quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Mudanças Climáticas

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Mudanças Climáticas

Verões mais quentes e invernos mais rigorosos, maior número de enchentes, secas e incêndios florestais, aumento da intensidade e freqüência de tempestades e furacões, derretimento de geleiras e calotas polares e elevação do nível do mar são algumas das conseqüências das mudanças climáticas previstas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC - Intergovernamental Pannel on Climate Change) caso a temperatura do planeta continue subindo.

Estudos científicos comprovaram um aumento de 0,8ºC na temperatura média da Terra no último século, passando de aproximadamente 13,8ºC para 14,6ºC. Segundo os 2,5 mil cientistas do IPCC, o aquecimento global seria "muito provavelmente" causado pelo excesso dos chamados gases do efeito estufa lançados pelas atividades humanas na atmosfera desde 1750 e que, agora, ultrapassam “em muito” os valores pré-industriais.

Os três principais gases do efeito estufa são o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O).

A partir da revolução industrial, no século 18, as fábricas passaram a substituir a energia do vapor pela queima do carvão, que libera CO2. Com a descoberta do petróleo mais dióxido de carbono foi lançado para atmosfera, pois a queima de seus derivados, como a gasolina, também emite esse gás.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), desde o começo da era industrial, em 1750, a concentração média de CO2 teria aumentado 41%, a de CH4, 160%, e a do N2O, 20%.

“O aquecimento do sistema climático é inequívoco, como está agora evidente nas observações do aumento das temperaturas médias globais do ar e do oceano, do derretimento generalizado da neve e do gelo e da elevação do nível global médio do mar”, declararam os cientistas no quarto Relatório de Avaliação do IPCC, publicado em 2007.

Segundo o IPCC, os aumentos globais da concentração de CO2 se devem principalmente ao uso de combustíveis fósseis e à mudança no uso da terra. Já os aumentos da concentração de CH4 e N2O são devidos principalmente ao agronegócio.

O IPCC é a autoridade científica das Nações Unidas responsável pelas informações oficiais sobre o aquecimento global. A entidade reúne centenas de cientistas atmosféricos, oceanógrafos, especialistas em gelo, economistas, sociólogos e outros especialistas que avaliam e resumem os principais dados sobre mudanças climáticas. Durante a sua história, o IPCC publicou quatro "relatórios de avaliação".

O que o Brasil está fazendo?
(Fonte: IPAM)

No dia 9 de dezembro de 2010, o Brasil deu um importante passo com a assinatura do Decreto Nº 7.390, que regulamenta a Política Nacional de Mudança do Clima, que indica uma meta de corte de emissões entre 36,1% e 38,9%, com base numa projeção para o ano de 2020. Segundo esse documento, as emissões totais projetadas para 2020 no Brasil serão de 3.236 milhões de toneladas de CO2eq, compostas pelos seguintes setores:

I - Mudança de Uso da Terra: 1.404 milhões de t de CO2eq;

II - Energia: 868 milhões de t de CO2eq;

III - Agropecuária: 730 milhões de t de CO2eq; e

IV - Processos Industriais e Tratamento de Resíduos: 234 milhões de t de CO2eq.

O Decreto detalha o caminho que o Brasil pretende trilhar para atingir suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa para o ano de 2020 através do estabelecimento de metas setoriais de redução de emissão.

As ações elencadas para que se atinja esta meta são:

I - Redução de 80% dos índices anuais de desmatamento na Amazônia Legal em relação à média verificada entre os anos de 1996 a 2005;

II - redução de 40% dos índices anuais de desmatamento no Bioma Cerrado em relação à média verificada entre os anos de 1999 a 2008;

III - expansão da oferta hidrelétrica, da oferta de fontes alternativas renováveis, notadamente centrais eólicas, pequenas centrais hidrelétricas e bioeletricidade, da oferta de biocombustíveis e incremento da eficiência energética;

IV - recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas;

V - ampliação do sistema de integração lavoura-pecuária-floresta em 4 milhões de hectares;

VI - expansão da prática de plantio direto na palha em 8 milhões de hectares;

VII - expansão da fixação biológica de nitrogênio em 5,5 milhões de hectares de áreas de cultivo, em substituição ao uso de fertilizantes nitrogenados;

VIII - expansão do plantio de florestas em 3 milhões de hectares;

IX - ampliação do uso de tecnologias para tratamento de 4,4 milhões de m3 de dejetos de animais; e

X - incremento da utilização na siderurgia do carvão vegetal originário de florestas plantadas e melhoria na eficiência do processo de carbonização.

Outras metas serão construídas até novembro de 2011 para aqueles setores que não foram citados no decreto.

No âmbito das negociações internacionais, essas iniciativas são classificadas como NAMAs (Nationally appropriate mitigation actions, ou Ações de Mitigação Nacionalmente Apropriadas), que representam um conjunto de ações com o objetivo de reduzir os gases de efeito estufa de um país nacionalmente e que estão em discussão no âmbito da Convenção do Clima (UNFCCC).

O Brasil foi o pioneiro dentre os países do bloco não Anexo I do Protocolo de Quioto a assumir metas de redução de emissões, mesmo sem ter compromissos obrigatórios de redução. Após o anúncio do Brasil, outros países que também fazem parte desse bloco, como Indonésia, Índia, África do Sul e China também declararam suas metas voluntárias de redução das emissões até o ano 2020.

Em junho de 2013, dados divulgados pelo governo federal apontaram para uma queda na liberação de  gases do efeito estufa, sendo que o país já teria atingindo 62% da sua meta de redução. O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, declarou que entre 2005 e 2010 houve redução de 38,7% de CO2 equivalente nas áreas de energia, indústria, agropecuária e resíduos.

Nas estimativas, as emissões geradas pelo setor agropecuário aparecem com um aumento de 5,2% de 2005 a 2010. O percentual, no entanto, representa um ritmo abaixo do verificado na década anterior. Já o setor de energia foi responsável pela maior taxa de crescimento entre 2005 e 2010 – 21,4% –, mantendo o ritmo da década anterior, quando ampliou seus valores em quase 42%. No período analisado, as emissões de processos industriais aumentaram praticamente na mesma proporção que as do setor agropecuário: 5,3%.
O tratamento de resíduos ampliou seus números em 16,4% de 2005 a 2010. “Embora seja observado um aumento, é importante lembrar que o setor ainda representa somente 4% das emissões”, ressaltou a diretora de Políticas e Programas Temáticos do MCTI, Mercedes Bustamante. “Além disso, a estimativa se refere ao ano de 2010, e é provável que a gente tenha na próxima edição do relatório algum impacto da Política Nacional de Resíduos Sólidos.”

Ao longo de 2013, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, organismo científico criado pelo governo federal em 2009, publicou três estudos sobre os impactos do aquecimento global no Brasil. 
O primeiro volume do relatório, que avalia os aspectos científicos do sistema climático e suas mudanças, alerta que as projeções, de forma geral, mostram que haverá alta nas temperaturas do país no decorrer do século, diminuição das chuvas no Norte e Nordeste e aumento de chuva no Sul e Sudeste. Veja na figura ao lado as Áreas do Brasil mais suscetíveis às mudanças climáticas segundo o índice misto para
medir a vulnerabilidade socioclimática de uma região (SCVI). Áreas mais suscetíveis às alterações do clima estão em vermelho, correspondendo às áreas de maior densidade populacional. 

Em outubro, a segunda parte do relatório - que avaliou a vulnerabilidade dos sistemas natural e sócio-econômico, as consequências positivas e negativas das mudanças climáticas, e as opções de adaptação a elas - apontou que a agricultura deve ser o setor da economia mais afetado pelas mudanças climáticas ao longo do século 21. 

O terceiro documento, focado nas opções para mitigação das mudanças climáticas, traz propostas de redução da emissão de gases poluentes nos setores de energia, indústria, transporte, edificações, agropecuária e uso da terra. A publicação mostra que o Brasil, em 2010, reduziu as emissões para 1,25 bilhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2), em comparação com as emissões de 2,03 bilhões de toneladas em 2005 por causa do êxito no combate ao desmatamento.  As liberações de dióxido de carbono no Brasil passaram, a partir de 2010, a serem determinadas pelos setores de energia, por causa da queima de combustíveis fósseis, e da agropecuária. 

Uma ferramenta muito interessante sobre o cenário brasileiro das emissões em cinco setores - Agropecuária, Energia, Mudanças de Uso da Terra, Processos Industriais e Resíduos (Veja a figura abaixo) - , o 
Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa, foi lançada pelo Observatório do Clima em novmebro de 2013.

A intenção é que o sistema seja continuamente atualizado, se consolidando assim como uma importante fonte de informação para legisladores, jornalistas, especialistas e interessados em geral.


CONVITE ABERTO:REALIZAÇÃO DE AUDIÊNCIA PÚBLICA DE ESTUDOS DE IMPACTO DE VIZINHANÇA


REALIZAÇÃO DE AUDIÊNCIA PÚBLICA

O Presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Zacarias Albuquerque Oliveira, no uso de suas atribuições legais e regimentais, convida os membros do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo e público em geral para Audiência Pública, 

a ser realizada no dia 13 de agosto, às 15h, no auditório da Secretaria Municipal de Educação,


 referente à apresentação de Estudo de Impacto de Vizinhança – EIV, pela empresa MIRANDA FERNANDES EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA – Loteamento Vivenda Dos Coqueiros IV. A área do empreendimento está localizada no Jockey Club, ao lado dos Vivendas dos Coqueiros III. 

 Estará disponível para consulta prévia, cópia impressa e digital do referido EIV, na Coordenação de Licenciamento Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, entre os dias 25/07/2014 e 11/08/2014. O munícipe e/ou conselheiro interessado poderá obter cópia digital do EIV mediante a entrega de um CD.





Garotinho: “Sou ficha limpa e meu registro foi deferido”

Em sessão realizada na noite de hoje (04) o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deferiu o registro de candidatura do deputado federal Anthony Garotinho (PR), que tenta voltar ao governo do estado. Em seu blog, ele comemorou e garantiu que é ficha limpa. “O TRE acaba de deferir o meu registro de candidato ao governo estadual. Sem nenhuma pendência ou exigência, o registro deferido acaba com as invenções e mentiras das ‘viúvas de Cabral e Pezão’, que passaram o dia espalhando que minha candidatura seria vetada. Se alguém tinha a mínima dúvida agora está claro, sou ficha limpa, candidato ao governo do Estado com registro deferido pelo TRE, e vamos junto com o povo para a vitória!”, postou o candidato. 
Em seu blog “Na Curva do Rio” (aqui), a jornalista Suzy Monteiro postou nota sobre a decisão do TRE, que havia sido repercutida no Facebook pelo presidente do PR em Campos, Wladimir Garotinho.
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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Deserto encantado

Deserto encantado

Vento e chuvas esculpiram a paisagem dos Lençóis Maranhenses. Mas esse parque enfrenta problemas

por Ronaldo Ribeiro
     
George Steinmetz

Maranhão: paisagem de dunas e lagoas

O vento e a água esculpiram um improvável mundo de dunas e lagoas na costa do Maranhão. É como uma miragem, mas é real
No litoral do Maranhão, no Nordeste do Brasil, as dunas têm formato de lua crescente e, vistas do céu, lembram lençóis brancos expostos para secar sob o sol em tarde de ventania. É uma terra mágica, onde cardumes de peixes prateados nadam em lagoas que se formam depois das chuvas, pastores conduzem rebanhos de cabras sobre montanhas de areia branca, em caravanas bíblicas, e pescadores saem para enfrentar o mar tempestuoso sob a orientação das estrelas e de fantasmas de velhos naufrágios.
"A sensação é a de estar numa espécie de mundo paralelo, onde elementos distintos da natureza se encontram, com montanhas de areia e lagoas, rios e oásis de vegetação, tendo o mar como moldura ao fundo", descreve a analista ambiental Carolina Alvite, ex-diretora do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, uma área de 155 mil hectares demarcada em 1981 para proteger o ecossistema das dunas e a vegetação de restinga no entorno. No coração do deserto, aos olhos de forasteiros entorpecidos pelo verde ou azul intenso das lagoas, a sensação é a de que o mar das Bahamas ou das Maldivas foi, num passe de mágica, transportado para o meio do Saara.
Este é um deserto onde as miragens são reais.
Há 27 anos, o geógrafo Antônio Cordeiro Feitosa, professor da Universidade Federal do Maranhão, tenta entender a singular dinâmica dos Lençóis, caminhando pelas areias com seus alunos, medindo a direção e a velocidade do vento, a temperatura e a umidade do ar e da superfície do solo. As dunas fixas mais antigas, descobriram os pesquisadores, foram formadas até 12 mil anos atrás, e nos contam histórias de oscilações climáticas em que períodos mais secos foram intercalados por outros mais úmidos. "Os Lençóis são, acima de tudo, um palco de processos sedimentares raros e intensos, pelos quais a paisagem é transformada radicalmente por rigorosos ciclos sazonais", conta Cordeiro.
Todas as respostas vêm da água. A própria areia vem da água. A marcha de acontecimentos naturais que alimenta o cenário insólito começa quase 100 quilômetros a leste, no delta do rio Parnaíba, cujo leito caudaloso carrega para o mar muita areia e argila desde o interior do continente - outros rios, como o Preguiças, são coadjuvantes no mesmo trabalho. Essa massa de sedimentos é depois empurrada por correntes marinhas que fluem no sentido leste-oeste, e a maior parte dela acaba depositada nos 70 quilômetros da orla dos Lençóis, na área do parque nacional. Aqui, assim como em uma vasta faixa de costa no norte do Brasil, as marés são altas, vão a 7 ou 8 metros, e desenham praias muito largas e planas. Entra em ação a seguir um vento que sopra sem trégua na direção nordeste, sobretudo na estação seca, entre julho e dezembro, e se encarrega de conduzir a areia de volta ao interior por uma distância de quase 50 quilômetros, esculpindo dunas a perder de vista, cujas maiores podem alcançar 40 metros de altura. Grande parte delas é de um tipo conhecido como barcana, em formato de meia-lua, em que a parte convexa é sempre voltada para o vento.
Seria um deserto típico, arenoso e estéril, de horizontes amplos e luzes ofuscantes, mas então chove, e muito. A cada ano, entre janeiro e junho, a região recebe cerca de 125 centímetros de chuva, ao passo que, por definição científica, desertos têm precipitações que não superam 25 centímetros por ano. Um subsolo argiloso facilita a retenção da umidade e, em alguns lugares, o desenvolvimento de vegetação perene - há dois oásis habitados no interior dos Lençóis. Quando as areias ficam saturadas, liberam água para o lençol freático. Como a argila não permite a percolação da água para zonas mais profundas, a drenagem ocorre horizontalmente para aflorar em depressões entre as dunas, formando as la-goas. Algumas têm mais de 90 metros de comprimento e até 3 metros de profundidade. No início de julho, época em que estão mais cheios, esses corpos d’água chegam a interligar-se entre eles e com alguns rios que avançam pelas dunas, como o Negro. Com isso, os peixes podem migrar para as lagoas, onde se alimentam de outros peixes ou de larvas de insetos depositadas na areia. Certas espécies, como a traíra, passam toda a estação seca dormentes na lama, só despertando quando recomeçam as chuvas. Na seca, com a evaporação causada pelo calor equatorial, a água pode baixar 1 metro por mês, até que a maioria das lagoas seca completamente, à espera da volta das águas. "Na verdade, pelos critérios técnicos mais rigorosos, os Lençóis não são uma região desértica", diz Cordeiro.
Tal como as dunas e as lagoas, a gente dos Lençóis muda de acordo com a época do ano - além da população dos vilarejos existentes no entorno do campo de dunas, cerca de 90 homens, mulheres e crianças vivem no interior do parque, nos oásis de Queimada dos Britos e Baixa Grande. Na estação seca, os nativos criam galinha, cabra e vaca; cultivam mandioca, feijão e caju; e extraem a fibra de buriti e carnaúba, as palmeiras generosas que brotam nas margens dos alagados. Quando chegam as chuvas, a piscosidade das águas aumenta, assim como o plantio se torna mais árduo. Muitos partem para o litoral, onde vivem da pesca em cabanas improvisadas na praia deserta. Ali salgam e secam a carne do camarupim e de outras espécies para intermediários que, depois, vendem o pescado nas cidades.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que administra os parques nacionais brasileiros, aplica atualmente uma política de populações tradicionais, uma tentativa de estabelecer diálogo e procurar soluções de interesse comum entre as prioridades dos parques nacionais e as pessoas que vivem dentro das áreas protegidas. "Os nativos são importantes, pois preservam um estilo de vida que também é patrimônio, mas é preciso buscar um caminho que permita que esse modo de vida não ameace a biodiversidade local", avalia Carolina Alvite.

Anta: a jardineira das florestas

Anta: a jardineira das florestas

por Fábio Paschoal / julho de 2014
     
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Anta-sul-americana (Tapirus terrestris) - Foto: Fábio Paschoal
Anta-sul-americana (Tapirus terrestris) – Foto: Fábio Paschoal
Existem 5 espécies de antas conhecidas pela ciência: a anta-da-montanha (Andes), a anta-centro-americana (América Central) e a anta-malaia (Indonésia) – que estão ameaçadas de extinção segundo aIUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês). Em território brasileiro encontramos a anta-sul-americana, que é considera vulnerável, e a anta-pretinha, descoberta recentemente.
“A anta [Tapirus terrestris] é o maior mamífero terrestre da América do Sul. Além disso, é a jardineira de nossas florestas por ser uma excelente dispersora de sementes, contribuindo desta forma para a formação e manutenção da biodiversidade dos biomas brasileiros onde vive (AmazôniaPantanal ,Cerrado e Mata Atlântica). E tem mais: estudos recentes mostraram que a espécie tem uma quantidade imensa de neurônios, confirmando que ela é um animal extremamente inteligente. Portanto, a cultura brasileira de usar anta como xingamento, com conotação pejorativa, é completamente injusta e absolutamente infundada. Ser chamado de anta é um elogio!”. As palavras são de  Patrícia Médici, Ph.D. em manejo de biodiversidade e coordenadora da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira. O objetivo do projeto é estabelecer um programa de pesquisa e conservação da anta-sul-americana na região do Pantanal e depois expandir as ações para a Amazônia e o Cerrado.
Anta-centro-americana (Tapirus bairdii) – Foto: Santhosh Kumar/iStock/Thinkstock
Anta-centro-americana (Tapirus bairdii) – Foto: Santhosh Kumar/iStock/Thinkstock
Em agosto de 2013, a pesquisadora, em parceria com a  jornalista ambiental Liana John, lançou a campanha Minha Amiga é uma Anta, desenvolvida para o público infanto-juvenil (veja o vídeo da campanha no final do post). A intenção é chamar a atenção sobre a importância da conservação da anta brasileira, despertar o orgulho pela ocorrência da espécie no Brasil e desmistificar o conceito de que “anta” é um ser desprovido de inteligência .
site da campanha traz informações sobre a espécie, materiais para brincar (desenhos para colorir, jogos de palavras cruzadas, ligue os pontos etc.), materiais para estudo e trabalhos de escola, fotografias, ilustrações e vídeos. Também é possível imprimir uma carteirinha de Amigo da Anta e baixar a cartilha educativa da anta brasileira, escrita por Liana John e Patrícia Medici e ilustrada pelo cartunista Luccas Longo.
Tapirus kabomani é a primeira espécie de anta descoberta após Tapirus bairdii, descrita em 1865 - Foto: Divulgação
A anta-pretinha (Tapirus kabomani) é a primeira espécie de anta descoberta após Tapirus bairdii, descrita em 1865 – Foto: Divulgação
O trabalho de Patrícia é reconhecido internacionalmente. Ela foi escolhida este ano para o TED Fellows Program, que seleciona jovens inovadores, engajados e inspiradores e os treina para que façam palestras no TED Talks. O programa é uma iniciativa do movimento global TED (Technology, Entertainment and Design) – organização sem fins lucrativos dedicada ao conceito baseado em Ideas Worth Spreading(ideias que merecem ser espalhadas, na tradução literal do inglês). A pesquisadora irá participar da próxima conferência TEDGlobal, que será realizada no Rio de Janeiro, em outubro, com o tema “Sul!”
Anta-da-montanha (Tapirus pinchaque) – Foto: Diego Lizcano/Creative Commons
Anta-da-montanha (Tapirus pinchaque) – Foto: Diego Lizcano/Creative Commons
Para chamar a atenção para a importância desses animais foi criado o Dia Mundial da Anta (27 de abril). Apesar de dar margem para inúmeros trocadilhos, a data tem um propósito sério: a conservação das cinco espécies de antas encontradas no planeta.
O desmatamento, a fragmentação do habitat, a competição com animais domésticos, a caça ilegal e os atropelamentos em rodovias fazem com que a população das antas continue diminuindo. Nada mais justo do que um dia para lembrar a importância de cuidar bem desses simpáticos animais.
Anta-malaia (Tapirus indicus) – Foto: wathanyu/iStock/Thinkstock
Anta-malaia (Tapirus indicus) – Foto: wathanyu/iStock/Thinkstock


Fotos de Luis Filipe Melo
Fotos de Luis Filipe Melo


O mês de agosto começou e no próximo dia 18 entra no ar a propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Até agora todas as campanhas foram para a rua, mas ainda se estruturando, organizando a logística de distribuição de material. A partir deste mês é que o bloco estará todo na rua.

Esta semana o SBT, a Folha e o UOL fazem a primeira rodada de entrevistas com os candidatos ao governo do Rio. Eu serei entrevistado na quarta-feira (6). E lembrando que o primeiro debate, na Band, acontecerá no dia 14 de agosto.

Mas vamos analisar o quadro eleitoral do momento. Dois fatos são inquestionáveis, de acordo inclusive com as pesquisas do IBOPE (manipulada) e DATAFOLHA (com erro de metodologia): Garotinho lidera e vem crescendo em relação a levantamentos anteriores. Hoje, de acordo com pesquisa para consumo interno, eu estou com 25%; Crivela, 17%; Pezão, 13%; e Lindbergh, 9%.

Outros dois fatos cristalizados é que Lindbergh vem caindo pesquisa após pesquisa, e que Crivella empacou nos 17%, seu teto tradicional, mas deve cair até por conta da declaração desastrada de que os pobres da Baixada vêm roubar na cidade do Rio de Janeiro, que gerou uma reação muito negativa.

Quanto a Pezão teve uma ligeira subida facilmente explicável. Passou a ter ampla exposição diária na mídia como governador, não fez outra coisa a não ser campanha, despejou milhões em publicidade e botou toda a máquina estadual para trabalhar para a sua candidatura. Está hoje na faixa de 13%, muito menos do que planejaram e sonharam seus marqueteiros. Eu mesmo imaginava que Pezão pudesse chegar neste período eleitoral com melhor desempenho. Com todos esses impulsos era de se esperar que Pezão estivesse hoje no patamar de Crivella, mas é fraco, ruim de rua e ainda por cima desastrado. Desgastou-se mais uma vez desnecessariamente ao defender Rodrigo Bethlem, foi o único a levantar a voz para defendê-lo.

A Globo e o IBOPE tentam inflá-lo de qualquer maneira, mas Pezão é pesado e difícil de levantar. Porém com toda a máquina e os milhões da campanha mai cara da história do Rio de Janeiro tende a passar Crivella e disputar o 2º turno comigo.

Esse é o contexto atual. Mas podem estar certos de que não vou ficar comemorando esse quadro favorável de liderança, e em ascensão. Com fé em Deus vou gastar muita sola de sapato, vou ao encontro do povo que é a força que me sustenta, e como disse na reunião que fiz com todos os candidatos na última quinta-feira, vou trabalhar incansavelmente, todos os dias, de manhã até à noite, para conquistar o voto dos eleitores fluminenses. Conto com o apoio de todos vocês para chegarmos à vitória! 

FONTE  BÇOG DO GAROTINHO

terça-feira, 5 de agosto de 2014

A biodiversidade corre perigo

A biodiversidade corre perigo

Este é o alerta do estudo publicado recentemente por nove cientistas, na revista Science, entre eles Clinton Jenkins, da Universidade do Tennessee, que está no Brasil a convite do Instituto de Pesquisas Ecológicas. Ele revela que, hoje, a extinção de espécies no mundo, provocada pelo homem, é mil vezes maior que a taxa natural

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Roberto Amado
Planeta Sustentável -07/2014
jacki-dee/Creative Commons

A taxa atual de extinção das espécies é mil vezes maior do que a taxa natural. Essa é uma das principais conclusões do artigo publicado recentemente na revista Science, fruto de pesquisa feita por nove cientistas. Um deles é Clinton Jenkins, doutorado em ecologia pela Universidade de Tennessee. Contemplado com bolsa do Capes pelo programa Ciência Sem Fronteiras, Jenkis está morando no Brasil como professor convidado do Ipê - Instituto de Pesquisas Ecológicas*, organização brasileira que atua na conservação da biodiversidade.Sobre esse trabalho, Jenkins falou com exclusividade para o Planeta Sustentável.
Do que trata esse estudo publicado na Science?
É um resumo de pesquisas sobre biodiversidade dos últimos dez anos feitas por vários pesquisadores. Com ele, criamos um mapa da biodiversidade mostrando as taxas de extinção,a incidência e os riscos de vários grupos — como aves, mamíferos, anfíbios, peixes e plantas.

Também constatamos que, hoje, a taxa de extinção de espécies é mil vezes maior que a taxa natural. A natureza promove uma extinção entre 0,1 e 1 espécie por milhão de espécies por ano. Ou seja, num universo de um milhão de espécies, apenas uma espécie, no máximo, será extinta a cada ano. Mas hoje, neste mesmo universo, está ocorrendo a extinção de mil espécies por ano.

Quantas espécies existem no planeta?A gente tem uma ideia, mas não sabe exatamente quantas são — cinco, dez, vinte milhões... Mas é verdade que temos um número mais aproximado de alguns grupos. Aves, por exemplo, são cerca de dez mil espécies. Mas os insetos podem ter milhões de espécies. Por isso, quando falamos de extinção temos que usar essas medidas relativas.

Qual é a causa desse aumento de extinção?
É a ação do homem. Quinze anos atrás foram feitas pesquisas que apontavam uma taxa de extinção cem vezes maior do que a natural. Na maioria dos casos, a queda da biodiversidade é causada pela perda de habitat, o desflorestamento, para dar lugar a cidades e a áreas cultiváveis. Também contribuem a introdução de espécies exóticas, que competem com as naturais, e a prática da caça  pelo homem.

Quais as espécies mais ameaçadas?A dos anfíbios. Esse grupo está passando por um grande problema, uma doença. Na verdade é um fungo que está dizimando os anfíbios, conhecido como BD (Batrachochytrium dendrobatidis). Ninguém entende exatamente como esse fungo funciona e há vários cientistas pesquisando possibilidades de controlá-lo. É um fato novo que provavelmente tem conexão com a humanidade, mas ninguém sabe exatamente porque esse problema surgiu agora.

Quais são as regiões mais vulneráveis?As regiões tropicais, em geral, são as mais vulneráveis porque possuem mais diversidade biológica. As grandes prioridades hoje são os Andes Tropicais, a ilha de Madagascar, algumas regiões do sudeste da Ásia como Indonésia, e a Mata Atlântica, no sul do Brasil.

Qual é o problema da Mata Atlântica?
É uma das regiões que mais preocupam, porque lá provavelmente já foram extintas algumas espécies. Mas muitas delas podem ser salvas se fizermos um grande esforço, preservando as nascentes da floresta, restaurando algumas áreas e, muito importante, criando conexões entre as matas remanescentes. Há muita fragmentação, muitas florestas isoladas, e isso é muito ruim porque nas florestas isoladas as espécies vão gradualmente desaparecendo. É preciso eliminar esses corredores entre as áreas de florestas.

Qual foi o método empregado para fazer a pesquisa?
Nós utilizamos ferramentas novas para abordar o problema. E hoje ainda há algumas ferramentas que permitem a colaboração pública. Ou seja, qualquer um pode monitorar a biodiversidade, tirar fotos de uma espécie e postar na internet para os pesquisadores identificarem. Dessa maneira, estamos criando um banco de dados com milhões de espécies. É quase um museu virtual. Nós usamos o site iNaturalist* para fazer nossa pesquisa, combinando dados sobre algumas espécies com distribuição restrita, ou seja, endêmicas, com dados sobre a distribuição das espécies em geral e, também, com as informações sobre áreas em que ocorrem desmatamentos. Desta forma, pudemos avaliar os riscos de cada espécie.

Quer dizer que hoje temos muito mais informações sobre biodiversidade?
Sim. E sobre extinções também. Sabemos quais espécies estão em risco e quais partes do mundo são mais importantes. O monitoramento já não é mais um trabalho exclusivo de cientistas, mas de qualquer pessoa que tenha interesse. E monitorar é muito importante.  O desmatamento da Amazônia foi reduzido em 70-80% nos últimos anos graças, em grande parte, ao monitoramento criado pelo governo.

Porque a biodiversidade é importante?
Essa é uma boa pergunta. A importância depende do interesse de cada um, as pessoas têm motivos diferentes. Certamente, a biodiversidade tem valor para a medicina e a economia. Na verdade, ainda não conhecemos o valor, a importância da biodiversidade. Mas, sem dúvida, há um aspecto ético: estamos eliminando essa riqueza do mundo para as gerações futuras. Ninguém quer que, daqui a cem anos, nos acusem de termos eliminado essa preciosidade. 

No caminho do futuro

No caminho do futuro

Os carros estão ficando cada dia mais high tech. Agora é a vez das estradas entrarem na era da tecnologia

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Divulgação

Esqueça por um momento a precariedade das estradas brasileiras da atualidade e faça um exercício de futurologia. Pense em como poderiam ser as rodovias daqui alguns anos. Há um infinito de possibilidades palpáveis sendo desenvolvidas e até mesmo testadas por pesquisadores em várias partes do mundo para que nossos caminhos sejam muito mais suaves, seguros e sustentáveis. O que pouca gente sabe é que esse futuro pode estar bem mais próximo da nossa realidade do que se imagina.

Tais possibilidades incluem painéis solares no lugar do asfalto para gerar energia elétrica limpa, sinalização de solo feita com tintas especiais que emitem luz durante a noite aposentando de vez os velhos postes de iluminação e até mesmo placas de sinalização sensíveis às condições climáticas para alertar os motoristas sobre as condições do tempo. Até mesmo estradas conectadas à internet para controlar o tráfego e oferecer mais segurança aos usuários. Na Europa e Estados Unidos estão sendo chamadas de smart highways, ou rodovias inteligentes. Para muito breve elas estarão saindo do papel para fazer parte do cotidiano.

Um dos projetos de smart highways tornou-se realidade em abril deste ano, na Holanda. Por lá o criativo designer Daan Roosegaarde estabeleceu parceria com Hans Goris, diretor do escritório de engenharia Heijmans Infrastructure, para inaugurar um trecho da primeira estrada que brilha no escuro. O protótipo de smart highways está sendo testado em uma extensão de 500 metros da rodovia N-329 em Oss, cerca de 100 km a sudeste de Amsterdam. Esse ainda pequeno percurso recebeu uma pintura especial que brilha no escuro, dispensando o uso da iluminação pública tradicional com postes de luz.

Para conseguir essa inovação, Roosegaarde e a Heijmans Infrastructure utilizaram tinta especial contendo um pó que - carregado durante o dia pela própria luz solar - libera aos poucos um brilho verde intenso durante oito horas no período noturno. "O governo está apagando a iluminação pública à noite para economizar dinheiro, a energia está se tornando muito mais importante do que poderíamos ter imaginado 50 anos atrás", afirmou o designer holandês à agência de notícias britânica BBC.

Roosegaarde ainda quer fazer mais pelas estradas do futuro com o projeto que ele batizou de "Rota 66 do Futuro". O nome é uma homenagem à lendária rodovia norte-americana, cenário de inúmeros filmes famosos. Aberta em 1926, ligava Chicago a Santa Mônica, na Califórnia, em mais de 4 mil km, mas foi fechada oficialmente na década de 1980. "Sempre me impressionou o fato de gastarmos bilhões em projetos de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para os carros, mas as estradas ficaram completamente imunes a esse processo", disse.

Agora, Roosegaarde está se debruçando sobre ainda mais de uma dezena de novidades para as rodovias, a ser divulgadas nos próximos anos. Ele comentou uma delas: criar símbolos gigantes no asfalto em forma de flocos de neve com uma tinta sensível à temperatura. Assim, quando os termômetros caírem drasticamente as figuras apareceriam na pista avisando aos motoristas de que há neve se formando. Essa ideia também está em fase de testes.

Outro projeto bastante viável do designer é uma pista exclusiva para os carros elétricos, cada vez mais disponíveis no mercado, inclusive no Brasil. essa faixa exclusiva nas rodovias teriam dispositivos de transmissão de energia sem fio. Assim, os elétricos seriam recarregados durante a viagem. Essa tecnologia já existe em alguns países para recarregar baterias de celulares.

Ideia semelhante à do designer holandês, mas ainda mais ambiciosa, vem do estado de Idaho, nos Estados Unidos. Lá, a empresa Solar Roadways* está desenvolvendo um projeto-piloto para substituir o asfalto das estradas por painéis de células solares ultrarresistentes, capazes de suportar o trânsito pesado de automóveis, ônibus e caminhões. Com esse revestimento, as rodovias ganharão inúmeras vantagens. A principal é captar energia solar. Com isso, será possível substituir as faixas de sinalização de solo por pequeninas lâmpadas de LED, colocar resistências ao longo do caminho para derreter a neve que venha a se formar e recarregar veículos elétricos.

Não é só. A Solar Rodways pretende gerar eletricidade limpa a fim de abastecer bairros inteiros nas proximidades das rodovias. Os proprietários da Solar Roadways - o casal Julie e Scott Brusaw - há oito anos tentam viabilizar financeiramente seu projeto e já receberam verbas do governo federal para colocá-lo em prática.

No Reino Unido, uma iniciativa inovadora vai tornar a rodovia A-14 interligando as cidades de Felixstowe e Cambridge a primeira a conectada inteiramente à internet, ainda este ano. Sensores foram colocados ao longo dos 70 km da estrada com o intuito de transmitir dados sobre o movimento de tráfego. Essas informações podem, então, ser enviadas diretamente para os celulares dos motoristas. Num futuro próximo, essa tecnologia será utilizada também em veículos automatizados que não precisam de motorista (Leia Motorista pra quê?), controlando remotamente a velocidade. Tomara que o futuro chegue com toda a velocidade às estradas brasileiras.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Audiência Pública do dia 05 de agosto


O Presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Zacarias Albuquerque Oliveira, no uso de suas atribuições legais e regimentais, convida os membros do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo e público em geral para 

Audiência Pública a ser realizada no dia 05 de agosto, às 15h, no auditório do Centro de Educação Ambiental-  à apresentação de Estudo de Impacto de Vizinhança – EIV, pela empresa JGPC INCORPORADORA SPE LTDA – Loteamento Residencial de São Francisco. A área do empreendimento está localizada às margens da rodovia RJ 216 e 236, ficando entre a estrada de Campos Farol e Goitacazes/Tócos. 
Esteve disponível para consulta prévia, cópia impressa e digital do referido EIV, na Coordenação de Licenciamento Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, entre os dias 17/07/2014 e 04/08/2014.
 Agora sua participação pode ser durante as apresentações  do EIV através de perguntas escrita ou oral,observando os procedimentos da audiência.


Pesquisadores transformam borra de café em combustível

Pesquisadores transformam borra de café em combustível
 Julho de 2014 • 


Reciclar resto de pó de café para encher o tanque do carro é uma técnica já estudada por diversos cientistas. Agora, o grande desafio almejado por pesquisadores do Reino Unido é extrair o óleo para transformar em biodiesel.
Cerca de 20% da borra de café, o que sobra depois que o café foi coado, é óleo. A ideia é fabricar um tipo de combustível alternativo que garanta a produtividade constante, independente do tipo de grão.
Para isso, pesquisadores da Universidade de Bath, no Reino Unido, por meio de um processo químico chamado de transesterificação, mergulharam a borra em um solvente orgânico e converteu-a em biodiesel. Essa técnica foi testada com grãos de cerca de 20 regiões geográficas diferentes, incluindo versões descafeinadas.
O resultado foi que houve uma composição razoavelmente padrão e pouca variação nas propriedades físicas relevantes dos combustíveis. Isso quer dizer que todos os resíduos de borra de café podem ser uma matéria-prima viável para a produção de biodiesel.
“Este óleo tem propriedades semelhantes às matérias-primas atuais usadas para produzir biocombustível. Mas, enquanto os oléos tradicionais são cultivados especificamente para a produção de combustível, as borras de café são resíduos. Há um grande potencial para produzir um biocombustível de segunda geração realmente sustentável”, afirmou o professor Chris Chuck, coordenador do experimento.
Além disso, poderiam ser aproveitados outros resíduos de café ignorados pela indústria, como na torra e na seleção de grãos, em que os defeituosos são descartados.
Os pesquisadores sugerem que o biodiesel de café seja produzido em pequena escala. Um exemplo seria as próprias redes de lojas de café usarem o combustível alternativo nos veículos para serviço de entrega de seus produtos. Em seguida, a própria empresa se encarregaria de retirar e levar as borras para uma unidade de produção de biodiesel.
"Estimamos que um café que produz cerca de 10 kg de resíduos diariamente pode ser usado para produzir cerca de dois litros de biocombustível”, afirma o estudante de doutorado em Tecnologias Químicas Sustentáveis e principal autor do estudo, Rhodri Jenkins.
Redação CicloVivo