisa errada, ou o cara está triturando o material e mandando para a China ou está mandando para algum galpão em São Mateus, em São Paulo, onde vai ter adolescente catando esse material sem a proteção adequada. Tem toda uma questão que é o tratamento do lixo eletrônico que custa bastante dinheiro, porque é um material que é entremeado de diferentes tipos de componentes. Então, para separar os componentes e fazer a reciclagem efetiva, isso tem um custo bem elevado, assim tem que pensar em uma maneira de financiar a reciclagem. Primeiro, uma maneira de diminuir ao máximo a necessidade de reciclagem, incentivar o reuso, incentivar a extensão de vida útil do material, incentivar que a indústria faça as coisas durarem mais tempo. E aí, quando for para fazer a reciclagem, tem que pensar em maneiras de financiar isso para que seja feito da forma correta, seguindo as lei trabalhistas, seguindo a legislação ambiental e, principalmente, evitando jogar conhecimento no lixo, que é o que acontece muitas vezes. Cada peça de eletrônico é uma condensação de conhecimento aplicado e quando a gente joga isso no lixo e não faz sua reutilização,  a gente está jogando o potencial de utilização pela sociedade, literalmente, no lixo.
Cigac: Em 2010, a ONU divulgou um estudo que mostra que o Brasil é o maior produtor per capita de resíduos eletrônicos entre os países emergentes. Neste mesmo ano, o Congresso aprovou a Política Nacional de Resíduos Sólidos. De lá pra cá, o que mudou? Na prática, essa política têm garantido o melhor aproveitamento do lixo no país? Qual a maior barreira que impede o melhor aproveitamento do lixo eletrônico no Brasil: lobby? Falta de vontade política? Gestão falha? Uma política menos estruturada…?
Felipe Fonseca: É complicado porque a gente não tem uma visualização. Tem a Política de Resíduos Sólidos que foi aprovada há dois anos, mas ainda não foi regulamentada. Na verdade tem uma grande resistência da indústria principalmente, e também do governo, em assumir a responsabilidade que lhes cabe nesta questão. Eles estão adiando ao máximo adotar medidas, porque isso tem um custo. A indústria tem o argumento de que não se deve assumir a totalidade da responsabilidade sobre o material eletrônico, porque muito material eletrônico entra no Brasil sem passar pelos meios formais, entra por contrabando e tudo mais. A indústria fala que não vai pagar, porque tem um custo ao invés de gerar lucro, não quer pagar pela descaracterização e reciclagem do material que não foi ela que gerou. Na minha opinião, a indústria deveria assumir uma parte e o governo subsidiar uma outra parte do tratamento deste material, porque ele tem um impacto na sociedade que é maior do que simplesmente aquilo que a indústria consegue ver: que é a gestão econômica. O que precisa fazer é criar maneira de unir governo, indústria e terceiro setor no sentido de promover o reuso deste material, justamente para minimizar a necessidade de reciclagem ou de descarte. A discussão hoje -depois que foi aprovada a Política de Resíduos Sólidos- começou, mas se dá somente entre governo e indústria. A sociedade deveria participar mais, acho que a sociedade tem que ser chamada, porque a sociedade tem soluções que a indústria não consegue ter, porque não lhe interessa, não dá lucro.
Cigac: Qual seria uma experiência de reuso de equipamento que deu certo?
Felipe Fonseca: O grande problema é que a legislação nos países desenvolvidos trata apenas da reciclagem. Por exemplo: o cara usa o computador e quando não está mais usando, põe em um lugar, liga para a prefeitura e este material é levado para a reciclagem. Tem uma experiência que acontece na Inglaterra, de um projeto chamado Access-Space, inclusive é parceiro do MetaReciclagem. A gente já fez algum intercâmbio com ele lá. O projeto montou um espaço de apropriação de tecnologia baseada na reutilização de equipamentos eletrônicos e isso influenciou muito o que a gente faz na MetaReciclagem aqui no Brasil. Essa ideia de reuso não acontece no mundo de maneira estruturada, acontece sempre nas bordas e com uma solução que acaba sendo até desleal, porque a gente assume estes projetos, assume uma responsabilidade que é da indústria. E aí, de repente, tem um monte de material que não serve para mais nada e a gente tem que pagar o custo da reciclagem deste material. Existem experiências no Brasil, mas elas não estão sendo feitas de maneira certa, porque são estes grupos organizados na sociedade que acabam assumindo uma responsabilidade que não é deles. Não tem nenhum apoio oficial para lidar com este material que sobra.
Cigac: O que me chamou a atenção foi a gente falar de geração de lixo, excesso e descarte em uma região que vive com restrições. O Semiárido é uma região extremamente rica, mas, ao mesmo tempo, muito pobre. Como lidar, no caso da Cigac, com a questão do descarte e da forma como o lixo pode ser aproveitado, se, aparentemente, a gente tem pouca geração de excesso por aqui?
Felipe Fonseca: Em qualquer cidade pequena de qualquer lugar no Brasil, pequenas vilas perto de Santarém, por exemplo, no Amazonas ou em qualquer outra região do Brasil, a gente encontra pessoas que têm material eletrônico guardado, peças de computador de dez anos atrás, ou coisas assim. Por mais que sejam regiões um pouco mais afastadas e com menos recurso, sempre tem alguma coisa que não está sendo utilizada de maneira plena. A questão é saber como é que a gente vai fazer para a questão do reuso ser estruturada e rentável e não virar mais dano. A gente tem algumas iniciativas, por exemplo, que pegam computadores usados na Europa e mandam para a África, só que muitas delas acabam mandando lixo, estão mandando material inservível. Eu acho que tem uma possibilidade de deslocamento de recurso de um lugar para o outro, mas isso tem que ser feito, de maneira que se veja o todo e não somente pensar que: ah! tá aqui o computador que não está sendo usado e vamos mandar para um lugar em que vai ser usado. Tem toda uma questão do impacto, tanto o impacto de virar lixo, quanto o impacto, por exemplo, de um computador de dez, quinze anos atrás que usa mais energia do que um computador mais recente. Tem toda uma questão delicada que não é simplesmente pegar as coisas de um lugar e mandar para o outro. Tem uma outra dimensão aí: sobre a sensibilidade decorrente desta visão diferenciada que a gente acaba tendo de eletrônica, como que esta sensibilidade vai incentivar a criatividade, incentivar maneiras de enxergar a tecnologia? Como as pessoas vão poder encontrar soluções locais fazendo uso de eletrônicos de baixo custo? Quando a gente fala da vivência que as pessoas tem na MetaReciclagem não é somente para reutilizar  aparelhos antigos, mas sim para utilizar a tecnologia de maneira mais crítica.
A gente está montando na Cigac um laboratório Hacker temporário, chamado Ser Tão Hacker. A ideia é justamente pensar em experimentos que usem a tecnologia de maneira crítica para pensar uma maneira de transformar a situação ou pelo menos de encontrar soluções para problemas ali. A gente fala de criar redes de sensores, criar sistemas de monitoramento, na verdade tem uma série de possibilidades, esta questão do reuso serve para despertar um tipo de criatividade e de sensibilidade que podem gerar soluções para diversas situações que a gente vê em regiões como o Sertão.
Para saber mais, acesse: http://lixoeletronico.org/