sábado, 13 de setembro de 2014

Engenheiro cria máquina que troca lixo reciclável por dinheiro

Engenheiro cria máquina que troca lixo reciclável por dinheiro
 Agosto de 2014 • 

O engenheiro zambiano Shanker Sahai criou a Greenbean Recycle, uma máquina que devolve dinheiro a quem insere garrafas de plástico, vidro e latinhas de alumínio em seu interior. Cada pessoa que deposita lixo no sistema ganha um perfil online de interação social, por meio do qual confere a quantidade de materiais já reciclados e ainda pode competir com outros usuários.
De acordo com o criador da máquina, a interação com as outras pessoas é um dos fatores que mais incentivam o descarte de resíduos no sistema. “Quando as pessoas conferem seus nomes em um painel de pontuações, ficam mais estimuladas a usar a máquina novamente, continuando a reciclar”, conta Sahai. Por enquanto, existem nove unidades instaladas nas principais universidades dos EUA, dentre elas Harvard, MIT e Brandeis University, mas a meta é levar as máquinas para estádios, aeroportos e outras localidades em que há grande circulação de pessoas.
O engenheiro civil, que se inspirou nas máquinas de venda reversa dos EUA, também explica que espera mudar a opinião das pessoas em relação ao reaproveitamento do lixo. “Reciclar é uma tarefa bem chata, e, às vezes, não sabemos de que forma o nosso esforço faz a diferença. A máquina mostra, em tempo real, que até uma única garrafa ou latinha faz a diferença, incentivando as pessoas a continuarem a reciclar”, declarou o engenheiro ao portal Co.exist.
Além de fazer depósitos instantâneos na conta dos usuários, o dispositivo também dá créditos em um restaurante de comida mexicana e prêmios nas redes sociais. A máquina também  processa os resíduos, eliminando gastos de transporte até as usinas de reciclagem e o armazenamento em contêineres. Até agora, o Greenbean Recycle conseguiu aproveitar mais de 34 toneladas de lixo, gerando uma economia de energia superior a 73 mil kWh. No vídeo abaixo (em inglês), você fica sabendo um pouco mais sobre a máquina

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O lixo no quintal

O lixo no quintal

MARIA CECÍLIA WEY DE BRITO E GUSTAVO NOGUEIRA LEMOS*
/08/2014
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Latas de lixo (Foto: Andrew Redington/GettyImages)
Um país sem lixões, em que a coleta seletiva é amplamente realizada nas cidades e as organizações de catadores de materiais recicláveis estão inseridas de forma justa e efetiva nos processos de limpeza urbana e reciclagem dos municípios.  Que visão esplendorosa! Assim deveria ser o Brasil desde o dia 2 de agosto de 2014.
Quatro anos após a regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) pela Lei no 12.305/10, ainda estamos longe de cumprir as metas que garantiriam aos cidadãos o destino adequado do lixo e a dignidade para quem vive dos rejeitos da sociedade. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontam que 59,6% das cidades brasileiras não contam com locais ambientalmente adequados para a destinação final de seus resíduos sólidos.
Enquanto isso, o lixo entope os rios, invade o mar, entranha-se nos mangues e florestas, avoluma-se a céu aberto, contaminando os lençóis freáticos, gerando um cenário desolador de ratos, gente e urubus. O lixo está bem no nosso quintal. É só ir até à janela e dar uma espiada.
E isso vale inclusive para quem ocupa uma cadeira na Esplanada dos Ministérios ou na Praça dos Três Poderes, em Brasília. A capital do país, patrimônio cultural da humanidade, cidade moderna e planejada, é um exemplo dessa triste realidade.
Ainda hoje, de forma irresponsável, destinam-se os resíduos de cerca de 2,5 milhões de habitantes da capital para o maior lixão da América Latina, com 196 hectares (mais ou menos 196 campos de futebol), localizado a menos de 15 quilômetros do Congresso Nacional e ao lado do Parque Nacional de Brasília, uma unidade de conservação que – pela lei também, deveria ter em seu entorno um cinturão protetivo, jamais um depósito de lixo.
O lixão da Estrutural – como é conhecido – é um dos 2.507 lixões que ainda existem no Brasil. Somente 2.202 municípios, de um total de 5.564, cumpriram a meta de resolver esse problema.
Sejamos práticos. Com o fim do prazo para eliminar os lixões, as prefeituras ficam sujeitas ao pagamento de multa por cometerem crimes ambientais. Uma Medida Provisória (MP) está pronta para entrar na pauta de votações para adiar o prazo por mais oito anos. Quem aposta? Afinal, estamos em plena campanha eleitoral e a política cede lugar à busca pelo poder.
Mais prudente seria olhar com seriedade para os municípios de pequeno porte – 90% dos municípios brasileiros – que não dispõem de capacidade técnica instalada e arrecadação dimensionada para cumprir a lei e tentar legislar sobre isso. E mais ainda. Elaborar uma forma inteligente de mudar a mentalidade do atraso com iniciativas transformadoras.
O WWF-Brasil, por meio da participação no Programa Água Brasil, tem realizado ações para apoio e implantação da Politica Nacional de Resíduos Sólidos em cinco municípios brasileiros: Belo Horizonte (MG), Natal (RN), Caxias do Sul (RS), Rio Branco (AC)e Pirenópolis (GO).
A proposta é constituir experiências bem-sucedidas e replicáveis, que ajudem a sustentar a implantação dos dispositivos da PNRS. Ao todo, são 17 cooperativas e associações envolvidas e mais mil catadores de materiais recicláveis contemplados.
Mesmo com os esforços da sociedade civil, a necessidade de adequar-se aos dispositivos previstos na lei ainda é vista por grande parte dos gestores como um fardo, uma atribuição extra e onerosa, e não como uma oportunidade de promover mudanças estruturantes, capaz de gerar trabalho, renda, qualidade de vida e conservação ambiental.
A implantação de aterros sanitários é uma iniciativa dispendiosa, principalmente quando pensamos no arranjo necessário para universalizar o serviço para os 5.570 municípios brasileiros. Para um aterro sanitário ser economicamente viável, precisa receber um volume a partir de 300 toneladas por dia, o que seria o montante gerado por uma população de 300 mil pessoas. Assim, é preciso que as esferas federal, estaduais e municipais se alinhem para promover o acesso às diversas fontes de recursos existentes. Já existem, hoje, consórcios intermunicipais fundamentados pela Lei 11.107/2005, não é preciso inventar nada novo.
É importante desconstruir o modelo atual e investir massivamente na implantação da coleta seletiva, na inclusão socioprodutiva dos catadores de materiais recicláveis, na efetiva implementação dos aterros sanitários e, em especial, na capacitação dos técnicos e gestores envolvidos.
Nesse cenário de atraso na implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a chegada da indústria de incineração de resíduos, uma tecnologia em decadência no cenário norte-americano e europeu, surge como uma possibilidade prática e sedutora. 
Aproveitando-se da crise energética vivida pelo país, o segmento aproxima-se de forma perigosa de nossos gestores para vender a ilusão de que a queima dos resíduos representa uma saída viável para a geração de energia, quando na verdade, além da baixa eficiência energética, esse modelo é altamente poluidor e não promove benefícios sociais.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o valor dos resíduos recicláveis enterrados nos lixões brasileiros por falta de coleta seletiva chega a R$ 8 bilhões ao ano. Há quem fale em números ainda maiores. É uma ideia absurda queimar toda essa riqueza, que poderia gerar trabalho e renda para centenas de milhares de catadores de materiais recicláveis e que vivem em situação de alta vulnerabilidade social. Adicionalmente, sabemos que nosso planeta é finito que nosso consumo tem crescido sem considerar estes limites. Nossas demandas por recursos naturais dobraram desde a década de 60 e não podemos mais ver o lixo da mesma forma nos dias atuais.
Quatro anos já se foram desde a promulgação da Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos e a sociedade brasileira aguarda uma resposta firme para a implantação de uma Política tão acertada e promissora como a PNRS. Aceitar o discurso de que “temos recursos, mas não temos projetos”, é impensável no século XXI. Em especial quando existem soluções conhecidas, testadas e que podem ser disseminadas Brasil afora. É só querer, de verdade!
Esperamos que aquele cenário previsto em lei não seja uma eterna miragem a que estaremos eternamente condenados. E que nasça o dia em que possamos ir até o quintal e ver as árvores crescendo, as nossas fontes limpas e as pessoas felizes em um ambiente saudável.
*Maria Cecília Wey de Brito é secretária-geral do WWF-Brasil. 

Como é o ar que você respira?

Como é o ar que você respira?

MARCIA HIROTA*/08/2014 08h00
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Vista de São Paulo a partir da Avenida Paulista (Foto: Marcia Hirota/SOS Mata Atlântica)

Uma das coisas mais legais de termos a sede da Fundação SOS Mata Atlântica na Avenida Paulista, um dos pontos mais altos da cidade de São Paulo, é poder fazer uma pausa no final da tarde e passar uns minutinhos olhando pela janela. A cada dia, é um pôr do sol mais bonito que o outro, principalmente nesse período mais seco, quando o entardecer fica ainda mais avermelhado e surge uma variedade de tons entre o azul e o amarelo. A parte ruim é que essa beleza toda não é algo a ser comemorado, pois está relacionada à grande quantidade de poeira na atmosfera. A equação é simples: quanto mais bonito o entardecer, provavelmente mais impróprio estará o ar da cidade.
Se a interferência dessa poluição estivesse apenas no colorido do céu, menos mal. Mas o que do lado de dentro da janela embeleza os olhos, do lado de fora entope o nariz, irrita a garganta, prejudica a pele e é assunto a ser levado a sério, pois afeta diretamente o bem-estar, a qualidade de vida e principalmente a saúde de quem vive nessas áreas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), só em 2012, a poluição atmosférica foi responsável pela morte de 3,6 milhões de pessoas no mundo.
No Estado de São Paulo, a poluição do ar matou mais de 17 mil pessoas em 2011. Na capital, que tem duas vezes e meia mais poluição que o máximo recomendado pela OMS (10 microgramas por metro cúbico) foram 4.655 óbitos, número três vezes maior que o de mortes no trânsito (1.365) no mesmo período. Crianças, idosos e adultos com doenças cardiorrespiratórias prévias são as principais vítimas. Os dados são do levantamento Avaliação do impacto da poluição atmosférica sob a visão da saúde no Estado de São Paulo, realizado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade em 2013.
Dados como esse evidenciam como o monitoramento é fundamental para manter a qualidade do ar segura para as pessoas.  Desde 1989, é obrigatório no país o acompanhamento dos níveis de qualidade do ar, por meio do Programa Nacional de Controle da Qualidade do Ar (PRONAR), e a comparação com os padrões estabelecidos pela OMS. Passados 25 anos, apenas 1,7% dos municípios brasileiros são cobertos pelo monitoramento, sendo que 79% desse total está na região Sudeste, como aponta o Instituto Saúde e Sustentabilidade. Já o Instituto de Energia e Meio Ambiente aponta que apenas 12 Estados fazem monitoramentos com alguma periodicidade, porém ainda há problemas na maneira como os dados são coletados e apresentados. 
Nós, na SOS Mata Atlântica, já fizemos uma campanha para alertar a população sobre a importância desse monitoramento. Em 1996, lançamos o “Respira São Paulo”, uma campanha na qual distribuímos lençóis brancos acompanhado de uma tabela de cores correspondentes aos níveis de poluição. A ideia era que as pessoas colocassem o lençol nas janelas de suas casas e escritórios para acompanhar sua mudança de coloração e, assim, medir a poluição em diversas regiões da cidade. Obviamente, não demorava muito para os lençóis passarem de branco para diferentes tonalidades de cinca e marrom. Em 2011, a TV Globo lançou em parceria conosco a campanha RespirAR, na qual adotou a mesma metodologia e fez um grande trabalho de informação e educação ambiental em vários bairros de São Paulo.
As razões de tantas partículas em suspensão no céu já são velhas conhecidas, como a emissão de gases pela indústria e, claro, o grande vilão: os automóveis. No caso de São Paulo, para ser mais precisa, os 7,6 milhões de carros, motos, ônibus e caminhões presos e suas fumaças pretas nos congestionamentos. E as soluções também não são novidades: investimento em transporte coletivo, menos carros nas ruas e aumento da cobertura vegetal – que contribui para a redução da poluição – são prioridades.
Pode ser difícil de acreditar, mas São Paulo já foi muito rica em vegetação, com extensas florestas de Mata Atlântica que formavam uma paisagem única. Hoje, resta 18% de cobertura vegetal nativa – em grande parte florestas secundárias – e o que sobrou ainda está mal distribuído. Temos grandes áreas verdes nos extremos norte e sul – os pulmões da cidade; outras áreas públicas, em praças e parques, como é o caso do Ibirapuera ou próximo ao Zoológico. Alguns bairros também são bem arborizados, mas boa parte das regiões, como as áreas centrais – no Brás e na Mooca, por exemplo – a paisagem é de completa aridez.

Nesse sentido, a presença das árvores na cidade e nos bairros faz toda a diferença. Elas aumentam o conforto térmico e o nosso bem-estar, além de deixar o ar mais puro e menos seco. Consequentemente, quem vive nos bairros com poucas ou nenhuma árvore acaba respirando um ar ainda pior. Na sua cidade, ou no seu bairro, como é o ar que você respira?
*Marcia Hirota é diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica.

Hospital de animais marinhos instala laboratório flutuante no Guarujá

Hospital de animais marinhos instala laboratório flutuante no Guarujá
 2014 • 


Por volta do meio dia ela chegou num carro do Gremar (Grupo de Resgate e Reabilitação de Animais Marinhos) e, imediatamente, começaram os procedimentos para salvar sua vida. A tartaruga verde, de aproximadamente 10 anos, com mais de 30 quilos foi encontrada na manhã da última quarta-feira (6), por praticantes de Stand Up Paddle em São Vicente, litoral paulista, enroscada numa rede de pesca.
Na parte traseira do casco e em uma das laterais, sinais evidentes de um atropelamento antigo, provocado por embarcação e, grandes verrugas no pescoço. Segundo a médica veterinária Andrea Maranho, a tartaruga já estava doente quando se enroscou na rede de pesca. A previsão é que o animal marinho fique pelo menos seis meses em tratamento na unidade.

Foto: Marcos França
Assim é a rotina de mais três técnicos e quatro estagiários de biologia do Gremar, mantido em parceria pela Prefeitura de Guarujá, que atendem os animais marinhos e aquáticos de toda a Baixada Santista, 24 horas por dia. “As cinco espécies de tartaruga que o Brasil possui já passaram por aqui. Infelizmente nem todas podemos salvar pelas condições que chegam – algumas tem perfurações nos órgãos vitais, vítimas de atropelamentos”, explica a bióloga Thais Perez. As que sobrevivem são anilhadas pela equipe do Projeto Tamar e soltas de volta ao seu habitat.
Além das tartarugas, é comum o Gremar receber golfinhos, atobás, fragatas, lobos marinhos e pinguins. Esses últimos, a equipe se prepara para recebê-los, a partir do final deste mês de agosto e início de setembro. “Eles deveriam já chegar aqui em julho, mas o fenômeno meteorológico, El Niño provocou este atraso”, diz Thais.  Atualmente estão no local em tratamento, cinco tartarugas, sete atobás e um fragata macho -  essas aves comuns na Lage de Santos e no Arquipélago de Alcatraz apresentam ferimentos devido a choques com embarcações pesqueiras, quando tentam se aproximar atraídas pelos peixes.
Atendimento
Com capacidade para atender 500 animais, o Gremar conta com salas de cirurgia, ambulatorial, de análises clínicas e de descontaminação para animais oleados, uma preocupação da equipe com a exploração de petróleo e gás, com a chegada do pré-sal à região.
Grandes tanques estão sendo reformados (devem estar prontos em janeiro de 2015), para atender melhor os animais maiores como os leões marinhos, golfinhos e pinguins. “O que a maioria da população não sabe é que se encontrar algum animal ferido na praia, ou mesmo se causar um atropelamento, é só chamar o Corpo de Bombeiros e a Polícia Ambiental que eles trazem o animal até nós. Se todos fizerem isso poderemos salvar a vida de muitos mais”, lamenta a médica veterinária, Andrea Maranho.
O trabalho da equipe do Gremar vai além. Ela é responsável pela capacitação de 354 guarda-vidas do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, no que se refere a resgate de animais marinhos, quando encontrados nas praias.
Casa Flutuante Aratu
Ancorada no Canal de Bertioga, mas ainda na Cidade de Guarujá, mesmo local do Gremar, foi instalada a Casa Flutuante Aratu, onde funciona a Base de Monitoramento Ambiental do Guarujá.
Entregue em janeiro do ano passado pela prefeita Maria Antonieta de Brito, a reforma do Píer e a Casa Flutuante Aratu, receberam investimentos de R$ 1,1 milhão em equipamentos e instalações, resultado do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado entre o Ministério Público Estadual e a Prefeitura.
Por estar em uma área de mangue e na Mata Atlântica da Serra do Guararu, o local é um imenso laboratório a céu aberto, onde não só os alunos da rede municipal de ensino, mas também estudantes universitários e pesquisadores poderão desenvolver trabalhos e pesquisas.

Rio Pinheiros é incapaz de voltar às condições originais

Rio Pinheiros é incapaz de voltar às condições originais
Agosto de 2014 •


Na semana em que se comemora o Dia do Controle da Poluição Industrial (14 de agosto), a Águas Claras do Rio Pinheiros, divulgou uma análise de um dos principais rios que cortam a cidade de São Paulo.
A ONG, que trabalha na recuperação ambiental do rio e seus afluentes, entregou para órgãos de governo do Estado e da Prefeitura, o Relatório de Monitoramento do Rio Pinheiros. O estudo permite uma melhor compreensão do Rio Pinheiros e das suas condições de degradação. O resultado mostra um panorama muito ruim dos recursos hídricos, marcado pela ausência de oxigênio dissolvido (as medições indicaram valores sistematicamente abaixo do limite aceitável), o que faz com o que o rio não tenha capacidade de autodepuração, ou seja, de retornar às condições ecológicas originais.
O relatório faz a análise e o comentário dos dados de monitoramento da CETESB com amostragens no Rio Pinheiros e alguns de seus afluentes nos meses de janeiro, março, maio, julho, setembro e novembro de 2013.  No total, foram oito pontos analisados: Pedreira, Foz do Zavuvus (próximo à Estação Jurubatuba da Linha 9 - Esmeralda da CPTM), Ponte do Socorro, Águas Espraiadas, Avenida Bandeirantes, Foz do Pirajuçara, Jaguaré e Foz do Pinheiros (próximo da Vila Leopoldina).
Os córregos cujas águas mais contribuem para a poluição e a degradação do Rio Pinheiros são o Foz do Zavuvus e o do Pirajuçara, que são os que possuem as piores cargas de poluição, por conta da urbanização precária de segmentos significativos do território de suas sub-bacias.
Embora o relatório aponte que o esgoto doméstico ainda é o principal poluente, mesmo que já seja coletado em parcela majoritária da bacia do Rio Pinheiros, mostra também que existem outras fontes de poluentes que influenciam na degradação das águas do Pinheiros.  Trata-se da poluição que vem das ruas, do lixo que não é coletado, dos descartes irregulares e não fiscalizados, dos postos de gasolina, enfim, de toda a carga de emissão chamada de poluição difusa, porque sua origem é espalhada por todo o território.
“As altas toxidades encontradas em muitos locais e amostragens indicam claramente a presença de outras fontes de poluição além do esgoto doméstico, sejam elas de origem difusa, sejam de origens pontuais e fixas eventualmente não fiscalizadas. As cargas difusas são levadas aos córregos pelas primeiras águas de cada chuva, que levam consigo o esgoto acumulado, os detritos e toda sorte de poluentes”, comenta Stela Goldenstein, diretora-executiva da Águas Claras de Pinheiros.
Outro aspecto apontado pelo relatório é a não indicação de presença significativa de poluição industrial, seja porque houve controle, seja porque houve desindustrialização da região.  Por apresentarem e discutirem mais os padrões de poluição, Stela acredita que os estudos feitos pela Águas Claras servirão como subsídio para a definição de estratégias eficazes de despoluição e de revitalização das águas da Bacia do Rio Pinheiros.
“Esse monitoramento permite  identificar os padrões de poluição, suas origens e características, o que  é fundamental para que se façam as melhores escolhas de tecnologias, de modelos institucionais, financeiros e urbanísticos de recuperação das águas urbanas. O desafio é imenso e exige novos olhares e muita inovação”, analisa.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Casa contêiner é 70% feita com materiais reutilizados

Casa contêiner é 70% feita com materiais reutilizados
 Agosto de 2014 


A casa El Tiemblo, construída na Espanha, é a prova de que construções sustentáveis, feitas a partir de materiais reaproveitados, podem ser elegantes e, ao mesmo tempo, estar em harmonia com o ambiente ao seu redor.
O projeto foi feito pelos arquitetos do escritório James & Mau e contou com quatro contêineres reaproveitados, que totalizam os 190 metros quadrados da construção. A casa tem formato em L e é divida em dois pisos, com mais de sete cômodos espaçosos.

Foto: © Pablo Sarabia/Infiniski  
No térreo estão: sala, cozinha e banheiros. Enquanto o pavimento superior possui uma sala de estudos, uma suíte máster e o banheiro social. Todo o projeto foi pensado para fornecer independência, conforto e privacidade aos moradores. Mesmo assim, os arquitetos prezaram pelo cuidado com a redução do consumo energético na residência.

Foto: © Pablo Sarabia/Infiniski  

O edifício foi planejado levando em conta todas as condições naturais. Através dos conceitos da arquitetura bioclimática foi possível oferecer autonomia energética à casa. Além disso, a construção contou com o uso de muitos materiais reaproveitados. O isolamento térmico, por exemplo, é feito com jornal reciclado. Segundo os criadores, 70% dos materiais utilizados na construção são reciclados, reutilizados ou "limpos".
Um dos pontos interessantes é que o sistema modular, usado na construção da casa, reduziu os impactos com transporte de materiais e também os custos. Este formato ainda permite que sejam feitas mudanças na estrutura com o passar do tempo.

Foto: © Pablo Sarabia/Infiniski    

Redação CicloVivo