terça-feira, 18 de março de 2014

Hamburgo quer tirar carros das ruas em 20 anos

Hamburgo quer tirar carros das ruas em 20 anos
Fevereiro de 2014 •


A cidade de Hamburgo, na Alemanha, está lançando um projeto ousado de mobilidade urbana. A intenção é devolver as áreas tomadas pelos carros aos pedestres, ciclistas e parques, reduzindo ao máximo o uso de automóvel para transitar pelas ruas.
O plano prevê a ligação das maiores áreas verdes do município, como parques, reservas, playgrounds, jardins comunitários e cemitérios. Isso corresponde a 40% da área total de Hamburgo, que será totalmente interligada por meio de ciclovias e vias para pedestres.
Chamado de Grünes Netz (em português, Rede Verde), o plano será concluído entre 15 a 20 anos. A partir de então, os moradores poderão circular por toda a cidade sem ter que tirar o carro da garagem.
Também serão ampliadas as áreas verdes. De forma que, assim como os moradores, os animais também sejam beneficiados. Serão conectados habitats para que as espécies possam cruzar o município sem serem atropelados.
Para que a “Rede Verde” seja, realmente, coloca em prática uma equipe da prefeitura atuará na junção de forças: cada um dos sete distritos da região metropolitana terá um representante.
Além de melhorar o trânsito na cidade, um dos principais objetivos do projeto é reduzir a poluição de ar. A temperatura média anual de Hamburgo está em 9 graus Celsius, aproximadamente, 1,2 grau a mais do que há 60 anos. Neste período, o nível do mar também subiu cerca de 20 centímetros.

Prefeitura de Hamburgo
Redação CicloVivo

5 infográficos para entender as mudanças climáticas

5 infográficos para entender as mudanças climáticasDébora Spitzcovsky - 17/02/2014 às 10:00

Os infográficos deste post integram a Revista do Clima, volume 2, publicada pelo Planeta Sustentável em dezembro de 2013
infos-revista-clima
Com o aquecimento global, todo mundo vai ficar pelado? Não! Mas, então, o que pode acontecer, caso a temperatura do planeta suba além do limite de 2ºC, estabelecido pela ONU? E, no Brasil, quais são os impactos das mudanças do clima? Aliás, quanto custa reduzir as emissões de gases de efeito estufa no nosso país?
Entender as questões climáticas não é fácil. Trata-se de um assunto denso e complexo, mas atual e muito importante para a sobrevivência do planeta, da maneira como o conhecemos hoje.
Por isso, o Planeta Sustentável produziu 5 infográficos a respeito do tema para serem publicados nas revistas parceiras da Editora Abril. O material reúne os dados mais relevantes sobre as mudanças climáticas – tudo de forma muito simples e resumida, afinal não temos tempo a perder. Não deixe de vê-los (e lê-los), antes de entrar em qualquer discussão sobre clima.      
1. SÉRA QUE VAI CHOVER? 
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(veja aqui o infográfico ampliado)

2. SOMOS NÓS 

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(veja aqui o infográfico ampliado)
3. COM O AQUECIMENTO GLOBAL, TODO MUNDO VAI FICAR PELADO? 

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(veja aqui o infográfico ampliado)
4. OS CIENTISTAS ADVERTEM… 
cientistas-advertem-560
(veja aqui o infográfico ampliado)
5. QUANTO CUSTA REDUZIR AS EMISSÕES NO BRASIL?

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(veja aqui o infográfico ampliado)

segunda-feira, 17 de março de 2014

Aquecimento Global: professores da Uenf falam sobre efeitos na região

Aquecimento Global: professores da Uenf falam sobre efeitos na região

Produção agrícola seria uma das mais prejudicada no período de inverno
 Arquivo - Ururau / Reprodução *

Produção agrícola seria uma das mais prejudicada no período de inverno

As altas temperaturas registradas em todo o país nos últimos meses podem se tornar cada vez mais frequentes no decorrer do século. É o que aponta o estudo sobre os impactos do aquecimento global divulgado no final de 2013 pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), organismo criado em 2009 pelo Governo Federal com o objetivo de disponibilizar informações científicas sobre os aspectos relevantes das mudanças climáticas no Brasil.
Embora o momento seja de estiagem no Centro-Sul, as projeções mostram aumento de chuva no Sul e Sudeste e diminuição das chuvas no Norte e Nordeste, podendo apresentar, até o final do século, um acréscimo médio da temperatura global de 2ºC a 5,8°C (graus Celsius). A porção nordeste da Mata Atlântica poderá ter alta de temperatura (entre 2°C e 3°C) e baixa pluviométrica (entre 20% e 25%). 
Com base em experimentos realizados no Laboratório de Zootecnia e Nutrição Animal da Uenf (LZNA), o professor de aquicultura Manuel Vazquez Vidal afirma que, com o aquecimento das águas, animais de algumas espécies aquáticas podem sofrer morte embrionária em decorrência do aumento do consumo das reservas de vitelo, uma reserva de nutrientes das células-ovo que alimenta o embrião.
"O aquecimento provoca aumento no metabolismo dos animais pecilotérmicos (sangue frio), que passam a consumir mais nutrientes e antecipam sua época de reprodução. Num primeiro momento fica parecendo que apenas o calendário de desovas mudaria, mas o desenvolvimento embrionário também é afetado pela elevação da temperatura", disse.
Os anfíbios também poderão sofrer uma significativa diminuição nas suas populações existentes na Mata Atlântica. Estudo realizado por pesquisadores do Laboratório de Biogeografia da Conservação da Universidade Federal de Goiás (UFG) estima que até 12% das 431 espécies desses animais do bioma poderão ser extintas nas próximas décadas. O professor Carlos Ruiz-Miranda, do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da Uenf, lembra que os impactos não se restringiriam à óbvia perda destas espécies nativas.
"Os anfíbios são parte de uma cadeia alimentar que envolve várias espécies de vertebrados".
Outros organismos como mamíferos, aves, insetos e vegetais também ficariam suscetíveis a tais mudanças climáticas. Diferentemente do que ocorre com a espécie humana, muitas dessas espécies não conseguem se adaptar, principalmente as vegetais. Professor do Laboratório de Engenharia Agrícola da Uenf (LEAG), Elias Fernandes de Sousa explica de que forma este cenário afetaria a produção agrícola na região Norte Fluminense.
"O aumento da demanda hídrica no inverno poderia intensificar os efeitos das estiagens que ocorrem frequentemente no inverno e, no verão, a maior frequência de chuvas intensas provocaria inundações e alagamentos. Esses dois eventos já prejudicam bastante a produção agrícola na região. Com o cenário de aquecimento, os efeitos danosos poderão se intensificar", afirma Elias, lembrando que o Norte Fluminense normalmente se destaca no Estado do Rio de Janeiro pelo baixo índice pluviométrico comparado a outras regiões. 
Para o pesquisador, os efeitos desse aquecimento não se restringirão a uma determinada espécie.
"Com esse cenário, muito provavelmente todas as espécies vegetais e animais seriam alcançadas, pois as alterações climáticas previstas podem afetar toda forma de vida", afirma.
Como uma das soluções para o Norte Fluminense, Elias afirma que a região dispõe de recursos hídricos e de estruturas hidráulicas que podem ser utilizadas para um manejo da água visando reduzir os efeitos das estiagens.
"Deve-se investir na recuperação dos solos e da vegetação nativa em áreas estratégicas para contenção de morros e redução da erosão, aumentando a infiltração de água no solo e reduzindo os efeitos das chuvas intensas, principalmente em áreas de baixa produção agrícola", conclui.
* Fotos: Mauro de Souza e Thiago Macedo - Arquivo / Reprodução

FONTE:SITE URURAU.

Reforço aéreo na África, para proteger os animais

DRONES E ROBÔS

Reforço aéreo na África, para proteger os animais

Mesmo proibida desde os anos 70, a caça de animais selvagens no Quênia só cresce. Para conter a prática, o Parque Nacional Masai Mara adotou drones. Veja como funciona o sistema de proteção

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Raquel Beer Veja - 02/2014
Conservation Drones.org

A caça a elefantes no Quênia é ilegal desde 1973 - e, no entanto, desde 2010 pelo menos 1 092 animais foram mortos por caçadores. O Parque Nacional Masai Mara, que abriga mais de mil elefantes em seus 1 510 km2 - o equivalente ao tamanho da cidade de São Paulo -, começou a utilizar drones no fim do ano passado para vigiar e proteger os animais.

1. A equipe responsável pela segurança dos animais usa um programa similar ao Google Earth para traçar o percurso que o drone deve fazer, levando em conta a localização dos poucos elefantes que já têm coleira com GPS. O lançamento da aeronave é autorizado via iPad;

2. O drone, de 60 centímetros de diâmetro, equipado com câmera de foto e vídeo de alta resolução, decola e começa a percorrer o caminho previamente determinado;

3. A equipe de segurança analisa as imagens captadas para monitorar os animais e detectar a presença de caçadores;

4. As imagens flagradas pelos drones são armazenadas e depois analisadas por especialistas do parque, que assim podem determinar quais áreas devem ser mais policiadas;

5
. Caso o elefante se aproxime de alguma pessoa suspeita, ou de áreas em que haja registros de caça ilegal, a equipe desloca alguns dos guardas do parque para o local e aproxima o drone do elefante. Afugentado pelo barulho da aeronave, o animal ruma para longe do perigo
.

domingo, 16 de março de 2014

José Goldemberg: na prática, já vivemos um racionamento

CONSUMO DE ENERGIA

José Goldemberg: na prática, já vivemos um racionamento

O apagão do início de fevereiro foi um sinal de que há uma grave sobrecarga no sistema elétrico brasileiro, na avaliação de José Goldemberg, físico e ex-ministro de Ciência e Tecnologia

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Flávia Furlan Exame -/2014
CreativeCommons/johnnytakespictures

consumo de energia está crescendo por uma orientação do governo de ampliar o acesso da população a eletrodomésticos e a outros bens. Mas os investimentos para elevar a oferta de energia não têm acompanhado essa expansão. "O resultado é que o sistema elétrico está estressado", diz o físico José Goldemberg, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo e ex-ministro das pastas de Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente de 1990 a 1992. O pior: "Não há solução de curto prazo", afirma ele. "Por ora, é rezar para que chova."

Qual a sua avaliação sobre o apagão de 4 de fevereiro, que afetou 13 estados?
É um sinal grave de sobrecarga do sistema elétrico. Não tenho dúvida disso. O consumo está crescendo e não tem sido acompanhado das obras de infraestrutura necessárias. Então o sistema está estressado e no limite.

Qual o motivo para essa situação?A demanda por energia cresce rapidamente por uma orientação ideológica. O governo enfatizou o consumo das populações de baixa renda nos últimos anos. Não tenho objeção a isso, mas do jeito que está sendo feito leva a distorções.

Mas o investimento no setor tem crescido, certo?O investimento não está sendo feito corretamente. O governo entendeu que precisa atrair o setor privado com os leilões para geração. Só que, até recentemente, todas as fontes competiam entre si. Quem vencia sempre eram as hidrelétricas - o que é até bom, por serem mais baratas e poluírem menos. Mas elas sobrecarregam o sistema de transmissão, porque normalmente estão longe do local que abastecem. Outro problema é que os leilões são nacionais, mas deveriam ser regionais, para haver um tipo de geração que seja vantajosa - como a eólica no Nordeste, onde venta bastante, e a por biomassa em São Paulo, onde há muito bagaço da produção de cana-de-açúcar.

Qual o problema da transmissão de energia?Falta de manutenção. As linhas de transmissão são de responsabilidade do governo - só agora ele tem passado um pouco para a iniciativa privada. Eu fui presidente de uma empresa de energia e, dentro da cultura do setor, a manutenção não tem o mesmo prestígio da construção de usinas. A solução está em gerar mais energia, fazer leilões de forma correta e construir hidrelétricas com reservatórios para dar mais segurança ao sistema. Os ambientalistas vão reclamar, e o governo terá de gerir isso.

Há risco de racionamento de energia? Já estamos vivendo um racionamento na prática. É só ver as explicações oficiais depois do apagão: cortou-se a energia de um lugar e abasteceu-se aquele considerado mais importante. O operador do sistema fez muito bem. Mas isso mostra que o sistema cresceu desordenadamente.

Qual a diferença entre a reação do governo atual e a que houve no racionamento em 2001 e 2002?Naquela época, houve propaganda oficial para as pessoas apagarem as luzes e reduzirem o consumo. Desta vez, isso, que poderia ajudar muito, não está sendo feito.

O que esperar daqui para a frente?Se não chover dentro de um ou dois meses, os problemas vão se agravar. E aí não há solução para o curto prazo. O mais recomendável a fazer agora é rezar para que chova
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sábado, 15 de março de 2014

Brasileiro cria hortas verticais de baixo custo com garrafas PET

Brasileiro cria hortas verticais de baixo custo com garrafas PET
Março de 2014 • Atualizado às 16h36


O sistema Desenhe Plante transforma as paredes em hortas e jardins verticais sem gastar muito dinheiro e nem precisar de muito espaço, usando garrafas PET e outros materiais reaproveitados. Apostando em estratégias de design e arquitetura sustentável, o método criado pelo jovem empreendedor Irineu Costa Junior dá nova vida aos espaços cinza encontrados na cidade, e pode ser montado tanto pelos especialistas da empresa, como por pessoas com conhecimentos básicos de jardinagem.

O projeto surgiu com a tendência crescente dos jardins e hortas verticais pelo mundo, mas o idealizador apostou em materiais mais democráticos para a elaboração destas áreas verdes.  “Percebi que poderia unir a reutilização de garrafas PET com a ornamentação e cultivo de hortaliças em jardins verticais comparáveis aos construídos por renomados arquitetos”, diz Costa Junior, que aposta em diferentes desenhos nas suas criações.

Com o aproveitamento de materiais para a construção dos módulos verdes, o sistema garante uma economia de até 40% em relação aos jardins verticais convencionais. Além das garrafas PET, estas intervenções também utilizam outros recursos de design sustentável, como iluminação em LED e irrigação programável realizada por uma torneira simples. “Não estamos falando de um jardim artesanal como aqueles feitos de PET, em casa. O Desenhe Plante permite o plantio e instalação em paredes de alvenaria em boas condições, além da possibilidade de se fazer vários desenhos sem a necessidade de replantar os vegetais”, explica o idealizador.

Diversas plantas podem ser cultivadas nos módulos verdes verticais – o ideal é respeitar as características de cada ambiente, como a iluminação e as influências climáticas. Assim, vale apostar tanto em hortaliças que exigem cuidados mais simples e podem ser utilizadas na cozinha, como em plantas ornamentais.
Os locais que recebem pouca luminosidade, por exemplo, são indicados para o plantio de orquídeas e samambaias. Além disso, uma das vantagens do sistema é a ocupação de espaços versáteis. “Os módulos são excelentes para aplicação em quintais de casas, sacadas de apartamentos e jardins de inverno. Assim, você dará um destino digno a suas garrafas de refrigerante e também contribuir com as cooperativas de catadores da sua região”, completa o empreendedor.
A sede do projeto Desenhe Plante fica localizada em Sorocaba, interior de São Paulo, mas os trabalhos também são realizados na capital paulista e em todo o país – é o caso de um jardim em desenvolvimento em Curitiba. Costa Junior também explica que tem disponibilidade para fazer as instalações pessoalmente em outras partes do Brasil.
Por Gabriel Felix – Redação CicloVivo

Brasil lidera uso de agrotóxicos no mundo, mas apenas 13 vegetais são inspecionados

Brasil lidera uso de agrotóxicos no mundo, mas apenas 13 vegetais são inspecionados
... 2014 • Atualizado às 13h48


O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Como se isso não fosse o bastante, a fiscalização sobre o uso desses defensivos abrange uma quantidade muito pequena de culturas, o que coloca a saúde da população e os recursos naturais em risco.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avaliou amostras de apenas 13 vegetais no ano de 2012 – clique aqui para ver as análises completas. No mesmo período, os Estados Unidos e a União Europeia contaram com uma lista de 300 análises, feitas pela Food and Drugs Administration (FDA), nos EUA, e pela European Food Safety Authority, na Europa. Além disso, 22 dos agrotóxicos mais comuns em território nacional são proibidos pelos dois órgãos estrangeiros.
Entre os alimentos mais contaminados estão frutas e vegetais altamente consumidos por brasileiros, como cenoura, alface, laranja, arroz, tomate, pimentão, morango e soja, que é a cultura que mais utiliza agrotóxicos.
O impacto disso é sentido diretamente na saúde da população. Os trabalhadores rurais que lidam com os defensivos agrícolas na lavoura estão diretamente expostos, mas as pessoas que comem esses alimentos também estão, já que, não importa qual seja o cuidado com a lavagem, é impossível se livrar dos pesticidas previamente usados no plantio.
Em entrevista à revista Galileu, o doutor em Saúde Pública, Wanderley Pignati, explicou que não existe uso seguro para os agrotóxicos, mesmo que eles sejam aprovados pelos órgãos responsáveis. Ele ainda caracteriza o uso destes fertilizantes como uma contaminação intencional, que deveria ser considerada crime doloso, em que existe a intenção de cometê-lo.

Foto: Pixabay
Pignati explica que as consequências do agrotóxico no organismo podem ser: câncer, problemas neurológicos, má formação fetal e desregulação endócrina. Além disso, também existe todo o impacto que eles podem causar à natureza. Os alimentos de origem animal, como carnes, ovos, leites e outros industrializados não são sequer examinados quanto ao teor de agrotóxico presente em sua composição. A estimativa da Organização Mundial da Saúde é de que, anualmente, 20 mil pessoas morrem em consequência da exposição e contaminação por agrotóxicos.
Redação CicloVivo

sexta-feira, 14 de março de 2014

A filosofia dos fungos

NA CULINÁRIA

A filosofia dos fungos

O biólogo Roney Rocha cultiva cogumelos orgânicos nas montanhas de Nova Lima para abastecer cozinhas da capital

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Glória Tupinambás Veja BH - 2014

Gustavo Andrade/Odin

montanhas de Nova Lima, com clima mais ameno que o da capital, são um ambiente perfeito para o cultivo de um ingrediente disputado em refinadas cozinhas: os cogumelos frescos. Em estufas montadas no sítio Do Caminhante, no condomínio Jardins de Petrópolis, crescem shimejis, hiratakes e cogumelos-salmão. Lá, os fungos são tratados a pão de ló - ou melhor, a mamona, farelo de trigo, folha de bananeira e casca de arroz, os ingredientes da massa em que eles proliferam. 


A cada mês são germinados 400 quilos do produto, em um processo sem agrotóxicos nem fertilizantes que dura mais de cinquenta dias. Dono do sítio, o biólogo Roney Bernardes Rocha começou a cultivá-los há 28 anos. No início, os poucos clientes eram estrangeiros já habituados ao seu uso na culinária.



Com a valorização da gastronomia por aqui, Rocha acabou se tornando um dos maiores fornecedores de grandes empórios e restaurantes da cidade. A partir deste ano, porém, ele não venderá mais a esses fregueses. Para se manter fiel ao ideal da produção orgânica com preço justo, resolveu se dedicar a entregas em domicílio e em pequenos estabelecimentos comerciais. "Quero quebrar o jogo nocivo dos distribuidores, que exploram os produtores e inflacionam o preço ao consumidor final", afirma. 



Segundo ele, a bandeja de 200 gramas que vende a 6,50 reais não chega às prateleiras das redes de supermercados por menos de 10 reais. "Para mim, os cogumelos não são só um negócio, são uma filosofia de vida"
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A batalha da internet




Esta semana a Câmara dos Deputados deve votar o Marco Civil da Internet, projeto de lei que tem sido alvo de grandes interesses, especialmente do lobby das telefônicas. Nos últimos meses tenho lutado contra o poderoso grupo das empresas de telecomunicações, que através de deputados-lobistas querem transformar a internet numa espécie de TV a cabo, onde se poderia cobrar a mais para podermos assistir a vídeos, ouvir músicas ou acessar informações relevantes.

A internet é hoje a opção democrática daqueles que enfrentam o poder dos meios de comunicação tradicionais. Alguns deputados querem aprovar limites que irão favorecer aos provedores, que poderão usar nossos dados para vender serviços sem nossa autorização expressa. O argumento das empresas é falso: afirmam que com pacotes diferenciados poderão baratear a internet. Isso é tão verdadeiro como acreditar em Papai Noel. Se permitirmos que as empresas decidam a velocidade de acesso a cada tipo de conteúdo será o fim da liberdade e das inovações que espontaneamente aparecem na rede todos os dias. Entenda bem: permitir que a internet seja dividida em pacotes de serviço sem sentido, de qualidade duvidosa e controlada por um cartel de empresas é o fim da picada.

Um pequeno grupo de deputados, do qual faço parte, vem resistindo ao lobby patrocinado especialmente pelo PMDB, que não deve estar fazendo isso sem interesses inconfessáveis. É bom que nas próximas horas todos os amantes da internet livre entupam as caixas de e-mails de seus deputados avisando que na eleição deste ano, o voto em cada um deles no Marco Civil da Internet será amplamente debatido pelo conjunto da população, que irá saber quem votou em defesa dela ou se derreteu pelos carinhos das empresas de telefonia. Diga-se de passagem, as Organizações Globo e outras empresas de conteúdo também fazem parte do lobby. Será uma batalha decisiva para a liberdade de comunicação no Brasil. 

FONTE :BLOG DO GAROTINHO

quinta-feira, 13 de março de 2014

Fazenda em SP possibilita que clientes escolham frutas direto do pé

Fazenda em SP possibilita que clientes escolham frutas direto do pé
 Fevereiro de 2014 • 


Localizado em São Bento do Sapucaí, a 180 km de São Paulo, o Viveiro Frutopia oferece uma experiência inovadora para os visitantes: poder colher frutas vermelhas direto do pé e comprá-las por quilo.
A fazenda é especializada em frutas vermelhas, como framboesa, morango, amora e mirtillo, mas também cultiva azeitonas e uvas, que são utilizados na produção artesanal de azeites e vinhos comercializados no local.
O público também pode encontrar Pão de Campanha (fermentação natural) e geleias de tangerina, que são produzidas na fazenda. O quilo das frutas vermelhas varia de R$ 15 a R$ 25, os azeites por R$ 25 (250 ml) e os vinhos por R$ 60.
As visitas podem ser realizadas de dezembro a junho e devem ser agendadas no telefone (12) 99745-9897.
O proprietário do local, Rodrigo Veraldi, também possui o restaurante “Entre Vilas”, que funciona somente no almoço, de sexta a domingo - também é importante agendar a visita.

Corais prosperam em baía remota no Pacífico apesar da acidificação

Corais prosperam em baía remota no Pacífico apesar da acidificação

2014   -   Autor: Tanya Dimitrova   -   Fonte: Mongabay


Cientistas descobriram uma pequena baía em uma ilha no Pacífico que pode servir como um olho mágico para se espiar o futuro dos oceanos. A Baía da Ilha Rochosa, em Palau, abriga uma anomalia que ocorre naturalmente: a sua água é tão ácida quanto cientistas dizem que todo o oceano ficará em 2100 como resultado das crescentes emissões de dióxido de carbono (CO2).
Surpreendentemente, a baía contém um dos recifes de coral mais saudáveis do Pacífico. Em qualquer outro lugar do mundo, a acidificação da água resulta no declínio e morte dos corais. Não nas Ilhas Rochosas.
“Fiquei chocada que a cobertura, riqueza e diversidade de corais fossem tão altas apesar do nível de acidificação”, comentou Katie Shamberger, uma das coautoras de um estudo recém publicado, que reportou tal descoberta incomum.
A acidificação do oceano é um efeito bem conhecido das mudanças climáticas e das emissões de gases do efeito estufa. Mais CO2 na atmosfera faz com que o oceano absorva mais carbono. Esse processo reduz o carbonato de cálcio na água – o elemento que os corais usam para construir suas estruturas corporais. Isso os torna frágeis e sujeitos à dissolução na água.
Até agora, o pH do oceano (um parâmetro da acidez) caiu em 0,1 desde o período pré-industrial, segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Os cientistas calcularam que, até o final do século, o pH deve cair em mais 0,25 abaixo da média atual.
Por acaso, esse nível é exatamente a acidez na baía de Palau atualmente. Mesmo assim, o recife de corais é mais rico e mais saudável do que todos os outros que ocorrem naturalmente em regiões costeiras de alta acidez na Papua Nova Guiné, em Galápagos, no Golfo do Panamá e na Península de Yucatán. Por que os corais na Ilha Rochosa são os únicos não afetados pela acidificação?
“Não sabemos”, admite Shamberger. Possivelmente, após crescer nesta baía por milhares de anos, eles se adaptaram geneticamente. Ou pode haver alguma combinação de fatores ambientais que os permite sobreviver apesar da acidificação.
“O ponto essencial é que os recifes acidificados de Palau são uma exceção”, comentou Shamberger. “Isso não significa que, no geral, os recifes de coral conseguirão lidar com a acidificação do oceano.”
Mesmo se a adaptação genética à água altamente ácida for possível, os recifes da Ilha Rochosa provavelmente levaram milhares de anos para alcançá-la. Hoje, a acidificação está acontecendo rápido demais: outros recifes terão menos que 100 anos para tentar se ajustar.
Infelizmente, essa não é a única ameaça que as mudanças climáticas apresentam. A água do mar mais quente pode matar as algas que vivem dentro do esqueleto dos corais e os nutrem. Com a sua morte, os corais perdem tanto a fonte de alimento quanto a sua cor, por isso o processo é chamado de branqueamento. Às vezes, os corais podem se recuperar do branqueamento, mas, se a água permanecer muito quente por um período prolongado, isso pode causar a sua morte.
Finalmente, os recifes de coral precisam de muita luz para suas algas, portanto, devem estar próximos à superfície. Se os corais não puderem crescer verticalmente na velocidade suficiente para dar conta do aumento do nível do mar, eles podem se “afogar” – morrer por estarem muito fundo e não receberem luz suficiente.
“As mudanças climáticas são uma ameaça tripla aos corais”, comentou Shamberger. “Aquecimento, acidificação e aumento no nível do mar colocam em risco os recifes de coral.”

Imagem: Mudanças nos níveis de pH oceânico entre 1700 e a década de 1990. Plumbago/Creative Commons 3.0.
Referências: Kathryn Shamberger, Anne Cohen, Yimnang Golbuu, Daniel McCorkle, Steven Lentz, Hannah Barkley (2013).Diverse coral communities in naturally acidified waters of a Western Pacific reef. Geophysical Research Letters.
Traduzido por Fernanda B. Müller
Leia o texto original no Mongabay (em inglês)

Butão produzirá apenas alimentos orgânicos

Butão produzirá apenas alimentos orgânicos
Fevereiro de 2014 • 


O “país da felicidade” vai investir em uma alimentação mais saudável. Pesticidas, agrotóxicos e todos os químicos que são utilizados para controlar as pragas na agricultura não farão mais parte da vida dos butaneses.
Com uma das menores economias do mundo, a população vive essencialmente da agricultura e criação animal. Atualmente, os adubos orgânicos naturais já são a opção de muitos moradores devido ao custo alto dos produtos artificiais. Entretanto, mesmo os que possuem condições de arcar com os valores terão de ser adequar aos fertilizantes obtidos de seu gado.
A novidade, segundo a agência internacional Pressenza IPA, foi anunciada pelo ministro da agricultura, Pema Gyamtsho, que também é agricultor. Isso torna o Butão o primeiro país do mundo a produzir exclusivamente com agricultura ecológica.
Gyamtsho ressaltou os males que os químicos podem causar nas águas subterrâneas e a perda de valor nutricional dos alimentos na agricultura convencional. O governo pretende investir na variedade de alimentos imunes a pragas e, futuramente, exportar alimentos naturais para China, Índia, entre outros países vizinhos.
Redação CicloVivo

quarta-feira, 12 de março de 2014

Como espécies da Mata Atlântica responderão às mudanças climáticas e ao uso do solo?

PARA ENTENDER O FUTURO

Como espécies da Mata Atlântica responderão às mudanças climáticas e ao uso do solo?

Projeto que reúne pesquisadores brasileiros e americanos estuda processos da biodiversidade e das espécies da Mata Atlântica para prever seu futuro e adaptações às mudanças do clima e uso do solo. Ele foi apresentado e debatido em workshop promovido ontem (10/02) pela Fapesp e National Science Foundation

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whltravel/Creative Commons
Compreender os processos evolutivosgeológicos,climáticos e genéticos por trás da enorme biodiversidade e do padrão de distribuição de espécies da Mata Atlântica e, com base nesse conhecimento, criar modelos que permitam prever, por exemplo, como essas espécies vão reagir às mudanças no clima e no uso do solo.


Esse é o objetivo central de um projeto que reúne pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos no âmbito de um acordo de cooperação científica entre o Programa de Pesquisas em CaracterizaçãoConservação,Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (Biota-Fapesp) e o programa Dimensions of Biodiversity, da agência federal norte-americana de fomento à pesquisa National Science Foundation (NSF).

“Além de ajudar a prever o que poderá ocorrer no futuro com as espécies, os modelos a entender como está hoje distribuída a biodiversidade em áreas onde os cientistas não têm acesso. Como fazemos coletas por amostragem, seria impossível mapear todos os microambientes. Os modelos permitem extrapolar essas informações para áreas não amostradas e podem ser aplicados em qualquer tempo”, explicou Ana Carolina Carnaval, professora da The City University of New York, nos Estados Unidos, e coordenadora do projeto de pesquisa ao lado de Cristina Miyaki, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP).

A proposta, segundo Carnaval, é promover a integração de pesquisadores de diversas áreas – como ecologiageologiabiogeografiagenéticafisiologiaclimatologia,taxonomiapaleologiageomorfologia – e unir ciência básica e aplicada em benefício da conservação da Mata Atlântica.

O bioma é considerado um dos 34 hotspots mundiais, ou seja, uma das áreas prioritárias para a conservação por causa de sua enorme biodiversidade, do alto grau de endemismo de suas espécies (ocorrência apenas naquele local) e da grande ameaça de extinção resultante da intensa atividade antrópica na região.

A empreitada coordenada por Carnaval e por Miyaki teve início no segundo semestre de 2013. A rede de pesquisadores esteve reunida pela primeira vez para apresentar suas linhas de pesquisa e seus resultados preliminares na segunda-feira (10/02), durante o “Workshop Dimensions US-Biota São Paulo - A multidisciplinary framework for biodiversity prediction in the Brazilian Atlantic forest hotspot”.

“Convidamos alguns colaboradores além de pesquisadores envolvidos no projeto, pois queremos críticas e sugestões que permitam aperfeiçoar os trabalhos”, contou Miyaki. “Essa reunião é um marco para conseguirmos efetivar a integração entre as diversas áreas do projeto e criarmos uma linguagem única focada em compreender a Mata Atlântica e os processos que fazem esse bioma ser tão especial”, acrescentou.

Entre os mistérios que os cientistas tentarão desvendar estão a origem da incrível diversidade existente na Mata Atlântica, possivelmente fruto de conexões existentes há milhões de anos com outros biomas, entre eles a Floresta Amazônica. Outra questão fundamental é entender a importância do sistema de transporte de umidade na região hoje e no passado e como ele permite que a Mata Atlântica se comunique com outros sistemas florestais. Também está entre as metas do grupo investigar como a atividade tectônica influenciou o curso de rios e afetou o padrão de distribuição das espécies aquáticas.

DESAFIOS DO BIOTA
Durante a abertura do workshop, o presidente da Fapesp, Celso Lafer, realçou a importância de abordagens inovadoras e multidisciplinares voltadas para a proteção da biodiversidade da Mata Atlântica. Ressaltou ainda que a iniciativa está em consonância com os esforços de internacionalização realizados pela Fapesp nos últimos anos.

“Uma das grandes preocupações da Fapesp tem sido o processo de internacionalização, que basicamente está relacionado ao esforço de juntar pesquisadores de diversas áreas para avançar no conhecimento. Este programa de hoje está relacionado a aspirações dessa natureza e tenho certeza de que os resultados serão altamente relevantes”, afirmou Lafer.

Também durante a mesa de abertura, o diretor do IB-USP, Carlos Eduardo Falavigna da Rocha, afirmou que o programa Biota-Fapesp tem sido um exemplo para outros estados e outras fundações de apoio à pesquisa em âmbito federal e estadual.

Carlos Alfredo Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do Biota-Fapesp, apresentou um histórico das atividades realizadas pelo programa desde 1999, entre elas a elaboração de um mapa de áreas prioritárias para conservação que serviu de base para mais de 20 documentos legais estaduais – entre leis, decretos e resoluções.

Joly também falou sobre os desafios a serem vencidos até 2020, como empreender esforços de restauração e de reintrodução de espécies, ampliar o entendimento sobre ecossistemas terrestres e sobre os mecanismos que mantêm a biodiversidade no Estado e intensificar as atividades voltadas à educação ambiental.
Para 2014, Joly ressaltou dois desafios na área de conservação. “Estamos iniciando uma campanha para o tombamento da Serra da Mantiqueira. Já fizemos alguns artigos de jornais, estamos lançando um websiteespecífico e vamos trabalhar para conseguir tombar regiões acima de 800 metros, áreas apontadas como de extrema prioridade para conservação no atlas do BIOTA”, disse.


Outra meta para 2014, segundo Joly, é trabalhar para que o Brasil ratifique o protocolo de Nagoya – tratado internacional que dispõe sobre a repartição de benefícios do uso da biodiversidade – até outubro, quando ocorrerá a 12ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica.

“É fundamental que um país megadiverso, que tem todo o interesse de ter sua biodiversidade protegida por esse protocolo internacional, se torne signatário do protocolo antes dessa reunião”, afirmou Joly
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