terça-feira, 22 de julho de 2014

Uma cidade que se enterrou

Uma cidade que se enterrou

Coober Pedy, no sul da Austrália, é a capital mundial da opala. Para fugir do calor do deserto, seus cidadãos decidiram construir casas e lojas sob a terra, aproveitando a infraestrutura da mineração. O lugar virou destino turístico

/07/2014 
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Coober Pedy - a cidade que se enterrou (Foto: Miachael Hopkinsii/ Reprodução Flickr)
Coober Pedy é uma cidade australiana perdida no meio do nada. Construída em um deserto no sul da Austrália, ganhou fama em todo o mundo como a principal produtora de opalas. Desde sua fundação em 1915, Coober Pedy fornece as melhores opalas do planeta. Foi pela exploração da pedra que a cidade cresceu – mas não muito. Tem meros 3500 habitantes, aproximadamente. Tem de conviver, no entanto, com um obstáculo que dificulta sua prosperidade – pouca gente quer viver sob o calor inclemente do deserto. São 51 °C à sombra.

Para fugir ao sol, e às contas de ar-condicionado exorbitantes, seus habitantes desenvolveram uma estratégia engenhosa. Aproveitando túneis e cavernas cavadas pela mineração, levaram casas, hotéis e restaurantes para baixo da terra. Coober Pedy é uma cidade onde o agito acontece sob o chão.
Lá, uma residência típica está enterrada entre 2 e 6 metros de profundidade. Algumas são simplesmente escavadas na rocha, ao nível do solo. Banheiros e cozinhas ficam acima do solo, para facilitar o escoamento sanitário e o abastecimento de água. Se quiser ampliar a casa, basta escavar. Um puxadinho, inclusive, pode se tornar um bom negócio – com um solo rico em minério, há sempre chances de esbarrar em uma mina de opalas durante a reforma.
Coober Pedy começou a atrair curiosos por volta da década de 1980, quando foi construído o primeiro hotel subterrâneo. Basta circular pelo Flickr para encontrar diversas fotos tiradas por turistas encantados com a inusitada cidade. Além de casas e hotéis, há bares e igrejas para visitar.
RC

Hotéis e restaurantes foram parar debaixo da terra (Foto: Smart Encyclopedia/ Flickr)
As  entradas escavadas na rocha (Foto: Werner Bayer/ Reprodução Flickr)
Coober Pedy - a cidade que se enterrou (Foto: DuReMi/ Reprodução Flickr)
Os corredores do Lookout Cave Hotel, um dos hotéis subterrâneos da cidade (Foto: Albert Lausas/ Reprodução Flickr)
A cidade que se enterrou (Foto: Smart Encyclopedia/ Reprodução Flickr)
Mesmo as igrejas estão embaixo da terra (Foto: Werner Bayer/ Reprodução Flickr)
As chaminés que levam ar aos muitos túneis subterrâneos que ligam a cidade (Foto: Nicholas Jones/ Reprodução Flickr)
Coober Pedy - a cidade que se enterrou (Foto: Miachael Hopkinsii/ Reprodução Flickr)

Pesquisadores analisam impactos do clima e da ação humana em praias do Brasil

Pesquisadores analisam impactos do clima e da ação humana em praias do Brasil
 Julho de 2014


O estudo “Vulnerabilidade da zona costeira dos estados de São Paulo e Pernambuco: situação atual e projeções para cenários de mudanças climáticas” mostra que os efeitos das ações humanas podem ser ainda mais fortes do que os da própria natureza.
A pesquisa levou três anos para ser realizada e contou com a participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal de Pernambuco. Durante este período, os cientistas analisaram quatro praias dos dois estados, fazendo comparativos com imagens antigas, análises e dados sobre os níveis do mar, erosão, sedimentos e ocupação das regiões costeiras.
Após estudarem as praias de Ilha Comprida e Massaguaçu, em SP, e as praias de Piedade e do Paiva, em Pernambuco, os pesquisadores garantem que, nesses locais, as influências causadas pelo Homem causaram mais danos do que os efeitos das mudanças climáticas. Em declaração à Agência Fapesp, o coordenador do projeto, Eduardo Siegle, explicou que a escolha foi feita para que regiões com características diferentes fossem analisadas. Duas das praias são mais urbanizadas, enquanto as outras estão em áreas pouco habitadas.
As mudanças climáticas influenciam diretamente os ventos, o que, por sua vez, modifica a formação das ondas, alterando a direção e força. Em consequência disso, algumas praias têm sido redesenhadas, conforme esclarecido por Siegle. Os aspectos naturais também culminam na elevação do nível do mar, que pode gerar erosões e inundações.
No entanto, as ações humanas têm consequências ainda mais intensas. “Acompanhamos imagens de décadas. Nesse período, os impactos de uma ocupação mal feita do litoral podem ser muito maiores do que aqueles provocados por mudanças climáticas”, disse Siegle. O estudo mostra que, a urbanização impermeabiliza áreas litorâneas e isso provoca erosões mais acentuadas, um dos principais fatores de vulnerabilidade nas costas.
Redação CicloVivo

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Mais uma lei aperta o cerco contra o fumo

Mais uma lei aperta o cerco contra o fumo

JAIRO BOUER
07/07/2014 17h26 - Atualizado em 11/07/2014 17h03
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Na última semana, o Ministério da Saúde publicou a nova regulamentação antifumo, que deverá valer para todo o Brasil a partir de dezembro. Fica proibido fumar em qualquer ambiente fechado, de uso coletivo, público ou privado. Basicamente, o fumo será liberado dentro de casa e em locais abertos. Fumódromos (mesmo aqueles parcialmente fechados por teto, parede ou toldo) estão vetados. Não se poderá fumar também em pontos de ônibus cobertos, corredores ou marquises. A publicidade sobre fumo também está proibida.
A medida é mais uma aliada nas políticas para reduzir o impacto do fumo passivo e diminuir o número de fumantes no país. Nas duas últimas décadas, o índice de mais de 30% de adultos fumantes caiu para menos de 15%. Ainda é muita gente. Estima-se que metade dos fumantes morrerá por alguma causa diretamente relacionada ao tabaco.
Para alguns há a possibilidade de tabacarias, onde o fumo é permitido, aproveitarem brechas na lei para se transformar em bares. A lei de São Paulo, a mais restritiva, não permite nesses locais vendas de outros produtos além do fumo.
Na Argentina e na Espanha, há restrições para o consumo de cigarro também em ambientes públicos abertos, como ruas, parques e praias. A intenção é evitar que fumantes influenciem os mais jovens. Na Austrália, além dos preços elevadíssimos dos cigarros, em muitas cidades os maços não podem ser expostos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária definirá como a venda de cigarro deverá ser aqui. Nos estádios de futebol, o fumo é autorizado nas áreas descobertas. A explicação do Ministério da Saúde é a possibilidade de dispersão da fumaça. Se for levada em conta a influência que essas imagens pela TV podem ter, a norma será repensada.
Alguns Estados brasileiros aproveitam uma brecha criada pela Lei Geral da Copa que autoriza, em caráter excepcional, a venda de bebida durante os jogos da Copa do Mundo (medida bastante questionável), para garantir o comércio permanente de álcool após o torneio. Bahia e Rio Grande do Norte saíram na frente. A informação foi publicada no jornal Folha de S.Paulo. As leis estaduais vão contra a proibição federal, válida desde a implementação do Estatuto do Torcedor, em 2003.
Tirar o álcool dos estádios reduziu em até 75% a violência em estádios, diz o Ministério Público. Voltar a autorizar a venda de bebidas é um retrocesso tremendo. A questão está no Superior Tribunal Federal (STF). Agora, é torcer para que o STF não deixe que interesses comerciais se aproveitem de brechas em nossas leis.

Cidade mais desigual do Brasil vive completamente isolada

Cidade mais desigual do Brasil vive completamente isolada

Só é possível chegar de avião ou barco em São Gabriel da Cachoeira, município amazonense que detém o título de pior distribuição de renda do país

66 gestos de chimpazés são decifrados por cientistas

66 gestos de chimpazés são decifrados por cientistas
 Julho de 2014 • 


Um grupo de estudiosos está desvendando os significados da linguagem gestual dos chimpazés – a comunicação mais utilizada por eles. A pesquisa é mais uma confirmação científica de que, na vida selvagem, eles são os que desenvolvem o mais próximo dos gestos humanos.
Em cerca de um ano e meio de observações, na Reserva Florestal Budongo, na Uganda, foram 66 gestos decodificados e 19 mensagens diferentes catalogadas pelos autores Catherine Hobaiter e Richard Byrne, da Universidade de Saint Andrews, na Escócia.
"É conhecido há mais de 30 anos que os chimpanzés se comunicam desta forma, mas estranhamente ninguém tentou responder à pergunta óbvia: 'o que esses macacos realmente tentam dizer' ?", afirmou o professor Byrne.
Publicado no site da revista cientifica “Current Biology”, o estudo mostra que assim como a complexidade da linguagem humana, os chimpanzés também possuem um grande sistema de comunicação, com diversos gestos usados para a mesma finalidade. Os significados descobertos originaram um dicionário.
"Assim como com palavras humanas, alguns gestos têm vários sentidos. Chimpanzés podem usar mais de um gesto para o mesmo fim - especialmente nas negociações sociais, onde o resultado final pode ser uma questão de dar e receber”, explica a primatologista Catherine.
Segundo a pesquisadora, houve momentos em que registrava as interações e tinha a impressão de que alguns significados não eram possíveis ser capturados. “Às vezes, ela recordou, um chimpanzé fazia um gesto para o outro, em seguida, pareciam satisfeitos, embora nada mais parecia acontecer. Adoraria saber o que estava acontecendo”, afirmou ao site Wired.
Agora os pesquisadores da Universidade de Saint Andrews vão investigar possíveis variações de significado por trás de certos gestos dos chimpanzés.
Alguns gestos decifrados:
- Um abraço no ar é um pedido de contato
- Quando um chimpanzé bate no outro significa “Pare com isso”
- Bater em um objeto significa "Afaste-se"
- Levantar o braço significa "Eu quero 'ou' me dá isso"
- Quando uma mãe mostra a sola do pé é o mesmo que dizer "Suba nas minhas costas"
- Tocar o braço do outro é um pedido: "Me coce".
Confira o estudo completo "O significado dos gestos dos chimpanzés” aqui.
Redação CicloVivo

Campos com mais de 50 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas

Campos com mais de 50 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas

A Prefeitura de Campos está recuperando as ciclovias e implantando ciclofaixas, interligando uma ciclovia da outra, para atender ao grande número de ciclistas que circula pelas ruas da cidade (Foto: Secom)
A Prefeitura de Campos está recuperando e ampliando as ciclovias e implantando ciclofaixas, interligando uma ciclovia a outra, para atender ao grande número de ciclistas que circula pelas ruas da cidade. Segundo o diretor de Projetos Viários do Instituo Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), Paulo Dias, Campos possui mais de 50 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. Outras estão sendo construídas para garantir melhor mobilidade urbana, facilitando ainda mais a locomoção dos ciclistas com segurança.

Dias informou que o órgão já está interligando as ciclovias das Avenidas Felipe Uébe e Presidente Kennedy, com a pintura de ciclofaixas pelas Ruas Caldas Viana e Raul Escobar, já executada, e pelas Ruas Gastão Viana Sampaio, prolongamento da Raul Escobar, e José Bonaparte Vieira, prolongamento Caldas Viana, no Jóquei, cujo serviço está em andamento.

O diretor adiantou que o IMTT também fará a interligação das ciclovias das Avenidas José Carlos Pereira Pinto e 28 de Março. A ciclofaixa será pintada nas Avenidas Zuza Mota e Tancredo Neves, em Guarus, subirá a Ponte Barcelos Martins e passará pela Rua Barão de Miracema, no Centro. Outra ciclofaixa vai ligar a Praça São Salvador ao Parque de Exposições da Pecuária, passando pela Avenida Alberto Torres, Rua Visconde de Alvarenga e Avenida Presidente Vargas.

- Teremos ainda, a ciclovia da RJ-216 (Campos-Farol de São Tomé), que vai ligar as Avenidas Presidente Kennedy e 28 de Março até o posto do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv); e ciclovia que fará a ligação da 28 de Março até a Avenida Alberto Lamego, pelo trecho novo da Avenida Arthur Bernardes – informou Paulo Dias.
Por: Telmo Filho - Foto: Secom -  30/06/2014 08:35:21

domingo, 20 de julho de 2014

Projeto Tamar registra recorde de ninhos de tartarugas no RN

Projeto Tamar registra recorde de ninhos de tartarugas no RN
 Julho de 2014 • 


O Projeto Tamar/ICMBio registra e monitora cerca de 800 ninhos de tartarugas marinhas todos os anos no litoral sul do Rio Grande do Norte. No entanto, na temporada 2013 para 2014 foram identificados 956 ninhos, maior número desde o início do monitoramento, há 14 anos.
O monitoramento é feito ao longo de 42 km de praias protegidas entre Natal e a divisa com a Paraíba. Os locais onde os registros acontecem são as praias da Barreira do Inferno (municípios de Natal/Parnamirim), Malembá (Senador Georgino Avelino), Pipa e Sibaúma (Tíbau do Sul), Barra do Cunhaú (Canguaretama) e Baía Formosa. Nestas regiões, o período reprodutivo inicia em novembro e com os últimos ninhos eclodindo nos meses de julho e agosto. "Cerca de 86 mil filhotes devem nascer sob a nossa proteção", disse João Carlos Thome, coordenador nacional do Centro Tamar/ICMBio.
Apesar de todas as espécies de tartarugas marinhas já terem sido registradas desovando na região, cerca de 98% dos ninhos são da espécie tartaruga-de-pente, que está criticamente ameaçada de extinção no Brasil e no mundo. "Esse recorde de 956 ninhos demonstra que as praias do litoral sul Potiguar têm uma grande importância para a manutenção das tartarugas-de-pente no Brasil, apresentando a maior densidade de desovas para a espécie no Atlântico Sul", afirmou Thome.
Estudos das tartarugas marinhas
As pesquisas sobre essas espécies são complexas por elas serem migratórias, com ciclo de vida longo e alternância de fases, entre terrestres e marinhas. "Atualmente, temos que levar em conta novos desafios, como mudanças climáticas, doenças, pesca comercial, ocupação do litoral e a poluição dos mares", afirma o coordenador.
A proteção da população de tartarugas-de-pente conta com apoio do Centro de Lançamentos da Barreira do Inferno (CLBI/Aeronáutica) e Santuário Ecológico de Pipa (SEP), que permitem a consolidação das atividades do Projeto Tamar no litoral do Rio Grande do Norte.

Use as redes sociais para fazer o bem

Use as redes sociais para fazer o bem; fuja do extremismo

A revolução das redes sociais abriu caminho para que as pessoas dessem suas opiniões. Mas é preciso equilíbrio na hora de se manifestar

Gil Giardelli, da 
AFP
Teclado de computador
São Paulo - O muro ficou muito alto para você ficar em cima. A revolução das redes sociais abriu o caminho para a opinião. Em nenhuma era da história o homem teve tanta liberdade para se expressar.
Estamos dando um passo à frente no exercício de dizer o que pensamos. O inglês John Howkins, considerado o pai da economia criativa, diz que “nossas necessidades mudaram. Sai a sobrevivência e entram as emoções”. Ao ouvir a voz da multidão digital, descobrimos que a maioria das pessoas está insatisfeita.
Três situações mostram que as pessoas enfrentam o poder quando o encontram nas redes sociais:
• Marjin Dekkers, CEO da farmacêutica Bayer, disse em dezembro que um dos medicamentos do laboratório não havia sido desenvolvido para o mercado indiano, dando a entender que se tratava de uma droga para ricos. Foi criticado em todo o mundo e precisou se explicar aos acionistas da empresa.
• O chef de um restaurante fino de Lisboa, onde a presidente Dilma Rousseff jantou secretamente, publicou fotos com ela no Instagram e no Facebook após a refeição. E criou uma saia justa política para a presidência da República.
• Uma professora da PUC- RJ postou no Facebook a foto de um frequentador do Aeroporto Santos Dumont ironizando a figura do retratado com os dizeres “aeroporto ou rodoviária?”. Após reação pública, a professora acabou afastada pela direção da universidade.
Discordo do extremismo, na rede e nas ruas. O escritor britânico George Orwell estava certo ao dizer que, “se a liberdade significa alguma coisa, será, sobretudo, o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir”.
O problema é que a linha entre liberdade e libertinagem ainda é muito tênue. Aos erros cometidos há reações desproporcionais. Muitas vezes, de uma agressividade que destrói os bons argumentos.
Um profissional precisa ser responsável para dar opiniões na rede. Quando cunhou o conceito de design thinking, o americano Tim Brown profetizou: “Há um papel claro e real para a alta liderança, mas não é o de ter as ideias, e sim o de criar as condições para que elas existam”.
Use as redes para fazer o bem. Faça como o americano Jack Andraka, de 18 anos, que, após seu tio morrer de câncer de pâncreas, pesquisou na web e inventou um jeito barato de detectar os tipos da doença. A rede não é B2B ou B2C. É H2H, de humano para humano.