quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Espécie de rã que “imita” som de cavalo é descoberta no Nordeste

Espécie de rã que “imita” som de cavalo é descoberta no Nordeste
 Julho de 2014 


Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) são os responsáveis pela descoberta da 19ª espécie de anfíbio encontrada no bioma da Caatinga no Nordeste brasileiro.
Caracterizada pelo tamanho pequeno, a nova espécie de rã tem canto de anúncio peculiar, que lembra o som de cavalos trotando. Devido a isso, os pesquisadores a batizaram de Pseudopaludicola pocotoPseudopaludicola é um gênero que compreendia, antes dessa descoberta, 18 espécies de pequenas rãs que predominam na América do Sul, ocorrendo desde o norte da Argentina à Venezuela – leste dos Andes.
Em meio a pesquisas que visavam o levantamento de oito unidades de conservação dentro do bioma da Caatinga, Felipe Medeiros, aluno do mestrado em Sistemática da Evolução e principal autor do artigo, encontrou duas espécies de anfíbios na lagoa da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), em Macaíba, na Grande Natal. Na ocasião, foram coletadas larvas de uma espécie e, da outra, gravados cantos diferentes dos já conhecidos pelos especialistas.
Com a suspeita da descoberta de uma nova espécie, os pesquisadores partiram para a pesquisa na literatura e conversas com colegas da área. Assim, descobriu-se que um grupo de estudiosos de outras universidades do país havia chegado às mesmas conclusões.
A partir disso, Medeiros e seu orientador, o professor Adrian Garda, do Departamento de Botânica, Zoologia, e os demais estudantes e bolsistas ligados ao projeto descreveram a nova espécie. O trabalho foi realizado em conjunto com professores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e Universidade Federal do Rio Grande (FURG).
Ao longo de três anos de pesquisa, foram gravados e analisados os cantos de nove espécimes em três estados da região Nordeste. A pesquisa dá ênfase à análise do canto de anúncio da nova espécie de anfíbios, que são sapos bem pequenos, de hábitos noturnos e ampla distribuição na caatinga.
O vídeo abaixo foi gravado em Serra do Barro Vermelho, município de Jaguaribe, no Ceará:

O professor Garda explica que o canto é importante, pois, aos olhos dos leigos, não há como distinguir duas espécies, mas a diferença é percebida pelo ouvir do canto, o que tem influência, inclusive, na reprodução dos anfíbios. “Os machos cantam para atrair as fêmeas e elas só reconhecem os da sua espécie. Ou seja, cada uma canta de um jeito diferente”.
Descobertas como a da Pseudopaludicola pocoto mostram que se conhece pouco da fauna de anfíbios presentes no Rio Grande do Norte, segundo o professor Adrian. A primeira lista de catalogação científica, com 32 espécies diferentes, foi publicada para a Escola Agrícola de Jundiaí em 2013. Mas também há relatos sobre a existência desse bicho típico da Caatinga no estado de Minas Gerais.
“A biodiversidade está indo embora muito rápido e não temos tempo suficiente para descrevê-la e nem gente para trabalhar. Por isso, espécies desaparecem e não tomamos conhecimento da existência delas. Por sorte, fizemos esse registro em duas Unidades de Conservação Ambiental, nas estações ecológicas do Seridó, no Rio Grande do Norte, e de Aiuaba, no Ceará”, conta Garda.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ararinha-azul: espécie extinta na natureza pode voltar à Caatinga

Ararinha-azul: espécie extinta na natureza pode voltar à Caatinga

por Fábio Paschoal 

A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) está possivelmente extinta na natureza, mas o projeto Ararinha na Natureza luta para que a espécie volte a colorir o céu da Caatinga – Foto: SAVE Brasil
Em 1819, o zoólogo Johann Baptiste Von Spix e o botânico Karl Friedrich Philipp von Martius lideravam uma expedição científica pelo Brasil. Quando passaram pela Caatinga, na região de Juazeiro, na Bahia, os pesquisadores alemães observaram uma ave semelhante a uma arara-azul, mas com a metade do tamanho. Ela possuía asas estreitas, cauda longa e um voo característico. Claramente se tratava de uma nova espécie: a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii).
Após a descoberta, ela passou a ser desejada por colecionadores de aves e o tráfico de animais se tornou seu maior inimigo. As queimadas, o desmatamento e o pastoreio – que destruíam (e ainda destroem) a Caatinga – contribuíam para a diminuição da população e, em 1986, quando foi determinada a área de ocorrência da espécie, havia mais ararinhas em cativeiro do que na natureza. Só restavam três indivíduos na região dos riachos Melancia e Barra Grande, em Curaçá, na Bahia
Em 1990, uma expedição avistou o último representante no habitat natural. Todos os esforços se voltaram para a conservação da ararinha-azul. Os pesquisadores observaram o animal, coletaram dados e descobriram que se tratava de um macho.
Para tentar salvar a espécie, uma fêmea, criada em cativeiro, foi reintroduzida. Era esperado que ela formasse uma nova família com o macho selvagem. No entanto, há 13 anos, a ararinha-azul foi avistada pela última vez. A espécie entrou para a lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) como animal possivelmente extinto na natureza.
Mas nem tudo está perdido. Ainda restam 79 indivíduos em cativeiro, e o projeto Ararinha na Natureza, criado em 2012, luta para que a espécie volte a pintar de azul o céu da Caatinga.

Antes de reintroduzir a espécie na natureza é necessário atingir um número de indivíduos satisfatório com a reprodução em cativeiro – Foto: SAVE Brasil
Segundo Camile Lugarini, coordenadora do Plano de Ação Nacional para a conservação da ararinha-azul, “o projeto Ararinha na Natureza tem como objetivo restabelecer uma população selvagem da espécie e garantir a proteção de seu habitat. Com ações de curto, médio e longo prazo, a ideia é implementar políticas públicas voltadas à conservação da ararinha, aumento do conhecimento científico, proteção e recuperação dos habitats e campanhas de disseminação e educação ambiental”.
Os mantenedores que possuem os indivíduos em cativeiro (Association for the Conservation of Threatened Parrots, Al Wabra Wildlife Preservation, Nest e Fundação Lymington) são parceiros do projeto, e serão responsáveis pela reprodução da espécie em cativeiro. É necessário atingir um número de indivíduos satisfatório para que parte da população possa ser reintroduzida no habitat natural da espécie.
Mas, antes de reintroduzir a primeira ararinha-azul na Caatinga é preciso se preocupar com as espécies que continuam vivendo por lá. Reintroduções podem propiciar efeitos negativos na população residente. A competição, predação e transmissão de doenças são capazes de levar o programa ao fracasso. “Todos os procedimentos estão sendo adotados de acordo com as diretrizes da IUCN para soltura e reintrodução, levando em consideração um extenso estudo para avaliar as espécies que podem competir por ninhos, alimento, dentre outros. Os efeitos nas ararinhas reintroduzidas assim como na comunidade residente serão avaliados e monitorados em longo prazo”, afirma a coordenadora.
Com a proteção efetiva do habitat da espécie, o combate ao tráfico, o aumento da população em cativeiro e o apoio da comunidade local, nacional e internacional, Camile acredita que as primeiras experiências de reintrodução podem começar a partir de 2017. Se isso ocorrer, a espécie será retirada da lista de animais possivelmente extintos na natureza e voltará a voar pela Caatinga.
O projeto Ararinha na Natureza é uma parceria do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) com a Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil) e os mantenedores que possuem os indivíduos em cativeiro, com patrocínio da empresa Vale e gestão financeira do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).

MDL precisa aprender com padrões sociais já estabelecidos em outros mecanismos, sugere ONG


MDL precisa aprender com padrões sociais já estabelecidos em outros mecanismos, sugere ONG

07/2014   -   Autor: Fernanda B. Müller   -   Fonte: Instituto CarbonoBrasil


Nos últimos anos, várias críticas sobre impactos sociais graves de projetos aprovados no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) foram divulgadas na imprensa. Além disso, melhorias nos processos de consulta pública nos locais dos projetos e a padronização de diretrizes para o atendimento aos critérios de desenvolvimento sustentável são frequentemente sugeridos para aprimorar o lado social do MDL.
Assim, após participar de um workshop com Autoridades Nacionais Designadas na Namíbia (África), a ONG Carbon Market Watch (CMW) enfatizou a necessidade de que sejam criadas diretrizes envolvendo boas práticas para a implementação das regras existentes no MDL.
Na própria Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) do ano passado, foi pedido ao secretariado da convenção que se coletassem informações sobre práticas para as consultas locais e que fosse oferecida assistência para o desenvolvimento das diretrizes quando solicitado pelos países.
O CMW afirma que, durante o workshop, as atuais regras do MDL foram comparadas à estrutura do REDD+ que abrange “sete salvaguardas robustas”, incluindo a participação integral e efetiva dos interessados relevantes, cuja implementação será acompanhada através do Sistema de Informações para Salvaguardas.
A comparação também foi feita com o Fundo Verde do Clima, que exige salvaguardas e a gestão de riscos sociais e ambientais por seus potenciais beneficiários.
“O MDL tem uma série de regras sobre como conduzir e validar as consultas locais. Mas vários projetos nos últimos anos têm sido criticados por desconsiderarem essas regras”, afirma o CMW, completando que a comparação com os outros mecanismos permite ver que as brechas não são resultado apenas das regras vagas do MDL, mas também:
  • Pela escolha deliberada de partes interessadas provavelmente favoráveis ao projeto;
  • Por não se basearem em estruturas participativas já existentes;
  • Por não alcançarem os benefícios prometidos ou até mesmo ameaçarem partes interessadas essenciais no processo;
  • Pela ausência de remediação, que deixa as comunidades afetadas sem uma opção para levantar problemas a partir do momento em que o projeto está registrado.
Assim, além das diretrizes sobre boas práticas, o CMW sugere que o MDL precisa se fortalecer, observando mecanismos que não sejam baseados na compensação de emissões, mas que olham além do carbono para outros benefícios.
“O atual processo de reforma do MDL oferece uma oportunidade crucial para desenvolver essa estrutura política, incluindo um processo robusto de participação pública ao longo da implementação das atividades de projetos, um mecanismo de reclamação para lidar com potenciais impactos adversos e um sistema de salvaguardas que inclua o monitoramento dos benefícios do desenvolvimento sustentável”, conclui a ONG.


Chuvisco na disputa

Natália Moraes
Foto: Rodrigo Silveira
Doces não faltam nas mesas dos campistas. A cidade tem sua culinária reconhecida nacionalmente através do chuvisco e da goiabada cascão. Quem visita a cidade, carrega tanto na lembrança, quanto nas malas, um pedacinho da nossa região. O tradicional chuvisco é feito à base de ovo e pode ser encontrado cristalizado ou em calda. O nosso “pingo de ouro” (chuvisco, também assim chamado) não foi criado em Campos: é um doce da culinária portuguesa e foi trazido pela Família Real Portuguesa. E, há quem diga, que era o doce preferido de D. Pedro I. Já a tradicional goiabada cascão é feita em um tacho e o forno à lenha, o que garante o ponto certo. Ambos os doces dispensam o uso de aditivos industrializados como corantes e conservantes.
Nossas iguarias caíram tanto no gosto popular e fazem tanto sucesso, que, pela segunda vez consecutiva, participam do projeto “Maravilhas Gastronômicas do Estado do Rio”, como pré-finalistas na categoria, “Doce e Compotas”. Como no ano passado, haverá votação livre na internet para eleição dos vencedores de cada categoria através do site www.projetomaravilhas.com.br. Os interessados em votar nos doces campistas deverão acessar a categoria e clicar quantas vezes quiser. A votação vai começou na sexta-feira (1º). A votação pela internet segue até o dia 30 de outubro.
Essa é a segunda edição do prêmio “Maravilhas Gastronômicas” do Estado do Rio de Janeiro apresenta este ano, em dez categorias, saberes e sabores que estão intimamente ligadas à formação econômica, social e cultural do Estado: Da Água, Cachaças, Cafés, Cervejas, Conservas e Patê, Doces e Compotas, Laticínios, Mel, Queijos e Da Terra. O Maravilhas RJ é idealizado pelo jornalista Chico Junior, escritor, pesquisador da gastronomia brasileira e autor dos livros “Roteiros do Sabor Brasileiro” e “Roteiros do Sabor do Estado do Rio de Janeiro”. Outras iguarias da região também estão participando, como o Pastel de Nata, de Quissamã que concorre também na categoria “Doces e Compotas”. Duas Cachaças também estão concorrendo, a “São Miguel”, também de Quissamã e a “Chico Tobias”, de Conceição de Macabu.
Idealizado pelo escritor Chico Junior, autor dos livros “Roteiros do Sabor Brasileiro” e “Roteiros do Sabor do Estado do Rio de Janeiro” o projeto “Maravilhas Gastronômicas”, este ano, foi acrescido em mais três categorias, somando o total de 10. São elas: café, cerveja, laticínios, mel, queijos, alimentos da terra e da água entre outros. Outra novidade serão os prêmios especiais de “Produtor do Ano”, “Instituição do Ano” e “Personalidade do Ano”.
O objetivo do projeto é valorizar alimentos e produtos tradicionalmente cultivados e produzidos no Estado. Busca-se, dessa forma, desenvolver a cultura do gosto regional e reconhecer o território fluminense como lugar de produção, de memória e conhecimento ao revelar esses tesouros culinários. Uma das novidades deste ano é a participação de um time com 39 colaboradores/consultores, especialistas na área de gastronomia e que já atuam na divulgação e valorização de nossos alimentos e produtos regionais. O grupo irá colaborar com a Comissão Organizadora do prêmio na avaliação e indicação de candidatos.
FONTE FOLHA DA MANHA ONLINE    09/08/2014 14:58

segunda-feira, 11 de agosto de 2014


Ação de SP já prejudica 3 usinas do Paraíba do Sul

Em documento, ONS alerta que medida levaria a ‘esgotamento completo’ em Paraíbuna, Santa Branca e Funil
 
-BRASÍLIA- A ação do governo de São Paulo de descumprir determinação federal e reduzir deliberadamente a vazão da usina hidrelétrica de Jaguari, no interior do estado, já prejudica outras trêsHidrelétricas da bacia do Rio Paraíba do Sul, segundo documento obtido pelo GLOBO. As usinas afetadas também ficam em São Paulo. Por conta da seca, a Agência Nacional de Águas (ANA) havia determinado em julho uma operação especial para elevar a vazão desses reservatórios e fazer chegar volume de água mínimo de 165 metros cúbicos por segundo à barragem de Santa Cecília, em Barra do Piraí (RJ), onde fica o complexo de Lajes, da Light. Sem a água do Jaguari, outras represas têm de verter mais.

RESERVATÓRIOS PODEM SECAR
Em ofício enviado à ANA na segunda-feira, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrica (ONS), Hermes Chipp, informou que a decisão de São Paulo “conduziria a um desestoque desproporcional entre o reservatório de Jaguari e os demais reservatórios da bacia”. A ação poderia secar outros reservatórios.
“Esta operação levaria a um esgotamento completo dos volumes úteis dos reservatórios de Paraíbuna, Santa Branca e Funil no decorrer do período”, disse Chipp. Esses reservatórios servem a trêsHidrelétricas, respectivamente de Cesp, Light e Furnas. O volume útil de Santa Branca, por exemplo, caiu de 35,2% para 31,8% em apenas oito dias, a partir de 1º de agosto, desde quando a ordem paulista pra reduzir a vazão do Jaguari entrou em vigor. Segundo Chipp, com a medida, essas três usinas ficariam com “volumes armazenados próximos a 0% dos volumes úteis, caso não ocorra precipitação (chuva) significativa na bacia antes do final da estação seca”. A necessidade de chegar uma vazão mínima a Santa Cecília é fundamental para o abastecimento de água de parte do Rio e para asHidrelétricas da Light em Lajes. Chipp informou no ofício que, por conta de um programa de recuperação do reservatório de Paraibuna, seria necessário agora elevar a vazão de Jaguari para além do que operava antes da determinação do governo de São Paulo à Cesp, de reduzir a saída de água. A União tem pressa para resolver a situação no Jaguari, pois é crítico o estado da bacia do Paraíba do Sul sem chuvas.
 
Veiculo:
JORNAL O GLOBO
  Secao:
ECONOMIA
  Data:
2014-08-11
  Localidade:
RIO DE JANEIRO
  Hora:
06:39:16
  Tema:
AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS
  Autor:
DANILO FARIELLO - danilo.fariello@bsb.oglobo.com.br
  Avaliação:

Modelo de imunização de Campos apresentado no “HPV in Rio”

O modelo de imunização de Campos foi apresentado no evento “HPV in Rio”. Na ocasião, o diretor de Vigilância em Saúde, Charbell Kury, apresentou a estratégia de vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV) para meninos do município. O evento é organizado pelo professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Mário Romero Leal Passos. Ele é conferencista internacional, especialista em Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e cientista chefe do setor de Dessentologia da UFF.
O médico e professor Edilbert Pellegrini, coordenador do Programa Municipal de Combate à Hanseniase, especialista em HPV e DST, também ministrou duas palestras. O evento contou com mais de 300 participantes de todo o país e é um divisor de águas na tomada de decisões em relação à luta contra o HPV. O reitor da UFF, Professor Roberto Salles; o professor titular da Universidade Federal do Paraná, Newton Sérgio de Carvalho; e a professora doutora Angélica Espinosa, presidente da Sociedade Brasileira de DSTs, participaram do encontro. “Ficou clara a premente necessidade de colocarmos a vacina contra o HPV para meninos e a inclusão da vacina contra o HPV nos HIV positivos em todo o país. Também se debateu a inclusão da vacina nas vítimas de violência sexual, como estupro, projeto que deverá ser seguido por Campos também”, disse Charbell Kury.
Fonte: Secom/Prefeitura 

Por que morrem as civilizações?

Por que morrem as civilizações?




A resposta para esta pergunta pode estar em 5 regras - e até nós estamos sujeitos a elas

por Texto João Paulo Gomes

Era um domingo de Páscoa, em 1722, quando o explorador holandês Jacob Roggeveen avistou de seu galeão um pedaço de terra perdido na vastidão do sul do oceano Pacífico. De longe, o lugar não era nada atrativo. Ao contrário da maioria das outras ilhas daquela parte do mundo, o terreno não tinha grandes árvores e a grama era tão seca que, a distância, parecia areia. Recebido por uma comitiva de nativos em canoas frágeis e cheias de remendos, Roggeveen resolveu desembarcar e surpreendeu-se com as gigantescas figuras de pedra, esculpidas na forma de rostos humanos, espalhadas ao longo do litoral. “Ficamos muito espantados, pois não compreendíamos como essas pessoas, que não dispunham de cordas fortes ou madeira adequada para construir máquinas, conseguiram erguer aquelas imagens com mais de 10 metros de altura”, escreveu em seu diário de bordo.
No interior da ilha, dentro da cratera de um vulcão extinto onde as estátuas costumavam ser esculpidas, o ambiente era fantasmagórico. As ferramentas utilizadas pelos escultores espalhadas pelo chão, estátuas inacabadas e outras deixadas para trás nas estradas que levavam ao litoral davam a impressão de que o lugar havia sido abandonado.
Quase 300 anos depois, o mesmo mistério que intrigava o capitão holandês ainda paira no pensamento de quem desembarca no aeroporto de Mataveri e depara com os enormes moais, as colossais estátuas de pedra que resistem há séculos na ilha de Páscoa. Entre esses visitantes está o biólogo americano Jared Diamond. Professor da faculdade de medicina da Universidade da Califórnia, Diamond é autor do livro Collapse (“Colapso”, previsto para sair em agosto no Brasil), que investiga os motivos pelos quais as sociedades desaparecem.
A trágica história dos construtores de moais se repetiu em diferentes épocas com civilizações pequenas ou grandes, poderosas ou minúsculas. E o que Diamond percebeu é que elas desapareceram por motivos semelhantes – na verdade, com apenas 5 fatores é possível explicar o desaparecimento de todas as civilizações da história. Até a civilização em que vivemos hoje – cheia de maravilhas tecnológicas e com dezenas de países interligados – poderia sofrer esse mesmo fim. Conheça esses perigos – e a história das sociedades que se expuseram a eles.
Destruindo o ambiente
A chave para entender o misterioso desaparecimento dos construtores de moais está em uma ilha muito diferente da terra infértil e desmatada que Roggeveen encontrou. Analisando o pólen conservado por milhares de anos no fundo de pântanos na ilha de Páscoa, cientistas descobriram que, quando os primeiros polinésios chegaram lá, provavelmente há cerca de 1 400 anos, encontraram um pequeno paraíso. Eram 166 quilômetros quadrados cobertos por uma densa floresta subtropical que crescia sobre o solo fértil de origem vulcânica do qual a ilha é formada. Entre a vasta vegetação nativa, a planta mais comum era uma espécie de palmeira alta e robusta que só existia ali. Além de ter uma madeira forte o bastante para a construção de embarcações e para ajudar a transportar os moais, a palmeira fornecia nozes para a alimentação dos moradores.
A riqueza da fauna também se refletia nas panelas da ilha. Carne de golfinho, de focas e de 25 tipos de pássaros selvagens compunham o banquete – tudo cozinhado no fogo da lenha retirada da floresta. Também, haja comida. Pelos cálculos da arqueóloga Jo Anne Van Tilburg, da Universidade da Califórnia, cerca de 25% dos alimentos produzidos na ilha eram consumidos na intensa produção e transporte de estátuas. Estima-se que eram necessárias até 500 pessoas, utilizando cordas e uma espécie de trenó feito de grandes toras de palmeiras, para arrastar os moais por 14 quilômetros até o litoral.
A partir do ano 1200, a produção de estátuas entrou num ritmo mais acelerado, que durou por cerca de 300 anos. Era preciso cada vez mais madeira, cordas e alimentos para sustentar a crescente disputa entre os clãs que dominavam a ilha, que competiam para ver quem erguia as maiores estátuas. A competição, no entanto, acabou sem vencedores. Pouco depois de 1400, a floresta já não existia e a última palmeira foi cortada, extinta juntamente com outras 21 espécies de plantas nativas. Com a floresta, foram-se as fibras que eram transformadas em cordas, utilizadas em conjunto com as toras no transporte dos moais. Sem troncos fortes para construir canoas resistentes, capazes de ir até alto-mar, a pesca diminuiu muito e a carne de golfinho virou raridade nas refeições. As colheitas também foram prejudicadas pelo desmatamento, já que não havia mais vegetação para proteger o solo da erosão causada pelos ventos e pela chuva. Com seu habitat devastado, todas as espécies de pássaros que voavam pela ilha foram finalmente extintas.
Sem ter o que comer, o número de habitantes foi reduzido a um décimo dos 20 mil que chegaram a viver na ilha no auge do culto aos moais. Os moradores, famintos, finalmente cederam ao canibalismo. Em vez de ossos de pássaros ou golfinhos, arqueólogos passaram a encontrar ossos humanos em escavações de moradias datadas desse período. Muitos deles foram quebrados para se extrair o tutano. Até hoje, um dos maiores insultos que se pode dizer a um inimigo na ilha da Páscoa é algo como “tenho a carne da sua mãe presa entre meus dentes”. Não sobrou madeira nem pra palito.
O nome do crime cometido pelos nativos da ilha de Páscoa é ecocídio. Explore demais os recursos naturais de uma área e ela estará sujeita a um desequilíbrio que pode levar ecossistemas inteiros ao desaparecimento. Como todo ser humano depende desses recursos, um ecocídio acaba levando ao fim de civilizações inteiras. Às vezes, nem é preciso muito esforço: a própria natureza cuida de mudar todo o ambiente.
Que o digam os vikings. No ano 982, eles estabeleceram uma de suas comunidades em um fiorde na Groenlândia. O clima ali não era tão extremo e o lugar tinha pastos onde criavam ovelhas, cabras e gado. Além disso, os vikings completavam a alimentação caçando focas e caribus e trocando mercadorias com o continente. Só que, por volta do ano 1400, o tempo fechou. Foi a chegada da “pequena era glacial”, uma mudança climática que esfriou o planeta por quase 500 anos. Os verões ficaram mais curtos, o que dificultou a criação de gado. As focas e os caribus fugiram para outras regiões. Enormes blocos de gelo atrapalharam a navegação e impediram o comércio com o continente. A única comida que sobrou foram os peixes, que os vikings não comiam por motivos religiosos. Já os esquimós, que habitavam a vizinhança, não tinham nenhum problema quanto aos frutos do mar e conseguiram se manter, para a infelicidade dos conquistadores nórdicos. É que as relações entre as duas tribos nunca foram das mais amigáveis, o que pode ser visto em um relato viking do século 15 sobre os vizinhos: “quando eles recebem uma punhalada superficial, ficam com uma ferida branca, que não sangra. Mas quando são feridos mortalmente, sangram sem parar”. Com a chegada do frio, os poucos nórdicos que restaram foram exterminados pelos esquimós.
Disputas entre homens
Não se pode culpar só a natureza pelo fim das civilizações. Como qualquer economista diria, crises comerciais podem ser tão destruidoras quanto a pior das catástrofes ambientais. Foi o que aconteceu, por exemplo, em outras duas ilhas do Pacífico Sul. Pitcairn possuía ótimas fontes de minério para a produção de ferramentas e Henderson, a 150 km dali, concentrava o maior número de pássaros da região. As 2 dependiam de uma terceira ilha, Mangareva, para conseguir árvores próprias para fazer canoas e ostras que eram transformadas em anzóis para pescaria. A partir de 1400, surgiu então uma intensa rota de comércio entre as 3 ilhas. Enquanto isso, a população de Mangareva aumentava à medida que a ilha prosperava. O problema é que o número de habitantes cresceu tanto que os recursos – antes abundantes – começaram a ficar escassos. As florestas foram derrubadas e o solo não resistiu e acabou erodindo. Os alimentos já não eram mais suficientes nem para os moradores de Mangareva, quanto mais para as exportações das quais dependiam os vizinhos de Pitcairn e Henderson. Mangareva entrou em guerra civil e as matérias-primas pararam de chegar às outras 2 ilhas, que se viram isoladas. Definharam até que o último habitante deixou cada uma delas ou morreu.
Você já deve ter percebido a esta hora que aquela história de que uma tragédia nunca vem sozinha faz sentido. Não contentes em sofrer com problemas naturais e comerciais, muitas sociedades acabam entrando em guerra pelos poucos recursos que sobram. E esse fator só acelera o colapso da civilização. Os maias, instalados na península de Yucatán, no México, eram uma das civilizações mais avançadas da América pré-colombiana. Tinham calendário e escrita próprios, desenvolveram conhecimentos relativamente sofisticados em arquitetura e astronomia, mas, mesmo assim, falharam em resolver os problemas que levaram sua civilização à ruína. Com uma população que ultrapassava os 5 milhões, plantações tomaram o lugar de florestas inteiras na tentativa de alimentar todo mundo. Mas a devastação resultou em erosão, empobrecimento do solo e aumento das secas. Mais gente e menos comida, no fim das contas. As constantes guerras se intensificaram e acabaram se tornando batalhas por terras e alimentos. Os reis maias preferiram se isolar a tentar resolver os problemas que dizimavam seus súditos. “Eles apenas foram os últimos a morrer de fome”, afirma Diamond.
Vamos sobreviver?
O estopim para que uma sociedade vire poeira está, para Diamond, na combinação destes 4 fatores: destruição do meio ambiente, alterações climáticas, crises nas relações comerciais e guerras. Só que é preciso um quinto fator – o mais importante de todos – para liquidar de vez um povo: a estupidez. Qualquer problema minúsculo pode acabar com um povo se ele for incapaz de se adaptar. Por outro lado, alguns povos atravessaram catástrofes terríveis e continuaram vivos por muitos séculos.
A grande preocupação de Diamond é que, hoje, as grandes potências estão incorrendo nesses erros – e, para piorar, não dão sinais de que vão se adaptar ou corrigir a situação tão cedo. Olhando em retrospectiva, fica claro que as sociedades antigas cometeram erros óbvios. Destruir a floresta da qual depende sua sobrevivência, como fizeram os polinésios da ilha de Páscoa, além de burrice, significa cometer suicídio. “Hoje temos mais de 6 bilhões de pessoas, equipadas com máquinas pesadas e energia nuclear, enquanto os nativos da ilha de Páscoa não passavam dos 20 mil habitantes com ferramentas de pedra e a força dos próprios músculos. Mesmo assim, eles conseguiram devastar o ambiente e levar sua sociedade ao colapso”, diz Diamond.
Segundo o biólogo, nossa maior vantagem é a possibilidade de aprender com os erros de nossos antepassados. “É uma questão de transformar conhecimento em ações concretas. Apesar de sabermos das conseqüências, não agimos o bastante”, diz Eric Neumayer, especialista em desenvolvimento sustentável da Escola de Economia de Londres, Reino Unido. Ele cita como exemplo o Protocolo de Kyoto, acordo internacional em que 141 nações se comprometem a reduzir a emissão de poluentes que contribuem para o aquecimento global. Mesmo sabendo das possíveis conseqüências de uma mudança climática, os EUA – os maiores responsáveis pela emissão de dióxido de carbono na atmosfera – preferiram não participar do tratado. “Não adianta se isolar. As partes ricas do mundo precisam descobrir como viver sem arruinar a atmosfera para o resto do planeta”, diz John Mutter, vice-diretor do Instituto Terra, da Universidade de Columbia, em Nova York. “Os países africanos, por exemplo, vão ficar mais pobres. Haverá mais conflitos e mais mortes. Se não fizermos nada, a situação não vai se estabilizar. Apenas vai ficar pior, pior e pior”, diz. Mas, na opinião dos cientistas, não há motivos para perder a esperança. “Nossas sociedades precisam produzir e consumir causando muito menos impacto ambiental do que hoje. Chegar lá não é fácil, mas é possível”, afirma Neumayer. Difícil mesmo é saber o que estava pensando o lenhador quando cortou a última palmeira da ilha de Páscoa. O que quer que fosse, tomara que não precisemos passar pela mesma experiência.


Cúpula do Clima da ONU 2014

A mudança climática não é um problema distante. Está acontecendo agora e está a ter consequências muito reais na vida das pessoas. A mudança climática está afetando as economias nacionais, nos custando muito caro hoje e ainda mais amanhã. Mas há um crescente reconhecimento de que soluções acessíveis e escaláveis ​​estão disponíveis agora que vai permitir-nos ultrapassar as economias mais limpas, mais resistentes.
Há uma sensação de que a mudança está no ar. Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convidou os líderes mundiais, de governo, finanças, empresas e sociedade civil para Cúpula do Clima 2014 este 23 de setembro de galvanizar e catalisar a ação climática. Ele pediu esses líderes para trazer anúncios ousados ​​e ações para o Summit que irá reduzir as emissões, fortalecer a resistência ao clima, e mobilizar a vontade política para um acordo legal significativa em 2015 Cúpula do Clima 2014 oferece uma oportunidade única para os líderes para defender uma visão ambiciosa, ancorada na ação que permitirá um acordo global significativo em 2015.
Todo mundo pode intensificar e tomar a ação climática. Visite o site da Cúpula do Clima da ONU para descobrir como. # Climate2014

domingo, 10 de agosto de 2014

Cancelamento automático de telefone, TV e internet começa a valer na terça-feira


Cancelamento automático de telefone, TV e internet começa a valer na terça-feira

Por iG São Paulo - 
Texto

Consumidor poderá rescindir contrato pela web, sem ligar para call center; veja outras regras que entram em vigor

A partir desta terça-feira (8)DE JULHO os consumidores poderão cancelar assinaturas de TV, telefone einternet sem precisar ligar para a central de atendimento  – ou, pelo menos, sem precisar convencer um atendente.
As operadoras desses serviços deverão oferecer a possibilidade de cancelamento automático em seus sites e, nas centrais de atendimento telefônico, por meio de uma opção que precise apenas ser digitada. Caso o consumidor prefira falar com um atendente, esse terá de cancelar o serviço no momento do pedido.
De acordo com as novas regras, divulgadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em fevereiro, o contrato deverá ser rescindido em no máximo dois dias úteis.
Também na terça-feira (8) começam a valer outras cinco regras estabelecidas pela agência reguladora para esses serviços.  Veja quais são elas:

SXC
Operadora terá de ligar de volta se ligação cair

- Operadora deve entrar em contato com o consumidor se ligação cair
Caso a ligação do consumidor para  a central de atendimento caia, a operadora deverá ligar de volta. Se o retorno não for possível, ela deve mandar uma mensagem de texto com o número do protocolo. As conversas devem ser gravadas e o consumidor pode solicitá-las em até seis meses.
- Operadora deve resolver problema com a conta em até 30 dias
Quando o consumidor questionar o valor de uma conta, a operadora deve dar uma resposta em até 30 dias ou terá de corrigir a fatura automaticamente. Caso o consumidor já tenha pago o valor questionado, tem direito a receber a quantia em dobro. É possível questionar as faturas até três anos após a emissão.

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Cobranças erradas devem ser resolvidas em até 30 dias

- Crédito de celular pré-pago tem validade mínima de 30 dias
Todo crédito de celular deve ter validade mínima de 30 dias e o consumidor deve ser avisado pouco antes de o prazo expirar. As operadoras também devem oferecer opções com validade de 90 e 180 dias, inclusive nas recargas em supermercados e outros locais fora da loja  própria.
- Promoção vale para todos, inclusive assinantes
Quem já é assinante pode se beneficiar das promoções feitas pelas operadoras. Atualmente, muitas limitam essas ofertas a quem não é cliente. O consumidor deve ficar atento a uma eventual multa por mudança de plano.




- Operadora deve explicar melhor os contratos
As operadoras tem de deixar claro, por exemplo, se um valor inicial é ou não promoção e, caso seja, quando sobe e para quanto.
- Fim da cobrança antecipada
Os consumidores só podem ser cobrados por um serviço após utilizá-lo. Hoje, algumas operadoras fazem cobrança antecipada de serviços que serão prestados até o fim do mês. Com a mudança, o cliente que cancelar o serviço no meio de um mês só pagará o valor proporcional.
Além dessas cinco mudanças, em março de 2015 entram em vigor outras duas normas: 
- Faturas antigas, contratos e histórico têm de ficar disponíveis na internet
As operadoras terão de disponibilizar em seus sites os contratos, as faturas de até seis meses atrás e o histórico de utilização de cada cliente, que poderá acessar e baixar as informações mediante uso de senha. Caso o consumidor rescinda o contrato, os dados poderão ser acessados até seis meses depois.
Gravações de atendimento e protocolos estarão disponíveis na internet
As operadoras também deverão disponibilizar em seus sites o histórico de demandas de cada consumidor nos últimos seis meses. O consumidor poderá solicitar as gravações de atendimentos feitos via central telefônica. Caso o contrato seja rescindido, os dados poderão ser acessados até seis meses depois.
Preços deverão ser apresentados de forma padronizada
Todas as operadoras terão de disponibilizar, de forma padronizada, os preços de seus serviços e as condições de oferta. O objetivo é facilitar a comparação de preços por parte do consumidor.
Por fim, em setembro de 2015 as operadoras terão de unificar o atendimento no caso de combos: ou seja, o consumidor poderá resolver questões relativas a quaisquer dos serviços do pacote em uma única central de atendimento.
O regulamento dos direitos do consumidor de serviços de telecomunicação pode ser consultado no site da Anatel.

PARQUE NACIONAL DE BOA NOVA ABRIGA MAIS DA METADE DAS AVES DA BAHIA

PARQUE NACIONAL DE BOA NOVA ABRIGA MAIS DA METADE DAS AVES DA BAHIA

Local é considerado um dos principais destinos do turismo para observadores de aves do País
Parque Nacional de Boa Nova abriga mais da metade das aves da Bahia
Brasília (01/08/2014) — O Parque Nacional de Boa Nova (BA) é uma das Unidades de Conservação (UCs) mais ricas em aves no Brasil e abriga mais da metade das espécies da Bahia. Atualmente, existem cerca de 438 espécies catalogadas na região. "Esse número cresce a cada dia. Na verdade, acreditamos que existam muito mais, mas ainda estamos em estudos", disse Johan Silva Pereira, chefe da unidade.
Devido à rica biodiversidade, o Parque é considerado um dos principais destinos do turismo para observadores de aves do País, que visitam o local diariamente para analisar o comportamento dos animais em ambiente natural. "Nos surpreendemos todos os dias com novas descobertas de aves, inclusive algumas edêmicas ou que estão ameaçadas de extinção", explicou Pereira.
Criado em 2010 junto com um Refúgio de Vida Silvestre (Revis), a UC tem, ao todo, 27 mil hectares e protege uma importante área na transição entre os biomas Caatinga e Mata Atlântica. Em apenas 15 quilômetros de caminhada, os visitantes passam da caatinga mais seca à floresta mais úmida e ainda conhecem a mata de cipó. No trajeto, existem várias nascentes que desaguam em meio a altas montanhas e formam cachoeiras deslumbrantes.
Na floresta de altitude, localizada entre os dois biomas, vive uma ave rara, conhecida como gravatazeiro (Rhopornis ardesiacus), uma das prediletas para os observadores.
Patrimônio arquitetônico
Além das belezas naturais, formadas por atrações como a cachoeira Sete de Setembro, que tem 70m de altura, Caldeirões do Rio do Chumbo, Lagedo dos beija-flores, Serra do Timorante, Mirante do Rio do Chumbo e Morro do Inglês, a região de Bova Nova tem um importante patrimônio arquitetônico e mantém uma intensa atividade cultural popular.
Para quem não conhece a região, existem guias locais profissionais para acompanhar e informar os visitantes sobre as principais atrações. "Essas pessoas são preparadas, inclusive, para tirar dúvidas sobre algumas espécies", finalizou o chefe do Parque Nacional de Boa Nova.